Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Investigação de Mecanismos Regulatórios do Sistema CRISPR/Cas em Isolados Clínicos de Pseudomonas aeruginosa
Bolsista: KAMYLLE CYNNARA TAVARES DA SILVA
Orientador(a): TEREZA CRISTINA LEAL BALBINO
Coorientador(a): JULIA MARIANA ASSIS DA SILVA
Resumo: O sistema CRISPR/Cas corresponde a um mecanismo adaptativo de defesa encontrado em arqueas e bactérias, formado por dois elementos principais: o locus CRISPR e as proteínas Cas. O locus CRISPR é composto por sequências repetidas interespaçadas por espaçadores provenientes de elementos genéticos móveis. Para o funcionamento desse sistema, são necessárias três etapas principais: adaptação, onde ocorre o primeiro contato com o DNA exógeno e incorporação do espaçador no locus CRISPR; expressão, etapa em que ocorrem a transcrição e tradução de proteínas Cas; e a interferência, etapa em que ocorre o reconhecimento e degradação de moléculas de DNA invasoras. Pseudomonas aeruginosa é um patógeno oportunista, associado principalmente a infecções hospitalares, com alta capacidade de adquirir mecanismos de resistência a antimicrobianos e produzir biofilme. Como infecções por P. aeruginosa são frequentemente resistentes a várias classes de antimicrobianos usados na clínica, e pela dificuldade de fármacos penetrarem na matriz polimérica do biofilme, tem-se buscado desenvolver estratégias alternativas para o combate deste microrganismo, como o uso de fagoterapia. Sistemas CRISPR/Cas do tipo I, subtipos F e E, foram encontrados em estudos prévios do grupo de pesquisa. A funcionalidade e regulação desse sistema nesta espécie ainda não é bem esclarecida. Diante do exposto, os resultados obtidos permitirão compreender os diferentes mecanismos dos sistemas CRISPR/Cas utilizados por este microrganismo, e auxiliarão na compreensão da possível interferência da maquinaria na multirresistência bacteriana. O projeto tem como objetivo geral investigar mecanismos regulatórios do sistema CRISPR/Cas em isolados clínicos de P. aeruginosa. Os objetivos específicos são avaliar quantitativamente a expressão de genes relacionados aos sistemas CRISPR/Cas, Quorum Sensing e genes de ativação de biofilme KinB/AlgB de forma constitutiva e após deleção do Sistema CRISPR/Cas, em isolados sob condições de migração. Para isso, serão utilizados dois isolados clínicos de P. aeruginosa CRISPR/Cas positivos, representativos dos subtipos I-F e I-E. O experimento de migração bacteriana será realizado de acordo com Chabas et al. (2016), no qual os dois isolados serão inoculados em meio mínimo M9 suplementado com 0,2% de glicose, junto com um plasmídio contendo uma sequência espaçadora presente nos isolados clínicos em estudo. Paralelamente, o mesmo isolado será incubado no mesmo meio, porém sem o plasmídio. Durante cinco dias as culturas serão transferidas para um novo meio simulando uma baixa ou alta taxa de migração. Ao final do experimento as culturas serão submetidas à técnica de qPCR (Real-Time Quantitative Reverse Transcription PCR). Para realizar a análise quantitativa da expressão gênica serão investigados os genes cas1f e csy1 (subtipo I-F), e cas1e e cse4 (subtipo I-E). Os genes algB e amrZ serão utilizados na investigação da produção de biofilme, e os genes lasI, lasR, rhlI e rhlR serão utilizados para avaliar o mecanismo de Quorum sensing. Como controle endógeno da reação, será utilizado o gene constitutivo rpsL de P. aeruginosa.
Impacto da artralgia crônica pós chikungunya na saúde mental e física: um estudo de coorte prospectiva
Bolsista: ALAN JOSE ALCANTARA DE FIGUEIREDO JUNIOR
Orientador(a): Guilherme de Sousa Ribeiro
Coorientador(a): Rosângela Oliveira dos Anjos
Resumo: Estima-se que cerca de 40 por cento das pessoas acometidas por chikungunya desenvolvam dores articulares crônicas, com duração de três meses a alguns anos. Como consequência, pode haver prejuízo da saúde mental e diminuição da capacidade funcional. Esse estudo tem o objetivo de estimar a incidência de infecção pelo vírus chikungunya em suas diferentes formas clínicas (assintomática, sintomática com evolução não crônica da dor articular e sintomática com evolução crônica da dor articular) e avaliar o impacto da cronificação da artralgia na produtividade laboral, prática de atividade física, saúde mental e qualidade de vida. Para atender aos objetivos, realizou-se um estudo de coorte prospectivo em uma comunidade de Salvador, Bahia. O soroinquérito de base foi realizado entre set-nov/2019 e o de seguimento entre out-dez/2020. Contatos telefônicos quinzenais foram realizados entre os inquéritos para identificar episódios de febre e dor articular. Os critérios de inclusão foram: dormir pelo menos três noites por semana no domicílio, ter idade > ou = 6 meses e não ter déficit cognitivo ou de comunicação. A inclusão dos participantes foi realizada por meio de seleção aleatória de domicílios e inclusão de voluntários. Foi estimado um tamanho amostral de 600 participantes e foram inclusos 606 participantes. Nos dois inquéritos, foram realizadas entrevistas para coleta de dados sociodemográficos e clínicos e aplicados questionários validados para mensurar a prática de atividade física, o prejuízo da produtividade laboral, a qualidade de vida e a saúde mental. Durante os soroinquéritos, coletou-se amostras de sangue para verificar a presença de anticorpos IgM e IgG específicos contra o vírus chikungunya (CHIKV) por meio de ELISA (Inbios, Seattle, EUA e Euroimmun, Luebeck, Alemanha, respectivamente). Serão considerados casos prevalentes de infecção pelo CHIKV aqueles que apresentarem IgM e/ou IgG contra CHIKV nas amostras obtidas na linha de base. Serão considerados casos incidentes os que tiveram apresentarem soroconversão de IgM ou IgG entre os dois soroinquéritos. Serão considerados casos de infecção sintomática, os casos incidentes que: 1) relatarem febre e artralgia durante as ligações telefônicas quinzenais realizadas no período entre os inquéritos; 2) relatarem artralgia sem febre desde que não houvesse doença musculoesquelética prévia; ou 3) relatarem febre sem artralgia desde que a febre não possa ser explicada por uma infecção pelo SARS-CoV-2 durante o seguimento (febre anterior à pandemia de COVID-19 (até primeira quinzena de mar/2020) ou ELISA IgG para SARS-CoV-2 não reagente no soroinquérito de 2020). Os casos de infecção sintomática serão considerados como sintomáticos crônicos quando referirem que a dor articular teve duração maior que 90 dias. A caracterização dos participantes será realizada por frequências absolutas e relativas e medidas de tendência central e dispersão. Indicadores de prevalência com intervalos de confiança de 95 por cento serão calculados para descrever a incidência de infecção pelo CHIKV em suas diversas formas clínicas. Para comparar a prática de atividade física, produtividade, qualidade de vida e saúde mental dos participantes de acordo com o status clínico-imunológico da infecção (negativos durante o seguimento; com infecção assintomática; com infecção sintomática e sem evolução para artralgia crônica; e com infecção sintomática e evolução para artralgia crônica) serão realizados regressão linear ou regressão de Poisson (a depender do tipo de variável de desfecho) com ajuste para sexo, idade e para agregação domiciliar dos dados. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do IGM-Fiocruz, sob parecer 4.315.730. Considerando o contexto endêmico da chikungunya, este trabalho poderá orientar profissionais de saúde e gestores sobre grupos com maior risco de desenvolver artralgia crônica e possibilitar intervenção oportuna para minimizar os efeitos negativos sobre a saúde dos acometidos.
Não mudou.
Bolsista: JULIANA OLIVEIRA DA MATA
Orientador(a): EDWARD JOSE DE OLIVEIRA
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Neste trabalho, estamos avaliando o desempenho das técnicas de Kato-Katz, Helmintex (HTX), PCR-ELISA e PCR em tempo real (qPCR) para o diagnóstico da esquistossomose intestinal nas populações de Malacacheta, MG e Conde, BA. Na população de Malacacheta, vinte e duas amostras (22/400) foram positivas pela técnica de Kato-Katz, 66/400 amostras foram positivas pelo PCR-ELISA e 67/400 apresentaram resultados positivos pelo qPCR, resultando taxas de positividade de 5,5% (3,4-8,3), 16,5% (12,8-21%) e 16,75 % (13-21,3), respectivamente. O PCR-ELISA e o qPCR apresentaram sensibilidade de 96% e especificidade de 92% e 94%, quando aplicado em amostras de fezes da população de Malacacheta. A acurácia obtida pelo qPCR (94%) foi discretamente maior que a do PCR-ELISA (92%), mas sem diferença estatisticamente significante (p= 0,77), baseado na análise de classes latentes. Em razão de falta de estabilidade dos reagentes, não foi possível aplicar o PCR-ELISA nas amostras de urina da população de Malacacheta. Das 400 amostras de urina 24 (6%) e 18 (4,5%) foram positivas para a presença de DNA de S. mansoni pelo PCR convencional (cPCR) e pelo qPCR, respectivamente. As taxas de sensibilidade obtidas, usando amostras de urina, foram de 6% pelo cPCR e 13% para o qPCR. O estudo está em andamento na população de Conde, BA. Nesta população, 93/271, 115/254 e 56/241 amostras de fezes foram positivas pela técnica de Kato-Katz, HTX e qPCR, resultando em taxas de positividade de 34,3%, 45,3% e 23,2%, respectivamente. Os resultados obtidos por este estudo poderão embasar tomadas de decisão para a incorporação de novas técnicas de diagnóstico da esquistossomose intestinal pelo Ministério da Saúde.
Efeito da gedunina sobre a senescência prematura em linhagens de fibroblastos murinos e humanos
Bolsista: SORAYA DE OLIVEIRA DA SILVA SANTOS
Orientador(a): THADEU ESTEVAM MOREIRA MARAMALDO COSTA
Coorientador(a): CARMEN PENIDO MONTEIRO
Resumo: A senescência celular é um fenômeno fisiológico associado ao envelhecimento caracterizado pela suspensão da proliferação celular. As células senescentes apresentam como características como: aumento de tamanho, da expressão da enzima beta-galactosidase e das proteínas p21 e p53 (envolvidas na regulação do ciclo celular), além de um perfil secretório caracterizado pela liberação de mediadores pró-inflamatórios como IL-6, IP-10, CCL2 e VEGF. A permanência de células senescentes no organismo por longos períodos contribui para o estabelecimento de uma inflamação crônica “estéril”, condição responsável pelo desenvolvimento de doenças associadas ao envelhecimento e de tumores. Assim, a descoberta e/ou desenvolvimento de substâncias que tenham como alvo as células senescentes podem ter um importante papel na prevenção e no tratamento de doenças associadas ao envelhecimento, promovendo um aumento na saúde e longevidade. A proteína do choque térmico 90, HSP90 é uma chaperona molecular responsável pela estabilidade de muitas proteínas celulares, incluindo as envolvidas no processo de senescência. Por este motivo, vem sendo apontada como um possível alvo para a eliminação de células senescentes. De fato, estudos recentes já demonstraram que a inibição da HSP90 foi capaz de aumentar o tempo de vida de C. elegans e retardou o início de fenótipos associados ao envelhecimento em fibroblastos e camundongos deficientes na enzima de reparo de DNA ERCC1 (Ercc1-/-). Desta forma, considerando a participação da HSP90 no processo de senescência e os efeitos cumulativos desta sobre o surgimento de doenças crônicas degenerativas associadas ao envelhecimento, a caracterização da atividade da HSP90 na senescência utilizando inibidores farmacológicos é de extrema importância.
Avaliação da resposta imune em indivíduos vacinados contra COVID-19
Bolsista: AMANDA VITORIA PINHEIRO NASCIMENTO
Orientador(a): ADA MARIA DE BARCELOS ALVES
Coorientador(a): SIMONE MORAIS DA COSTA
Resumo: A pandemia da COVID-19 (doença por Coronavírus de 2019) levou a óbito quase 7 milhões de indivíduos no mundo todo. No Brasil foram confirmados mais de 37 milhões de casos, com cerca de 700 mil mortes. A infecção com o Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2), agente etiológico da COVID-19, não só pode ser fatal, mas também deixar várias sequelas. Além disso, com o espalhamento do SARS-CoV-2 ao longo de mais de 3 anos, desde o início da pandemia, surgiram diversas variantes virais com mutações relevantes que impactam na transmissão viral e podem afetar a eficácia protetora das vacinas. Tais variantes foram responsáveis por sucessivas ondas epidêmicas, incluindo as variantes Alfa, Beta, Gama, Delta e Ômicron. Até o momento, as vacinas disponíveis contra a COVID-19 se baseiam principalmente na proteína spike (S), que está presente no envelope viral e interage com o receptor celular, a proteína ECA-2, permitindo a internalização do SARS-CoV-2. O foco principal destas vacinas é a indução de anticorpos neutralizantes (AcN) contra a proteína S, apesar dos estudos também apontarem um papel importante da resposta imune celular na proteção. No Brasil, inicialmente foram administradas pelo Programa Nacional de Imunização quatro vacinas: a CoronaVac, constituída do SARS-CoV-2 inativado; a ChAdOx1 da Oxford/AstraZeneca, baseada em adenovírus recombinante de chimpanzé contendo o gene da proteína S de SARS-CoV-2; a ComiRNAty da Pfizer/BioNTech, composta do mRNA que codifica a proteína S do SARS-CoV-2; e a Ad26.COV2.S desenvolvida pela Janssen Pharmaceutical/Johnson & Johnson, baseada no adenovírus humano Ad26 e contendo o gene que codifica a proteína S de SARS-CoV-2. Por serem baseadas em plataformas tecnológicas distintas, estas vacinas podem estimular de forma diferente as respostas imunes, humoral e celular. Ademais, diferentes esquemas de dose/reforço homólogos ou heterólogos vêm sendo administrados em nossa população. Somado a isto, recentemente foi introduzida no Brasil a vacina bivalente produzida pela Pfizer-BioNTech contra a cepa original do vírus isolado em Wuhan e a variante Ômicron. Iniciamos em nosso laboratório, um estudo para avaliar as respostas induzidas em indivíduos imunizados com as quatro vacinas de primeira geração em uso no país, CoronaVac, AstraZeneca, Janssen e Pfizer. Pretendemos avaliar o impacto da administração de diferentes abordagens vacinais em sistemas de doses e reforço heterólogos na população. Sendo assim, o presente projeto tem como objetivo continuar as avaliações do perfil e magnitude da resposta imune humoral e, futuramente, celular, em indivíduos vacinados na nossa população com os diferentes esquemas de dose e reforço com as vacinas de primeira geração, direcionadas contra o vírus original (Wuhan). Também iniciaremos as investigações quanto às respostas imunes induzidas com a vacina bivalente recentemente introduzida no Brasil, contra o vírus ancestral e a variante Ômicron. Pretendemos quantificar os AcN contra a variante de SARS-CoV-2 original (Wuhan) e também contra variantes que já circularam com algum impacto no país (Delta e Ômicron). Também iremos comparar as respostas induzidas nos voluntários que tiveram COVID-19 ou infecções assintomáticas. Para isto, iremos utilizar os dados fornecidos pelos voluntários no momento da coleta de sangue e a determinação da presença ou não de anticorpos contra a nucleoproteína (N) de SARS-CoV-2, como indicativo de infecção prévia com o vírus, uma vez que este antígeno não está presente na maioria das vacinas contra COVID-19.
Avaliação do perfil de citocinas e quimiocinas de uma coorte de pacientes com tuberculose em tratamento e prospecção de potenciais biomarcadores imunológicos associados à resposta terapêutica
Bolsista: RENATA ALEXANDRIA MONTEIRO
Orientador(a): Virginia Maria Barros de Lorena
Coorientador(a): Michelle Christiane da Silva Rabello
Resumo: Estudos que visam à prospecção de biomarcadores associados à eficácia terapêutica da tuberculose são relevantes para o avanço no desenvolvimento de testes de diagnósticos mais eficazes do que os atuais e que permitam monitorar precocemente o tratamento dos pacientes. Vários estudos têm avaliado a correlação dos níveis de INF- ? produzidos por células T efetoras previamente condicionadas a estímulos com antígenos específicos do M. tuberculosis com a resposta ao tratamento. Alguns estudos mostraram que os níveis de IFN-? diminuíram após o tratamento, enquanto outros mostraram um aumento ou nenhuma mudança dependendo da resposta ao tratamento. Devido a esses resultados inconsistentes na literatura, neste estudo pretendemos avaliar os níveis citocinas/quimiocinas de uma coorte de pacientes com TB pulmonar em tratamento (antes e após 2 e 6 meses de tratamento) de Recife, Pernambuco, visando prospectar novos biomarcadores imunológicos que sejam úteis para monitorar a eficácia da resposta terapêutica anti-TB e mais eficazes do que as atuais ferramentas de diagnóstico laboratorial. Além dos níveis de qumiocina/citocinas será avaliado o quadro clínico, carga bacilar e dano pulmonar.
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