Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Avaliar o impacto da reconstrução mamária na sobrevida de submetidas a mastectomia no período de 2014 a 2019 em uma instituição filantrópica Salvador-Bahia.
Bolsista: RAFAEL OLIVEIRA SILVA
Orientador(a): Maria da Conceição Chagas de Almeida
Coorientador(a): Não informado
Resumo: 1. INTRODUÇÃO: O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) no ano de 2014, o câncer de mama foi o tipo mais frequente de câncer em mulheres no Brasil e no mundo. Ele também foi responsável pelo maior número de mortes por câncer em mulheres. Os sintomas do câncer de mama são variados e podem incluir nódulo palpável endurecido no seio (associado ou não à dor), nódulo palpável na axila (linfonodo), alterações na pele da mama (pele em “casca de laranja”) e saída de secreção pelo mamilo. O tratamento do câncer de mama envolve terapia clínica (quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia) e cirúrgica (retirada conservadora do tumor ou retirada de toda a mama). Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial de cura. Quando há evidências de metástases (doença disseminada), o tratamento tem por objetivo melhorar a qualidade de vida da paciente. Muitas mulheres com câncer de mama em estágio inicial podem ter indicação de opção de tratamento a cirurgia conservadora da mama e mastectomia. A preferência inicial é pela mastectomia como uma maneira de retirada total do tumor e de forma mais rápida. A retirada da mama é um processo difícil para a mulher diagnosticada câncer porque afeta diretamente a autoestima da paciente. Por isso, a reconstrução mamária é um procedimento importante para a mulher se recuperar emocionalmente. Embora cada caso seja diferente, a maioria das pacientes que fazem mastectomia pode fazer a reconstrução, ao mesmo tempo que a mastectomia (reconstrução imediata) ou num momento posterior (reconstrução tardia). Existem vários tipos de reconstrução mamária disponíveis e o processo de reconstrução nem sempre é muito rápido, muitas vezes pode ser necessário mais do que cirurgia. Os principais tipos de cirurgia utilizados para reconstruir a forma da mama são: implantes mamários, procedimentos usando retalhos cutâneos e reconstrução do mamilo e da aréola. 2. JUSTIFICATIVA Uma das principais preocupações para mulheres que enfrentam o câncer de mama é perder um ou ambos os seios. A retirada da mama é um processo difícil para a mulher diagnosticada com câncer porque afeta diretamente a autoestima da paciente. Felizmente, o tratamento do câncer de mama evoluiu muito nos últimos anos e o diagnóstico precoce permite que cirurgias menos agressivas para a retirada do tumor sejam feitas bem como as técnicas cirúrgicas de reconstrução mamária. A cirurgia de reconstrução mamária é uma espécie de resgate para a mulher devolvendo para a mesma os sentimentos de autoconfiança, autoestima e otimismo. O câncer de mama é um dos que mais matam mulheres no mundo, diante disso, avaliar a sobrevida e impacto da reconstrução mamária nesse contexto se torna de extrema relevância, 3. OBJETIVOS Estudar, retrospectivamente, as mulheres submetidas a mastectomia com reconstrução mamária imediata, os resultados pós-operatórios além de avaliar a sobrevida e mortalidade das pacientes, 4. METODOLOGIA O estudo é de natureza observacional, analítico e retrospectivo, cujo propósito é estudar as mulheres submetidas a mastectomia com reconstrução mamária imediata no braço operacional da Liga Bahiana Contra o Câncer no Hospital Aristides Maltez em pacientes com diagnóstico de câncer de mama que tiveram indicação de mastectomia com reconstrução mamária imediata, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2019. 5. POPULAÇÃO E AMOSTRA O recrutamento da população será por amostragem não probabilística por con- veniência entre as pacientes com diagnóstico histopatológico de câncer de mama operadas no serviço de mastologia do HAM 5.1. Critérios de inclusão i. Mulheres com diagnóstico histopatológico de câncer de mama por core biopsia, biópsia incisional ou excisíonal. ii. Indicação de mastectomia, que realizaram reconstrução mamária imediata, operadas por Mastologistas com atuação em Oncoplastia no período de 2014 a 2019. 5.2. Critérios de exclusão i. Perda de dados durante a análise de prontuário ii. Radioterapia mamária prévia 6. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS 6.1 Formulário do Protocolo de Pesquisa O formulário para registro dos dados coletados foi desenvolvido pelo pesquisador. O instrumento contém seção de questões referente aos dados sociodemográficos, clínicos, patológicos, cirúrgicos e resultados pós-operatórios. Os itens averiguados quanto aos dados pós-operatório incluem ocorrência de hematoma, seroma, infecção e deiscência de ferida operatória, necrose de retalho de pele, perda de implantes, evolução e progressão da doença, além dos óbitos pelo câncer de mama.
Atividade Antimalárica in vitro de compostos derivados de naftoquinonas
Bolsista: Hélia Cristiny Tavares de Souza Diel
Orientador(a): Carolina Bioni Garcia Teles
Coorientador(a): Leandro do Nascimento Martinez
Resumo: De acordo com os últimos dados da OMS, no ano de 2021 foram registrados aproximadamente 241 milhões de infectados por malária no mundo e cerca de 620 mil óbitos (WHO, 2021). No Brasil, somente no ano de 2021, a Região Amazônica notificou 139.089 casos (BRASIL, 2022). Diante deste cenário epidemiológico, a espécie de Plasmodium falciparum, é o agente causador da forma mais agravante da doença, pois possui os casos de maior complexidade e mortalidade, sendo associado a distúrbios neurológicos, problemas respiratórios e abortos em mulheres grávidas (MACKINTOSH; BEESON, MARSH, 2004). A limitação dos tratamentos convencionais e o aumento crescente da multirresistência aos medicamentos são aspectos importantes que apontam para a urgência de descoberta de novas drogas para o tratamento dessa doença (MENARD; DONDORP, 2017; SILVA et al., 2018). Nesse contexto, levando em consideração as potenciais aplicações biológicas e importância química das naftoquinonas, novas moléculas derivadas desta classe, podem se tornar uma das alternativas no tratamento da malária (RIBEIRO et al., 2021). Na literatura há relatos de atividades das naftoquinonas como agentes antimicrobianos (FUTURO et al., 2018), leishmanicida (LEZAMA-DAVILA et al., 2012) e anticâncer (SCHEPETKIN et al., 2020). Além disso, essa classe de moléculas já foi utilizada em estudos in vitro que buscam compostos com atividade antimalárica (BRANDÃO et al., 2018; DE SENA PEREIRA et al., 2018; PATEL; BETECK; LEGOABE, 2021). O objetivo deste estudo é avaliar o potencial antiplasmodial in vitro de dois compostos derivados de uma naftoquinona inéditos. Os compostos serão cedidos pela pesquisadora Dra. Alcione Carvalho do Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada da Universidade Federal Fluminense. Para avaliar a atividade antimalárica, os cultivos com predomínio de anéis serão obtidos por sincronização com sorbitol (LAMBROS; VANDERBERG, 1979), os parasitos em meio RPMI serão distribuídos em placas de 96 poços considerando: 0,5% de parasitemia, 2% de hematócrito e mais os compostos (10x diluídos). Serão realizados controles de parasitos não tratados, tratados com artemisinina e de hemácias não parasitadas. As placas serão incubadas a 37 ºC por 72 h. A atividade será mensurada por fluorescência usando Sybr green I (SMILKSTEIN et al., 2004). O valor de inibição de crescimento de 50% dos parasitos (IC50) será determinado por análise de curvas dose-resposta sigmoidais. As células HepG2 serão cultivadas em meio RPMI, após serão tripsinizadas, contadas e o valor de 1x104 células/poço será plaqueado e incubado por ? 16 h em estufa a 37 °C, 5% de CO2 e 95% de umidade. Em seguida, serão adicionados os compostos e incubado novamente por 72 h. A citotoxicidade será determinada por método de fluorescência com resazurina (MADUREIRA et al., 2002). Para as análises da concentração citotóxica para 50% das células viáveis (CC50) serão considerados resultados significativos valores de p<0,05 e R2 > 0,95. O índice de seletividade (IS) será calculado entre a razão de CC50/IC50 e comparados. Valores de IS?10 serão considerados seletivos, enquanto valores menores que 10 indicarão ausência de seletividade (NAVA-ZUAZO et al., 2010). Para o ensaio de hemólise, 1% de eritrócitos humanos será plaqueado com os compostos e incubada por 30 min á 37 °C. Saponina a 0,05% será usada como controle de hemólise, controle negativo com hemácias não tratadas e branco com meio RPMI. A leitura da absorbância será realizada em espectrofotômetro (WANG et al., 2010). A taxa de hemólise da amostra será calculada comparando com o controle de saponina. Os resultados serão avaliados mediante ANOVA e considerados significativos se apresentarem nível de significância (p<0,05). Espera-se com o presente estudo eleger um composto com atividade antimalárica para ser conduzido para os ensaios in vitro mais específicos com formas assexuadas e sexuadas do parasito.
Correlação da produção de citocinas inflamatórias e componentes do sistema renina angiotensina na COVID-19: contribuição para a patogênese e progressão da doença.
Bolsista: LUCIANA GONCALVES DA SILVA
Orientador(a): ERIC HENRIQUE ROMA DE LIMA
Coorientador(a): Não informado
Resumo: A doença causada pelo SARS-Cov-2 (COVID-19) causa doença grave em cerca de 20% dos infectados, com cerca de 6% de mortalidade, no Brasil. Apesar do grande esforço na busca de tratamentos e vacinas, estudos sobre os mecanismos patogênicos da COVID-19 ainda são escassos. Anormalidades hematológicas, como linfopenia, trombocitopenia, fibrinogênio elevado, produtos de degradação de fibrinogênio elevados, bem como citocinas como a IL-6 estão emergindo como um importante marcador prognóstico para o pior resultado da COVID-19. A síndrome de liberação de citocinas (SRC) é uma doença inflamatória sistêmica, e a "tempestade de citocinas", descreve uma produção excepcionalmente alta de citocinas. Há evidências substanciais de que a SRC ocorre em pacientes com diagnóstico de COVID-19 e esteja associada a um pior prognóstico. Um perfil de citocinas caracterizado por aumento de IL-2, IL-7, fator estimulador de colônia de granulócitos (g-CSF), proteína 10 induzível por interferon-Gamma, proteína quimioatraente de monócitos 1, proteína inflamatória de macrófago 1-Alpha e fator de necrose tumoral-Alpha foi observada na COVID-19 grave. Por outro lado, o sistema renina angiotensina (SRA) encontra-se desregulado na covid-19, visto que o SARS-CoV-2 utiliza do receptor ECA2, uma das principais moléculas do sistema, para infectar as células hospedeiras. Interferência neste receptor pode desbalancear a conversão de Angiotensina II em Angiotensina 1-7, moléculas envolvidas no SRA, mas também com importante papel na ativação de resposta inflamatória em células do sistema imune. Nosso objetivo será analisar a produção de citocinas inflamatórias e componentes do SRA em pacientes com as formas moderada e grave da COVID-19 e em indivíduos saudáveis, correlacionando estes dados para determinar como a desregulação do SRA contribui para a SRC na covid-19. Os participantes serão selecionados no Centro Hospitalar para COVID-19 do INI/Fiocruz. Amostras de plasma serão utilizadas para dosar a produção de citocinas TNF-alfa, IL-1beta, e IL-6, além de ECA2, ECA, Angiotensina II, e Angiotensina 1-7, por ELISA. Desta forma, entender como mecanismos inflamatórios interferem na COVID-19, trará ganhos para posterior identificação de alvos terapêuticos eficientes no controle da infecção. A aluna de IC terá acesso às metodologias de isolamento e cultura de células, ELISA, Luminex e citometria de fluxo, além de participar das atividades do laboratório e seminários, que serão importantes para sua formação científica.
Estudo da integridade da barreira hematoencefálica em pacientes com infecção pelo SARS-CoV-2 e manifestações neurológicas
Bolsista: Rhuann Pontes
Orientador(a): CLARICE NEUENSCHWANDER LINS DE MORAIS
Coorientador(a): Cristiane Campello Bresani Salvi
Resumo: Durante a pandemia do novo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave tipo 2 (SARS-CoV-2), iniciada em 2019, o SARS-CoV-2 vem provando seus efeitos agudos e pós-infecciosos sobre o sistema nervoso central (SNC), sendo implicado em quadros de encefalopatias, meningoencefalites, convulsões, vasculite cerebral e acidentes vasculares cerebrais. Sendo assim, o conhecimento sobre a neuropatogênese da doença do novo coronavírus de 2019 (COVID-19) está em pleno desenvolvimento, com especial interesse sobre o potencial neuroinvasivo e neuroinflamatório do vírus¹,². O SARS-CoV-2 tem sido identificado em exames histopatológicos de cérebro de casos fatais, juntamente com sinais de dano endotelial microvascular e invasão de linfócitos T em parênquima cerebral e meninges3,4,5,6,7. Por outro lado, o exame do líquor de pacientes com COVID-19 e manifestações neurológicas têm detectado o SARS-CoV-2 apenas em uma minoria dos caso8. Pleocitose, aumento dos níveis de proteínas totais e albumina assim como a presença de imunoglobulinas anti-SARS-CoV-2, têm sido achados frequentes no líquor desses pacientes 9,10,11. De modo geral, aumento de proteínas totais no LCR pode advir de inflamações meníngeas e mieloencefálicas ou de dano axonal, enquanto aumento da concentração de albumina relativo ao seu valor sérico (coeficiente de albumina líquor:soro) decorre de ruptura da integridade da barreira hematoencefálica (BHE), com aumento da permeabilidade à albumina sérica, pois não há produção desta proteína no SNC12. Por sua vez, aumentos do coeficiente de imunoglobulinas líquor:soro podem indicar aumento na permeabilidade da BHE ou produção local destas em SNC para o espaço liquórico (produção intra-tecal)13. Altos títulos de imunoglobulinas anti-SARS-CoV-2 em LCR têm sido achados frequentes na COVID-19 com manifestações de SNC14; todavia, dados sobre integridade/permeabilidade da BHE e produção intratecal de anticorpos anti-SARS-CoV-2 são ainda escassos. Desse modo, a atual proposta irá examinar o líquor de pacientes com infecção pelo SARS-CoV-2 internados com AVC, encefalopatias e meningoencefalites, a fim de verificar a integridade da barreira hematoencefálica.
Levantamento de ocorrência de ectoparasitos envolvidos na transmissão de Yersinia pestis no Estado de Pernambuco entre 1966 e 2007
Bolsista: Marina Macedo Gomes
Orientador(a): ALZIRA MARIA PAIVA DE ALMEIDA
Coorientador(a): DIEGO LEANDRO REIS DA SILVA FERNANDES
Resumo: Levantamento de ocorrência de ectoparasitas envolvidos na transmissão de Yersinia pestis no estado de Pernambuco entre 1995 a 2005. A peste é uma zoonose de roedores silvestres, transmitida por pulgas, que pode infectar outros mamíferos, inclusive humanos. A zoonose permanece endêmica em alguns países e um potencial causador de emergência de saúde pública de interesse nacional (ESPIN) ou internacional (ESPII) fazendo-se necessária a vigilância ativa das áreas focais e a manutenção de equipes treinadas para situações de emergência. Compreender a dinâmica da peste em diferentes ecossistemas e contextos sociais é fundamental para estabelecer estratégias de vigilância eficazes, capazes de reconhecer eventos que podem preceder o acometimento das populações humanas, como por exemplo aumento das populações de roedores/hospedeiros e pulgas/vetores, epizootias dos roedores e outros. Nesse sentido, o objetivo do estudo foi descrever as informações bióticas sobre as populações de ectoparasitos encontrados em hospedeiros nas áreas historicamente focais de transmissão na Chapada do Araripe no sertão Pernambucano. Foi realizado um estudo descritivo com abordagem quantitativa a partir de informações contidas no acervo do Serviço de Referência Nacional em Peste do Instituto Aggeu Magalhães - FIOCRUZ PE por meio de dados obtidos pelo Programa de Controle da Peste no estado de Pernambuco no período de 1995 a 2005. No período analisado o roedor sinantrópico comensal Rattus rattus apresentou maior prevalência do que as espécies silvestres (Necromys lasiurus, Galea spixii e Thrichomys laurentius, Calomys expulsus, Cerradomys langguthi, Oligoryzomys nigripes e Wiedomys pirhorrohinus), sendo a menor frequência de capturas do pequeno marsupial Monodelphis domestica que forneceu apenas 0,02% das capturas e não hospedava nenhuma pulga. Tanto o R. rattus quanto todas as espécies de roedores silvestres, hospedavam pulgas ectoparasitas das espécies Polygenis tripus, P. b. jordani e Ctenocephalides felis. A Xenopsylla cheopis foi encontrada parasitando principalmente o R. rattus e em menor frequência as espécies silvestres exceto W. pirhorrohinus e O. nigripes. A ocorrência da P. irritans foi praticamente excepcional, apenas um espécime foi encontrado em um roedor T. laurentius e forneceu apenas 0,01% total de pulgas coletadas no período. Foi observada flutuação na frequência de animais (roedores e pulgas) obtidos em relação aos meses dos anos, com elevação na quantidade de roedores capturados nos meses de junho a outubro. Os resultados mostraram uma redução do número de roedores e pulgas ectoparasitas, e os índices totais de pulgas (número total de pulgas/número total de roedores) ficaram <1, valor inferior ao índice considerado como fator de risco para peste (>1). Embora a maior quantidade de animais obtidos (roedores e pulgas) tenha sido originada do município de Exu seguido de Bodocó, Serrita, Granito, Cedro e Moreilândia a relação parasito/hospedeiro revelou maiores índices de pulgas (>1) nos municípios Cedro, Moreilândia e Exu e índices mais baixos (<1) nos municípios de Bodocó, Granito e Serrita. A abundância do roedor comensal (R. rattus) pode levar a uma maior exposição das populações humanas, especialmente considerando sua proximidade com os humanos favorecendo a propagação da peste e outras doenças transmitidas por esses roedores. Apesar da alta prevalência desses roedores a infecção não foi detectada na área estudada podendo-se atribuir aos baixos índices de pulgas no período.
Construção e análise de vacinas de DNA contendo o gene N de SARS-CoV-2
Bolsista: AGNES REZENDE LAGE
Orientador(a): SIMONE MORAIS DA COSTA
Coorientador(a): ADA MARIA DE BARCELOS ALVES
Resumo: Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia da COVID-19, tornando uma prioridade o desenvolvimento de vacinas contra essa doença. Desde seu surgimento em dezembro de 2019 até meados de abril deste ano, foram confirmados mais que 6,8 milhões de mortes em todo o mundo. O agente etiológico da COVID-19, o Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2), é um vírus envelopado, com um genoma de RNA fita simples, com polaridade positiva, que codifica 16 proteínas não estruturais (nsp1–16), 9 proteínas acessórias e 4 proteínas estruturais: as proteínas da espícula ou spike (S), membrana (M) e envelope (E), que estão inseridas no envelope viral e a proteína do nucleocapsídeo (N) que se encontra associada ao RNA, formando o nucleocapsídeo. A proteína S medeia a ligação do vírus ao receptor celular, a proteína ECA-2, e promove a fusão do envelope viral com a membrana celular. Devido ao seu papel crítico durante a infecção viral, a proteína S é o principal alvo das vacinas contra a COVID-19. Como o SARS-CoV-2 continua se propagando mundialmente, diversas variantes virais vêm surgindo continuamente. Essas novas variantes acumulam mutações principalmente na proteína S, que podem ter implicações nas taxas de infecção viral, com alteração da afinidade de ligação da proteína S ao receptor celular. Assim, algumas variantes de SARS-CoV-2 são consideradas variantes de preocupação, devido ao risco de transmissão generalizada e possível evasão da resposta imune induzida pelas vacinas em uso ou por infecções prévias com outras variantes, com impacto na saúde pública. Uma possiblidade para melhorar a eficácia das vacinas frente ao surgimento de novas variantes é a utilização de outros alvos antigênicos para a construção de vacinas contra COVID-19. Alguns autores sugerem que a proteína N é um bom antígeno para compor uma vacina. Essa proteína se liga ao RNA viral, constituindo o nucleocapsídeo e está envolvida em alguns aspectos do ciclo viral. A proteína N é uma proteína conservada entre os coronavírus e é produzida em grande quantidade durante a infecção, sendo um alvo importante tanto da resposta imune humoral, quanto da resposta de células T. Considerando a emergência de se estudar as proteínas de SARS-CoV-2 e de desenvolver novas gerações de vacinas baseadas em diferentes antígenos virais e plataformas vacinais, esse projeto tem como objetivo a construção e avaliação de vacinas de DNA contendo o gene N de SARS-CoV-2. Inicialmente foi desenhada uma sequência codificando a proteína N de SARS-CoV-2 e um peptídeo sinal heterólogo, que foi otimizada para expressão em células humana e clonada no plasmídeo pVAX1. Bactérias E. coli foram transformadas com o plasmídeo recombinante, pCOV-NDelta, e os clones foram avaliados por digestão do plasmídeo com enzimas de restrição e sequenciamento do fragmento clonado. A expressão da proteína N em células BHK-12 e HEK-293T trasfectadas com o plasmídeo pCOV-NDelta foi confirmada por imunofluorescência. Pretendemos avaliar a secreção da proteína N e inocular camundongos com esse plasmídeo para a análise da resposta imune induzida. Além disso, considerando os estudos de vacinas de DNA contra SARS-CoV que observaram que a retirada da sequência que codifica a porção N-terminal da proteína N levou ao aumento da resposta imune, também desenhamos um plasmídeo contendo a sequência que codifica a porção C-terminal da proteína N de SARS-CoV-2. Esse plasmídeo será utilizado para transformar bactérias E. coli. Os clones recombinantes serão avaliados e, após confirmação da expressão e secreção da porção C-terminal da proteína N, o plasmídeo pCOV-N1Delta também será avaliado em modelo murino.
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