Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Enriquecimento ambiental para camundongos associado a garantia do bem-estar e qualidade da pesquisa no Centro de Experimentação Animal do Instituto Oswaldo Cruz
Bolsista: bárbara alves de brito soledade
Orientador(a): Isabele Barbieri dos Santos
Coorientador(a): Não informado
Resumo: O enriquecimento ambiental (EA), definido como "qualquer medida que promove a expressão de tipos de comportamento naturais específicos da espécie”, apresenta-se como alternativa para a manutenção das condições de bem-estar animal (BEA), mitigando o efeito do confinamento dos animais em experimentação, ajudando a prevenir a ansiedade, frustração e estresse crônico. A legislação brasileira recomenda que o EA deve ser fornecido como parte dos cuidados de rotina dos animais utilizados para pesquisa e ensino. Uma das principais consequências da ausência/redução do BEA para a pesquisa é o comprometimento da fidedignidade dos dados. Há diversos relatos associando a redução da agressividade dos animais em experimentação (redução de estresse, lesões e óbitos) com o uso adequado de itens de EA. O objetivo deste estudo é avaliar se a implantação de itens de enriquecimento ambiental de fácil manejo e baixo custo selecionados, no alojamento de camundongos das linhagens Swiss Webster, C57BL6 e BALBc, albergados no Centro de Experimentação Animal, implica na diminuição do estresse, aumento do BEA e consequentemente na melhoria dos resultados das pesquisas desenvolvidas pelo IOC/FIOCRUZ. Como objetivos específicos temos: Elaborar um etograma para camundongos; Avaliar a efetividade dos itens de enriquecimento ambiental para camundongos. Os itens de EA selecionados foram feno, túnel de PVC, rede (máscaras cirúrgicas sem o arame), papel pardo (originado de sacos que acondicionam material utilizado para forração das gaiolas dos animais), divisórias de papelão e sementes de girassol. Todos estes itens foram selecionados porque apresentam baixo custo, fácil manuseio e higienização, permitindo esterilização, o que facilita sua implantação e permanência na rotina de manutenção dos animais do CEA/IOC. Para cada linhagem de camundongo (Swiss Webster, C57BL6 e BALBc), foram selecionados 16 animais, divididos em dois grupos (ambos compostos por 4 machos e 4 fêmeas): grupo 1 experimental, para o qual foi fornecido o feno e grupo 2 controle onde não foi oferecido o feno. Os animais foram separados ao acaso, faixa etária adulta e com média de peso de 20g. O ambiente de alojamento manteve a temperatura média de 22C e fotoperíodo controlado por dispositivo eletrônico (12 horas de luz e 12 horas sem luz). O feno foi oferecido previamente autoclavado e divididos em porções de aproximadamente 12g, para cada gaiola, permanecendo pelo período de 7 dias, sendo substituído por nova porção por mais 7 dias. Os procedimentos adotados no estudo seguiram as normas internacionais de bem-estar, sendo executados conforme a legislação brasileira licenciado com número de L-043/2016 pelo Comitê de ética em uso de Animais do Instituto Oswaldo Cruz (CEUA/IOC) da Fiocruz. Todos os animais acompanhados tanto do grupo 1 que receberam feno como enriquecimento, como do grupo controle, apresentaram temperatura corporal normal e não apresentaram perda de peso. Foi elaborado um etograma onde oram listados possíveis comportamentos normais e estereotipias dos camundongos como: ALIMENTAÇÃO = ingestão de ração e água; FISIOLÓGICO = defecar/urinar; AUTO CUIDADO = Lamber-se, coçar-se, alisar-se (passar pata na cabeça); AGONÍSTICO = brigar; EXPLORATÓRIO = lambendo a grade da tampa, lambendo o bico do bebedouro, cheirando as grades, mordendo a grade, cheirando o ar, mordendo o comedouro; ATIVO = acordado; INATIVO = dormindo (sleep); PLAY = correndo, saltando e rolando c/ outro indivíduo. ANORMAL = lamber-se excessivamente; INTERAÇÃO SOCIAL - cheirar ou lamber outro indivíduo, vocalização; INTERAGIR C/ ENRIQ.AMBIENTAL= EA). Espera-se que a implantação e manutenção destes itens de EA diminua o estresse, aumente o BEA dos animais em experimentação do CEA, melhorando consequentemente a qualidade dos dados das pesquisas realizadas no IOC, principalmente aquelas relacionadas com a resposta imune e comportamento do animal. Entretanto, ainda temos poucos resultados para chegarmos a uma conclusão.
Desenvolvimento e padronização de um ensaio in vitro para avaliação de compostos com atividade inibitória da fosfatase TcALPH1 de Trypanosoma cruzi.
Bolsista: Sofia Padilha Batistella
Orientador(a): Fabiola Barbieri Holetz
Coorientador(a): leticia da silva pereira fernandes
Resumo: A doença de Chagas (DC) é endêmica em 21 países da América Latina e do Caribe, sendo que cerca de 7 milhões de pessoas estão infectadas e mais de 10 mil morrem todos os anos. Em sua maioria, são pessoas pobres, constituindo assim um mercado pouco atrativo para a indústria farmacêutica privada. Sem diagnóstico e tratamento adequados, um em cada três pacientes irá desenvolver a forma fatal da DC, com o acometimento do coração. Segundo a OMS, o número de casos diagnosticados vem crescendo nos últimos anos devido à migração populacional e à inclusão de novas áreas de transmissão até então não endêmicas. Para o tratamento dos pacientes com DC existem duas drogas preconizados, o benznidazol e o nifurtimox mas com eficiência muito limitada à fase aguda da doença. Cerca de menos de 1 % dos pacientes têm acesso aos medicamentos, que são distribuídos pelas entidades sanitárias nacionais, sob coordenação da OPAS. Somado à baixa disponibilidade, há a ocorrência de efeitos adversos graves, como dores musculares, intolerância gástrica, anorexia, erupções cutâneas entre outros. Esses efeitos colaterais fazem com que 2 em cada 10 pacientes não terminem o tratamento, que tem duração de 60 dias. Cepas resistentes a esses dois medicamentos têm sido descritas desde a década de 80; além do fato de não serem eficazes na fase crônica tardia da DC, momento em que a maioria dos casos é diagnosticado. Frente a todas essas limitações relacionadas ao tratamento, se faz necessário com urgência o desenvolvimento de novas alternativas que sejam mais eficientes para o combate à DC. Deve-se buscar tratamentos que não só eliminem o patógeno na fase crônica da doença, mas que sejam menos tóxicos, contribuindo para melhorar a qualidade de vida do paciente. Neste sentido esta proposta tem como foco desenvolver e padronizar um teste enzimático in vitro para avaliar a atividade inibitória de compostos contra a proteína ALHP1 de T. cruzi. Dado que ALPH1 é uma fosfatase envolvida diretamente no controle da estabilidade dos mRNAs em tripanosomatídeos, que este controle é imprescindível para a regulação da expressão gênica nestes organismos, que a deleção da proteína é letal para o parasita e, ainda, que tal proteína não apresenta homologia com proteínas de mamíferos, ALPH1 representa um alvo (espécie-específico) potencial para novos tratamentos, mais eficazes e menos agressivos contra a DC. É válido ressaltar que dispomos em nosso laboratório de cerca de 6 mil compostos distribuídos em 3 coleções para pronto uso. Assim, após a padronização do teste in vitro, estes compostos serão triados quanto sua capacidade inibitória da fosfatase. A busca em coleções de compostos já regulamentados e aplicados na medicina humana adentra no campo do reposicionamento de fármacos, uma importante área da pesquisa que é responsável por expressivo avanço no tratamento de diversas doenças e condições. Com o estabelecimento de um ensaio efetivo e sensível para a avaliação da atividade de fosfatase da ALPH1 teremos a validação de uma importante ferramenta para uma varredura preliminar e rápida de compostos com potencial efeito anti-tripanocida, com um direcionamento do provável mecanismo de ação da droga em questão. Para alcançar tal objetivo, o domínio funcional da ALPH1 será expresso, purificado e utilizado na padronização do teste colorimétrico. Para este propósito serão realizados testes e padronizações baseadas nos ensaios enzimáticos já descritos na literatura ou por meio da aplicação de ensaios disponíveis em testes comerciais.de atividade de fosfatase in vitro. Por fim, através da aplicação do ensaio de atividade de fosfatase será realizada a avaliação dos diferentes compostos, previamente selecionados presentes nas três coleções disponíveis no laboratório. Esperamos, com este projeto, poder contribuir para a identificação de novas drogas, potencialmente mais eficientes e menos tóxicas para o tratamento da DC.
Estudo da eficácia pré-clínica da combinação binária envolvendo miltefosina, anfotericina B lipossomal e infiltração intralesional de antimoniato de meglumina no tratamento de leishmaniose cutânea causada por Leishmania (Viannia) braziliensis.
Bolsista: AUGUSTO BERSAN LAGE ARAUJO
Orientador(a): Eliane de Morais Teixeira
Coorientador(a): DANIEL MOREIRA DE AVELAR
Resumo: Leishmanioses integram o grupo de doenças infecciosas negligenciadas, sendo o tratamento uma das principais estratégias para o seu controle. O arsenal terapêutico disponível é limitado e marcado por reconhecida toxicidade, aliado a uma insuficiência persistente no desenvolvimento de novos fármacos. Neste contexto, o reposicionamento de drogas e avaliação de novos esquemas posológicos de medicamentos existentes, incluindo as combinações, despontam como estratégias potencialmente úteis para ampliar as opções terapêuticas. Objetivo: avaliar a eficácia e a toxicidade de esquemas terapêuticos constituídos por combinações binárias dos medicamentos: miltefosina, anfotericina B lipossomal e antimoniato de meglumina para o tratamento de leishmaniose cutânea causada por Leishmania (Viannia) braziliensis, em modelo animal. Metodologia: modelo experimental animal de leishmaniose cutânea utilizando hamsters (Mesocricetus auratus) machos infectados por cepa de referência L. (V.) braziliensis (MHOM/BR/75/M2903). As combinações binárias serão comparadas com os medicamentos em monoterapia, nomeadamente miltefosina na dose de 25mg/kg, via oral, por 20 dias consecutivos, anfotericina B lipossomal 10mg/kg, dose única, via intraperitoneal e antimoniado de meglumina por via intralesional em infiltração única. Para controle do experimento, serão constituídos grupos de animais tratados com a dose plena de antimoniato de meglumina via intramuscular (200mg/Kg/dia, durante 20 dias consecutivos) e animais mantidos sem tratamento. A eficácia clínica será avaliada comparando-se o maior diâmetro da úlcera entre os grupos de animais no 23º dia após início do tratamento e, a eficácia parasitológica, pela comparação da carga parasitária na lesão e no baço através da técnica de PCR em tempo real. A toxicidade será avaliada por meio da inspeção do comportamento dos animais e pela mensuração da massa corpórea. Este estudo pretende apontar possíveis esquemas terapêuticos de combinações, que possam ser elegíveis para futuros ensaios clínicos do tratamento da leishmaniose cutânea.
Caracterização dos fragmentos de sinalização nuclear das GP63 em promastigotas e amastigotas de Leishmania (Viannia) braziliensis
Bolsista: Fransuellem Batista de Moura
Orientador(a): FRANKLIN SOUZA DA SILVA
Coorientador(a): LUZIA MONTEIRO DE CASTRO CORTES
Resumo: As leishmanioses são doenças causadas por um protozoário intracelular pertencente à família Trypanosomatidae do gênero Leishmania. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose é uma das sete doenças tropicais mais importantes da atualidade, sendo, no entanto, considerada negligenciada. Devido a isto, essa doença que possui um amplo espectro de manifestações clínicas com uma resolução potencialmente fatal, representa um sério problema para o sistema de saúde no mundo. As leishmanioses são doenças com distribuição mundial encontradas em cerca de 89 países, sendo endêmicas na Ásia, África, Américas e região do Mediterrâneo. De acordo com o informe epidemiológico da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) publicado em dezembro de 2019, foram registrados um total de 989.096 casos de LC e LMC no período de 2001-2018, com uma média anual de 54.950 casos reportados. Do total de casos de 2018, 84% foram reportados pelo Brasil. Esse quadro de infecção no país assume um cenário particular, onde as principais espécies relacionadas são: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (Viannia) guyanensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis. Dentre estas espécies, a Leishmania (Viannia) braziliensis é a espécie mais prevalente no Brasil e pode causar lesões cutâneas e mucosas, sendo assim o principal agente etiológico da Leishmaniose Tegumentar nas Américas. É encontrada desde o Norte até o Sul do Brasil, tanto em áreas de colonizações antigas ou recentes. Neste contexto, Leishmania spp apresenta grande plasticidade na relação parasito hospedeiro e as proteases são fatores de virulência que exercem papéis fundamentais no ciclo de vida do parasito. Estão presentes aproximadamente 2% no genoma do parasita. Este quantitativo engloba as principais classes de proteases: cisteína-proteases, serina-proteases, aspartil-proteases e metalo-proteases. Em Leishmania (Viannia) braziliensis, 52% dos alelos de proteases são representados por metaloproteases. Esse quantitativo de genes abrange as glicoproteínas 63 (GP63), enzimas que pertencem à classe de leishmanolisina, um importante fator de virulência. A GP63 de Leishmania spp. é internalizada pelos macrófagos do hospedeiro mamífero independente da fagocitose. O processo de internalização pode ocorrer pela interação entre a âncora GPI da GP63 secretada e as balsas lipídicas da membrana celular dos macrófagos. Já na região intracelular, a GP63 pode ser transportada ao núcleo pelo reconhecimento do motivo de direcionamento nuclear presente na sequência da GP63. Esta sequência geralmente consiste em cadeias de aminoácidos básicos com motivo de assinatura K-K/R-X-K/R. No núcleo celular a GP63 pode atuar nas subunidades da proteína-1 ativada alterando sua capacidade de ligação ao DNA. Devido a função crítica deste fator de transcrição sob vários genes envolvidos na resposta imune inata há uma regulação negativa das funções imunes inatas. Portanto, a GP63 demonstra um importante mecanismo de evasão ao sistema imune do hospedeiro mamífero, permitindo a adaptação do parasito ao ambiente intracelular e contribuindo, desta forma, a sua sobrevivência e propagação. Objetivo: Identificar e caracterizar as GP63 da Leishmania (Viannia) braziliensis que atuam diretamente no núcleo celular dos macrófagos. Metodologia: Inicialmente realizamos análises in sílico para mapear motivos NLS em GP63 e desenho dos iniciadores. As sequencias de GP63 foram obtidas pelo servidor TriTrypDB (https://tritrypdb.org/tritrypdb/app/) e alinhadas pelos servidores MAFFT (https://mafft.cbrc.jp/alignment/server/) e BLAST (https://blast.ncbi.nlm.nih.gov/). Após a caracterização foi possível desenhar os iniciadores utilizando o NCBI (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/) e confirmados pelo IDT (https://www.idtdna.com/pages) Resultados: A partir das análises realizadas, identificamos doze sequencias de GP63 com o motivo NLS e cinco sequencias foram confirmadas no transcriptoma de Leishmania (V.) braziliensis. Além disso, determinamos iniciadores individuais para cada gene de GP63. Conclusão: De maneira geral, as GP63 de L. (V.) braziliensis apresentam motivos NLS com alto grau de identidade estrutural entre si. No entanto, apenas cinco sequencias foram identificadas no transcriptoma de Leishmania (V.) braziliensis. Contudo, foi possível propor pares de iniciadores específicos para cada sequência de GP63 como motivo NLS.
ANALISE BIBLIOMÉTRICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA GLOBAL EM CHIKUNGUNYA
Bolsista: Laura de Azeredo Santos
Orientador(a): Marcio Sacramento de Oliveira
Coorientador(a): Maria de Fátima Ebole de Santana
Resumo: A Chikungunya é uma doença viral transmitida aos humanos pelas picadas de mosquitos fêmeas infectados que causa febre e fortes dores nas articulações. A doença foi reconhecida pela primeira vez em 1952, durante um surto no sul da Tanzânia. Em 2016, havia um total de 349.936 casos suspeitos e 146.914 confirmados por laboratório notificados ao escritório regional da OPAS, representando metade da carga em comparação com o ano anterior. Os países que notificaram a maioria dos casos foram Brasil, Bolívia e Colômbia (com cerca de 300.000 casos suspeitos entre eles). Em 2017, o ECDC notificou um total de 10 países, com 548 casos de Chikungunya, dos quais 84% foram casos confirmados. O Paquistão enfrentou um surto persistente que começou no ano anterior e relatou 8.387 casos, enquanto a Índia sofreu com 62.000 casos. Nas Américas e no Caribe foram notificados 185 mil casos; os casos no Brasil representaram mais de 90% dos casos na região das Américas. Surtos de Chikungunya também foram relatados no Sudão (2018), Iêmen (2019) e, mais recentemente, no Camboja e Chade (2020). Diante deste cenário de possibilidades de novas epidemias por Chikungunya, sobretudo no Brasil, devido ao cenário de crise econômica que o país passa nos últimos anos e a atual crise sanitária afetando os investimentos em PD&I, definir prioridades de investimento e priorizar políticas realmente efetivas, se faz necessária a realização de estudos prospectivos direcionados a atender demandas específicas. O projeto tem por objetivo análisar a produção científica e tecnologica global sobre a Chikungunya. A metodologia consite na recuperação de registros em chikungunya, sobre a perspectiva da Vigilância em Saúde, nas bases Web of Science e Scopus para produção científica e no Orbit Intelligence para produção tecnológica, no período de 2010 a 2022. Através das técnicas de text e data mining será desenvolvida uma base de dados organizada e estruturada para a realização de análise bibliométrica. Serão utilizados os softwares Vantagepoint (Marca Registrada) e VOSviewer para as etapas de tratamento e de análise dos dados.
Ensaio citofluorimétrico para caracterização fenotípica das células envolvidas nas respostas do tipo Th1 e regulatória de camundongos imunocompetentes e imunossuprimidos infectados com espécies do complexo Sporothrix.
Bolsista: Mylena Euphrazio dos Santos
Orientador(a): DANIELLY CORREA MOREIRA
Coorientador(a): Manoel Marques Evangelista de Oliveira
Resumo: PROJETO Ensaio citofluorimétrico para caracterização fenotípica das células envolvidas nas respostas do tipo Th1 e regulatória de camundongos imunocompetentes e imunossuprimidos infectados com espécies do complexo Sporothrix. Orientadores Orientadora: Danielly Corrêa Moreira de Sequeira Co-orientador: Manoel Marques Evangelista de Oliveira Palavras-chave: Sporothrix, esporotricose, relação parasito-hospedeiro, resposta imune, modelo murino 1. Introdução e justificativa Sporothrix schenckii é um fungo dimórfico, que pertence à Divisão Ascomycota, Classe Pyrenomycetes, Ordem Ophiostomatales, Família Ophiostomataceae (Marimom et al, 2006), cuja fase micelial, saprófita, é obtida também em cultura a 25ºC e sua fase leveduriforme, parasitária, é obtida em meio BHI (Brain Heart Infusion), em temperaturas que variam entre 35°-37°C. Até 2006, S. schenckii era considerada a única espécie patogênica, entretanto, estudos filogenéticos demonstraram uma variabilidade genética entre as espécies de S. schenckii (Marimon et al., 2006; de Meyer et al., 2008 ), atualmente considerada um complexo de espécies, inicialmente composto por S. schenckii sensu stricto, S. brasiliensis, S. globosa, S. luriei, S.mexicana, S.pallida e S. chilensis todas consideradas patogênicas (Marimon et al., 2007, 2008; 2009; Dias et al., 2011; Morrison et al., 2013; Cruz-Choappa et al., 2014; Rodrigues et al., 2016). Na imunopatogênese das infecções fúngicas, as células T regulatórias (Tregs), são responsáveis por manter a homeostase por diversos mecanismos, como por exemplo, a supressão dos efeitos deletérios de células Th2 (Wiesner et al., 2016) e da ação de neutrófilos por meio da ação combinada de IL-10 e CTLA-4 (Montagnolli et al., 2006). Com base no exposto, nos propomos a avaliar a geração de células T regulatórias em camundongos imunocompetentes e imunossuprimidos infectados com as espécies S. schenkii stricto sensu e S. brasiliensis, isolados de uma área de epidemia de grande impacto como o Rio de Janeiro, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre mecanismos imunológicos envolvidos na resposta contra essas duas espécies. Sendo assim, a justificativa desse trabalho se baseia no escasso conhecimento sobre as bases celulares e imunológicas da interação de Sporothrix com os hospedeiros. Os registros na literatura são relatos de casos clínicos, sem aprofundamento do entendimento da interação parasito-hospedeiro. Os trabalhos experimentais utilizando modelos murinos, estudaram a virulência dessa espécie e o estabelecimento da doença em hospedeiros imunocompetentes e imunossuprimidos, sem aprofundar a resposta imunológica. 2. Objetivo Analisar a resposta à infecção, in vivo, de camundongos C57BL/6, imunocompetentes e imunossuprimidos, frente a conídios de Sporothrix spp., por meio de citometria de fluxo dos linfócitos T destes animais. 3. Metodologia Citometria de fluxo: Esplenócitos serão recuperados dos baços coletados durante as necropsias dos animais (grupo I a IV), para análise por citometria de fluxo. As hemácias serão lisadas a partir da adição de tampão de lise por baço. Após, serão realizadas 3 lavagens consecutivas com tampão de coloração gelado e transferidas para os tubos FACS, centrifugadas , e descartado o sobrenadante. Ao pellet serão adicionados anticorpos monoclonais marcados com fluorocromos (CD4, CD8, FoxP3), na tentativa de verificar a expressão dos marcadores de superfície para os subtipos de células T. Após incubação, as células serão lavadas com tampão de coloração e fixadas por incubação com paraformaldeído. Posteriormente, serão transferidas para mini-tubos e estocadas até o momento da aquisição no citômetro de fluxo MoFlo. Para análise dos dados obtidos, será utilizado o software FlowJo.
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