Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Investigação das vias de morte induzidas no Trypanosoma cruzi pelo tratamento com complexos de Ru(II) contendo tioamidas
Bolsista: GEANINE SOUZA ROCHA
Orientador(a): Milena Botelho Pereira Soares
Coorientador(a): Cássio Santana Meira
Resumo: A doença de Chagas, zoonose causada pelo protozoário hemoflagelado Trypanosoma cruzi, afeta cerca de 6-7 milhões de pessoas no mundo, principalmente na América Latina. No Brasil e em muitos países, o tratamento dessa enfermidade se baseia na utilização do benzonidazol ou nifurtimox. Ambos os fármacos têm o seu uso associado a uma série de efeitos adversos no paciente ao longo do tratamento e uma baixa taxa de cura nos indivíduos com doença crônica. Considerando-se que o uso terapêutico dos compostos atualmente disponíveis é limitado, é necessário o desenvolvimento de novas opções terapêuticas para o tratamento da doença de Chagas. Uma classe atrativa para o desenvolvimento de novas agentes tripanocida são os complexos metálicos, em especial os contendo rutênio. Nesse sentido, pretende-se nesse projeto caracterizar o mecanismo de ação, a nível celular, de complexos de Ru(II) contendo tioamidas previamente identificados como potentes e seletivos agentes tripanocida. Com a presente investigação, pretendemos contribuir com a comunidade científica quanto à ação farmacológica de complexos Ru(II) contendo tioamidas.
Avaliação de técnicas de colorações permanentes para o diagnóstico de Acanthamoeba spp
Bolsista: GABRIELLA LINHARES PEREIRA
Orientador(a): HELENA LUCIA CARNEIRO SANTOS
Coorientador(a): RHAGNER BONONO DOS REIS
Resumo: Amebas de vida-livre (AVLs) são protozoários, oportunista amplamente distribuídos em ambientes de água doce naturais e artificiais, no solo, em poeira e em fezes. Os gêneros Acanthamoeba, Naegleria, Balamuthia e Sappinia apresentam potencial patogênico para o homem e para outros animais. Algumas espécies causam, em última análise, infecções que culminam em quadros de meningoencefalite amebiana primária e encefalite amebiana granulomatosa (EAG) graves e altamente letais, ceratites, infecções de pele, renais e pulmonares. No Brasil, há uma carência de estudos no que diz respeito a identificação, diagnóstico, isolamento e potencial patogênico de AVLs. Estes micro-organismos são considerados carreadores de vírus, bactérias, protozoários e fungos por meio de relações transitórias ou simbióticas. Em áreas nosocomiais, AVLs são consideradas fontes veiculadoras e disseminadoras de micro-organismos patogênicos. As formas císticas são resistentes aos desinfetantes comumente utilizados na limpeza e na desinfecção de superfícies e de equipamentos hospitalares. Acanthamoeba spp é uma das principais responsáveis pelo quadro de ceratite amebianas que são causadas principalmente pelo uso de lentes de contato e seu mal manuseio, como a falta de limpeza do estojo, uso de desinfetantes a base de cloro e uso muito prolongado de lentes de plástico não lavadas. Desta forma, as AVLs representam um risco substancial à segurança humana e de outros animais, principalmente aqueles com quadros de imunossupressão. Globalmente, AVLs constituem um importante problema de saúde pública. As infecções causadas pelas AVLs são consideradas raras, mas altamente letais, em virtude da delonga do diagnóstico e da baixa eficácia das terapêuticas utilizadas. De fato, as AVLs apresentam grandes variações morfológicas de acordo com a sua fase evolutiva e o meio a que estejam adaptadas, dificultando assim a sua identificação. Notoriamente, a inexperiência profissional na identificação de AVLs atrelada a baixa sensibilidade e especificidade dos métodos de diagnóstico potencializa a subnotificação de casos. Desta forma, este projeto tem como objetivo avaliar técnicas de coloração permanentes para o diagnóstico de Acanthamoeba spp, visando padronização de um método de coloração rápido e eficaz, principalmente para o diagnóstico da ceratite amebiana.
Síntese e avaliação tripanomicida e mutagênica de nitroimidazóis substituídos
Bolsista: CAMILLE DELFINO VIEIRA
Orientador(a): NUBIA BOECHAT ANDRADE
Coorientador(a): FREDERICO SILVA CASTELO BRANCO
Resumo: A doença de Chagas é um sério problema de saúde pública. Endêmica em 21 países, ela é responsável por uma considerável morbidade e mortalidade atingindo cerca de 8 milhões de pessoas. Porém, tem se tornado uma doença grave mundialmente devido o aparecimento e o aumento de número de casos diagnosticados fora da área endêmica, como na América do Norte, Europa, Japão e Austrália. O tratamento da doença de Chagas depende do uso de apenas dois fármacos desenvolvidos na década de 1970, o nifurtimox (NF) um derivado nitrofurânico e benznidazol (BZ) um derivado 2-nitroimidazólico. Estas substâncias são efetivas somente no tratamento da fase aguda da doença, constituindo um sério problema na terapêutica, uma vez que, a maior parte dos casos é diagnosticada na fase crônica. Adicionalmente, a eficácia dos compostos varia de acordo com a área geográfica, devido às diferenças em suscetibilidade das diferentes cepas de T. cruzi aos fármacos. Além disso, a quimioterapia está associada a graves efeitos colaterais. A citotoxicidade e a genotoxicidade induzidas pelas substâncias podem limitar a dose e a duração do tratamento afetando adversamente a qualidade de vida e levando a risco de vida. Efeitos, a longo prazo, tais como, alterações do sistema imune e indução de malignidades provavelmente são devidos ao dano genético induzido pelo tratamento com o fármaco e/ou ao seu potencial tóxico, mutagênico, carcinogênico e promotor. Atualmente estima-se que menos de 1% das pessoas infectadas recebem tratamento devido à falta de evidencia robusta e políticas públicas de implementação. No Brasil, apenas o BZ é utilizado, e tais fatos justificam ainda mais a urgência na pesquisa e desenvolvimento de novas substâncias com atividade anti-chagásica. Nitroimidazol é uma das classes mais importantes frente a atividade tripanomicida devido a ampla e elevada ação. Esta característica se dá pelo grupo nitro ligado ao anel imidazólico porém, está associada também a toxicologia. Diversos grupos, inclusive o nosso busca a separação dessas duas atividades. Dando continuidade ao desenvolvimento de novos padrões moleculares para a DC, o objetivo deste trabalho é a síntese e a avaliação das atividades anti-T. cruzi e de citotoxicidade dos novos derivados 5-nitroimidazóis (1-8) e (18-20) e 2-nitroimidazóis (9-14) análogos do benznidazol. Cabe ressaltar que, a rota proposta para a síntese de ambos produtos é simples, sendo de grande relevância, já que estamos propondo substâncias para tratar doentes negligenciados. A avaliação nas formas amastigotas e tripomastigotas de T. cruzi e avaliação da citotoxicidade, mutagenicidade e genotoxicidade destes compostos, irão direcionar a contribuição destas substâncias para o perfil anti-chagásico. Neste sentido, espera-se que este trabalho contribua com a obtenção de substâncias promissoras com ação anti-T. cruzi. Até o momento foi possível alcançar a síntese dos derivados 1-8, os quais foram obtidos com bons rendimentos, os quais serão submetidos à avaliação biológica. Os intermediários 25-27, 33 e 34 também foram obtidos satisfatoriamente. As demais etapas sintéticas para a obtenção dos derivados finais (9-14) e (18-20) estão atualmente em curso.
Padronização e validação de ensaio imunoenzimático (ELISA), utilizando antígenos recombinantes, para o diagnóstico da Leishmaniose Mucosa.
Bolsista: FLAVIA NUNES ZEFERINO
Orientador(a): Mariana Lourenço Freire
Coorientador(a): Glaucia Fernandes Cota
Resumo: A leishmaniose mucosa (LM) é considerada a forma mais grave de leishmaniose tegumentar (LT) devido ao seu caráter destrutivo e potencial para gerar dano funcional nos tratos respiratório e digestivo. No Brasil, cerca de 25% dos pacientes com LM são diagnosticados apenas por critério clinico-epidemiológico, o que demonstra a dificuldade de acesso ao diagnóstico laboratorial adequado, sendo ainda mais preocupante devido a toxicidade do tratamento. Considerando a restrição das técnicas disponíveis, que ainda exigem procedimentos invasivos para coleta do material biológico, nossa proposta se baseia no desenvolvimento de um Ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA) para detecção de anticorpos para o diagnóstico da LM. Devido à disponibilidade prévia em nosso grupo de pesquisa, serão avaliados os seguintes antígenos recombinantes específicos de Leishmania sp. : Triparedoxina mitocondrial peroxidase (mTXNPx); Proteína homóloga do receptor para cinase C ativada de Leishmania (LACK); Proteína quinase ativada por mitógeno 4 (MAPK4); Proteína de Membrana dos Kinetoplastídeos-11 (KMP-11); Fosfatase ácida secretada (sAcP); Proteína Hipotética (LbPH). Visando a melhor discriminação entre amostras positivas e negativas, inicialmente será conduzida uma padronização do ELISA utilizando cada antígeno recombinante e variados alguns parâmetros relevantes, como a placa de ELISA, a concentração do antígeno utilizada, a diluição das amostras e o tipo e diluição do conjugado. Em seguida, a validação dos ELISAs utilizando cada antígeno será realizada em amostras de painel de soro de pacientes atendidos no Centro de Referência em Leishmaniose (CRL-IRR) com suspeita de LT e acometimento mucoso, que consentiram em participar do projeto. Os resultados de sensibilidade e especificidade obtido para os ELISAs, serão comparados com os do exame direto, cultura, PCR convencional e exame histopatológico. O desenvolvimento desse projeto contribuirá para a produção de um kit protótipo para diagnóstico da LM, capaz de efetivamente aumentar o acesso dos pacientes ao diagnóstico confirmatório da doença no Brasil.
Caracterização taxonômica e distribuição geoespacial das espécies causadoras das leishmanioses em pacientes atendidos no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fundação Oswaldo Cruz, de 2016 a 2021
Bolsista: Jayane Gonçalves Nascimento
Orientador(a): LUCIANA DE FREITAS CAMPOS MIRANDA
Coorientador(a): ANDREZA PAIN MARCELINO
Resumo: As leishmanioses são doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania e podem se apresentar clinicamente como leishmaniose visceral (LV) ou leishmaniose tegumentar (LT). No Brasil, oito espécies de Leishmania são patogênicas para o ser humano, sete relacionadas à LT e uma à LV. No estado do Rio de Janeiro (RJ), Brasil, a espécie mais prevalente é Leishmania braziliensis, no entanto outras espécies já foram descritas de forma autóctone no RJ: Leishmania infantum e Leishmania amazonensis. Recentemente identificou-se um caso autóctone de uma variante genética de Leishmania naiffi isolada de uma paciente de Duas Barras-RJ. A caracterização taxonômica não é realizada rotineiramente, entretanto, considerando a diversidade clínica das leishmanioses e o fato de muitas áreas estarem em sobreposição, a informação sobre a identificação da espécie tem se tornado cada vez mais importante. O Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses possui um banco de amostras de Leishmania spp. criopreservadas. Nosso estudo propõe a identificação etiológica dessas espécies, isoladas de casos humanos nos últimos 6 anos (2016 a 2021), georreferenciar esses casos e construir mapas temáticos com a distribuição espaço-temporal dessas espécies no estado do RJ. A caracterização taxonômica será feita por eletroforese de isoenzimas ou técnicas moleculares. Com esse estudo, esperamos conhecer as espécies responsáveis pela LT e LV humana no RJ e, assim, conhecer se existem outros casos de LT causados por L. amazonensis, L. naiffi, L. infantum ou outras espécies de Leishmania não endêmicas no RJ. Portanto, o conhecimento das espécies de Leishmania circulantes nos hospedeiros humanos, bem como sua distribuição geoespacial serão dados epidemiológicos importantes para a vigilância e controle dessas doenças no estado e no município do RJ.
IDENTIFICAÇÃO, QUANTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DA DIVERSIDADE DE VÍRUS EM ÁREA CONTAMINADA POR LIXIVIADO DE RESÍDUOS E SEUS EFEITOS À SAÚDE PÚBLICA
Bolsista: ANNE TORRES DE FARO MOTTA
Orientador(a): CAMILLE FERREIRA MANNARINO
Coorientador(a): NATALIA MARIA LANZARINI
Resumo: Os resíduos sólidos urbanos (RSU) comumente contêm materiais, como seringas e agulhas, restos de curativos, medicamentos, fraldas descartáveis, papel higiênico e secreções, que podem ser fontes de microrganismos - vírus, bactérias, fungos, protozoários e helmintos. Nos locais de disposição final de resíduos sólidos, é gerado um efluente, oriundo da solubilização de compostos presentes nos resíduos, pela umidade inicial destes e do eventual aporte de água de chuva. O lixiviado de resíduos sólidos possui difícil biodegradação, características físicas, químicas e biológicas variáveis e potencial elevado de causar contaminação. Enquanto a caracterização físico-química de lixiviados é amplamente estudada, a sua caracterização microbiológica ainda é limitada à identificação de alguns grupos de bactérias e fungos. Embora os manuais da EPA descrevam a persistência de vírus em lixiviados por cultivo celular, a sua detecção e quantificação em lixiviados de RSU resume-se a poucos estudos, iniciados com os pesquisadores deste grupo. Dessa forma, é de grande importância o desenvolvimento de pesquisas versando sobre detecção e quantificação de vírus em lixiviados de resíduos, de forma a contribuir para a determinação de possíveis impactos desse efluente à saúde, além de riscos de exposição para trabalhadores de serviços de manejo de resíduos. Esse projeto se propõe a detectar e quantificar vírus presentes em lixiviado e água subterrânea em área contaminada por resíduos sólidos, buscando avaliar seus possíveis impactos à saúde pública. O estudo permitirá nortear medidas de prevenção e controle para a população residente no entorno da área. Serão avaliadas amostras de lixiviado e água subterrânea oriundas de um lixão encerrado no Estado do Rio de Janeiro. O lixiviado será coletado em três lagoas de acumulação existentes na área. A água subterrânea será coletada em cinco poços de monitoramento instalados no lixão e em um poço de abastecimento localizado em terreno adjacente. Serão realizadas 4 amostragens por ano, uma em cada estação climática, totalizando 36 amostras. As amostras serão processadas, os ácidos nucleicos extraídos e analisados por Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (qPCR) utilizando o sistema TaqMan para detecção e quantificação viral. As amostras positivas pelo qPCR serão submetidas a protocolos qualitativos de PCR convencional e sequenciamento para caracterização molecular dos vírus detectados. A infectividade viral será avaliada em cultura de células. Serão ainda identificadas as características físico-químicas do lixiviado e água subterrânea, de forma a identificar possíveis interferentes na detecção viral e/ou preditores da sua presença. Esta pesquisa contribuirá para a determinação de impactos à saúde e ao ambiente causados por lixões encerrados. Espera-se consolidar métodos de detecção e quantificação viral em lixiviados de resíduos sólidos, no sentido de que vírus se tornem importantes indicadores no monitoramento de lixões e aterros sanitários.
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