Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
DESIGUALDADE SOCIAL E CAPACIDADE INTRÍNSECA DA PESSOA IDOSA: EVIDÊNCIAS DO ELSI-BRASIL
Bolsista: HORTENCIA MARIA RIBEIRO DE CARVALHO
Orientador(a): Juliana Vaz de Melo Mambrini
Coorientador(a): POLIANA FIALHO DE CARVALHO
Resumo: A população mundial vem se tornando mais envelhecida. Isso fica evidente quando se observa as mudanças na estrutura etária que vêm ocorrendo em todos os países, e o Brasil não é exceção a essas transformações. Desde o início do século XXI, o envelhecimento da população brasileira se acelerou, fenômeno demográfico explicado pela queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida. Segundo estimativas do IBGE, mais de 30% da população brasileira será composta por pessoas com 60 anos ou mais em 2060. Necessidades específicas de cuidado são apontadas com o aumento da longevidade. Dentre as alterações fisiológicas observadas ao longo do processo de envelhecimento, destaca-se o declínio nos sistemas neurológicos e muscular, afetando a força, o equilíbrio, a flexibilidade, a agilidade e a coordenação motora da pessoa idosa, impactando negativamente na sua capacidade funcional. Com base em orientações da Organização Mundial de Saúde, em 2020 a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas declarou 2021-2030 como a Década para um Envelhecimento Saudável, sendo este definido como o processo de desenvolver e manter a habilidade funcional, de forma a possibilitar o bem-estar na velhice. A habilidade funcional, por sua vez, é determinada pela capacidade intrínseca de um indivíduo, que contempla as capacidades mentais e físicas, além do ambiente em que ele vive, considerando ambientes físicos, sociais e políticos e as interações entre eles. Dessa forma, o envelhecimento saudável é diretamente relacionado à desigualdade econômica e social. Evidências da literatura apontam para a influência das vivências ao longo do curso de vida nos desfechos de saúde em idosos, ligando a saúde do idoso e o risco de doenças a exposições sociais ou físicas que aconteceram ao longo de gerações ou no decorrer da vida, destacando-se, dentre essas exposições, os fatores socioeconômicos. Especialmente no Brasil, um país fortemente marcado pelas desigualdades sociais, todo o debate da desigualdade em saúde é permeado pela condição socioeconômica. Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, principalmente com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988 pela Constituição Federal Brasileira e mais tarde com a implantação da Estratégia Saúde da Família, estudos revelam a persistência de desigualdades em saúde, tornando-se necessária sua avaliação com o intuito de descrever seus determinantes, de forma a subsidiar a elaboração de estratégias e políticas públicas. Dessa forma, considerando o cenário do envelhecimento populacional brasileiro, marcado pelas desigualdades e a repercussão dessas na saúde da população, faz-se importante avaliar a contribuição dos fatores socioeconômicos para a capacidade intrínseca dos idosos brasileiros, principal objetivo deste projeto. Dessa forma, este trabalho visa contribuir com essas informações no contexto nacional e auxiliar para que políticas públicas de saúde garantam cuidado longitudinal integral para todos os idosos. Trata-se de estudo transversal, baseado nos dados da segunda onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizado entre 2019 e 2021, conduzido com amostra nacional representativa da população com 50 anos ou mais não institucionalizada. O desfecho de interesse será a capacidade intrínseca das pessoas idosas, avaliada nos 5 domínios (cognitivo, psicológico, sensorial, locomotor e vitalidade), conforme orientação do manual da OMS/OPAS 2020 e disponibilidade das informações na base de dados do ELSI-Brasil. Como marcadores socioeconômicos, para fins de estimativa da desigualdade social em saúde, serão utilizadas a escolaridade, renda domiciliar per capita e cor autorreferida. A mensuração da desigualdade social em saúde será feita com base em medidas de Desigualdade Absoluta e Desigualdade Relativa, em especial por meio do Índice de Concentração, que, além de utilizar a informação de toda a população de interesse, reflete a dimensão socioeconômica na desigualdade em saúde.
Estudo da distribuição de células B e senescência no baço de pacientes com leishmaniose visceral grave
Bolsista: ERINA MASAYO ALVES HASSEGAWA
Orientador(a): Washington Luis Conrado dos Santos
Coorientador(a): Reginaldo Brito dos Santos Junior
Resumo: Alterações no baço, na leishmaniose visceral (LV), ocorrem de maneira progressiva. Inicialmente, há hiperplasia que evolui para atrofia e profunda desorganização estrutural do tecido linfoide. Em cães, tais alterações estão associadas à alta carga parasitária e maior número de sinais clínicos e coinfecções. Em hamsters, a desestruturação esplênica está associada à expressão de CDKN2A, um gene associado a senescência celular. Não obstante, sabemos pouco sobre a desestruturação da polpa branca (PB) do baço na LV humana. A esplenectomia terapêutica contribui para o controle de formas graves redicivantes da LV, sugerindo que a desestruturação do baço contribui de maneira ativa para o agravamento da doença. Nesse trabalho, objetivamos avaliar a distribuição de células B e células senescentes, e correlacionar com a desorganização esplênica em pacientes humanos com LV grave.
"ELABORAÇÃO DE QUESTIONÁRIOS A FIM DE PERCEBER O OLHAR DOS PROFESSORES DOS ANOS INICIAIS: a partir da pesquisa sobre os transtornos específicos de aprendizagem e depressão infantil"
Bolsista: RAMON SANTIAGO DO NASCIMENTO
Orientador(a): PAULO ROBERTO SOARES STEPHENS
Coorientador(a): Luã Teixeira Guapyassú Câmara
Resumo: A pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) ocasionou diversas mudanças para a sociedade, em destaque a área da educação com inovações e adaptações a fim de possibilitar aos professores e alunos o enfretamento a vigente realidade que se criou. Essa nova realidade de ensino tem manifestado de maneira positiva e como também negativa para o processo de ensinoaprendizagem. (CURY et al, 2020) Estudos atuais apontam que inúmeros alunos tiveram prejuízos acadêmicos durante a pandemia, podendo trazer defasagens significativas ao longo do processo de escolarização, tendo o potencial de causar frustações e desconfortos no próprio educando como nos pais ou responsáveis legais. (VILELA; FERRAZ; DIAS; ARAÚJO; 2021) Nesse sentido os professores necessitam estar habilitados para identificar a sintomatologia das dificuldades de aprendizagem, visando no encaminhamento para um possível diagnóstico e providenciar meios adequados para a criança. O campo das DA é delicado e complexo pois necessita de um olhar sensibilizado e qualificado para compreender o que está causando a dificuldade nesse processo de aprendizagem. (OTIS, 2012; VILELA et al 2020) É importante evidenciar, portanto, que dentro do campo das dificuldades de aprendizagem, destaca-se os Transtornos Específicos de Aprendizagem que é um termo que abrange algumas condições neurológicas que afetam diretamente na aprendizagem e no processamento das informações como a dislexia, disgrafia, disortografia e discalculia. (DSM-V, 2014; RUSSO, 2015) Esses transtornos podem apresentar comorbidades como a depressão e a ansiedade. (CRUVINEL; BORUCHOVITCH; 2014; DSM-V,2014; SANTOS, 2018) Nesse sentido, o objetivo do presente projeto é criar um manual didático pedagógico de apoio aos professores dos anos iniciais do fundamental para abordagem de transtornos específicos de aprendizagem decorrentes de depressão infantil que levam ao fracasso escolar.
Análise ambiental e da diversidade beta dos hospedeiros de Trypanosoma cruzi nos biomas brasileiros
Bolsista: PEDRO HENRIQUE DE BARROS FACRE
Orientador(a): SAMANTA CRISTINA DAS CHAGAS XAVIER AZEREDO
Coorientador(a): RAPHAEL TESTAI DE SOUZA
Resumo: O parasitismo é um fenômeno que envolve a interação entre espécies distintas, com diferentes graus de dependência, e que apresenta peculiaridades espaciais e temporais. O hospedeiro sofre pressão seletiva pelas condições ambientais e, sendo ambiente do parasita, exerce sobre este, pressão seletiva. Estudos cartográficos, com aplicações de ferramentas de Geoprocessamento, podem contribuir para melhor compreensão da tríade parasito/hospedeiro/ambiente. Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas, é um protozoário flagelado da família Trypanosomatidae, com ampla distribuição nas Américas (ocorrendo desde o sul dos Estados Unidos até Argentina e Chile), com expressiva diversidade intraespecífica como demonstram os sete genótipos ou Unidades Discretas de Tipagem (DTUs), TcI-TcVI, reconhecidos neste táxon além de Tcbat. A hipótese dessa tese propõe que a dinâmica de distribuição espacial das DTUs de T. cruzi está diretamente relacionada com fisionomia da paisagem. Esse trabalho tem como objetivo mapear a distribuição espacial dos genótipos de T. cruzi, para os biomas brasileiros, através do uso de variáveis abióticas (climáticas e de paisagem) e bióticas (pontos de ocorrência), e ainda definir como a riqueza e a abundância de pequenos mamíferos e vetores, através do cálculo da especificidade-beta, modulam a distribuição e ocorrência das DTUs de T. cruzi. Será calculada a especificidade-beta para verificar se está ocorrendo substituição (turnover) ou redução (aninhamento) das biodiversidades de hospedeiros de T. cruzi. Todas as análises serão realizadas nas linguagens de programação R 4.2.0, e os mapas temáticos no software QGIS v.3.22. Como resultados espera-se a conhecer as condições ambientais de áreas de maior adequabilidade de cada DTU bem como com o potencial de expansão ou retração desta parasitose e variáveis abióticas e bióticas reguladoras da dispersão dos genótipos de T. cruzi.
Análise do polimorfismo GPX1 e GPX4 e a relação com a evolução clínica da COVID-19 no Brasil
Bolsista: THAYSSA VIEIRA CARVALHO
Orientador(a): ROBERTO RODRIGUES FERREIRA
Coorientador(a): TANIA CREMONINI DE ARAUJO JORGE
Resumo: A COVID-19 é uma doença infecciosa que vem assolando o mundo desde seu aparecimento em dezembro de 2019. As principais manifestações clínicas variam de brandos até falência múltipla de órgãos e a morte. Durante a infecção pelo Sars-Cov-2, causador da COVID-19, estudos ressaltam uma deficiência no nível de selênio no sangue de pacientes e elevado nível de estresse oxidativo. Os baixos níveis séricos do selênio já foram associados à severidade da COVID-19, sendo observados principalmente em pacientes que vieram a óbito. O selênio é um elemento químico essencial para o funcionamento do organismo. Quando absorvido, o selênio é metabolizado no aminoácido selenocisteína, a principal forma do elemento na célula, a selenoproteína. Essas proteínas têm, entre diversas funções, a proteção contra danos oxidativos de peróxidos de hidrogênio e lipídeos; transporte e entrega de selênio em tecidos periféricos; assim como resposta ao estresse do retículo endoplasmático e ao controle da inflamação nas diversas selenoproteínas. Assim, essas proteínas têm sido bastante investigadas pelo seu importante papel nas infecções virais pelas suas ações antioxidantes, anti-inflamatórias e o equilíbrio redox nas células. Polimorfismo de nucleotídeos únicos (SNP) nos genes das selenoproteínas já foram descritos por alterarem a atividade e níveis séricos dessas proteínas. Assim, o objetivo do presente projeto é avaliar e elucidar o papel do selênio e das selenoproteínas, assim como os polimorfismos associados aos seus genes, na infecção pelo Sars-Cov-2 em pacientes durante a progressão da doença aguda. Para isso, serão realizadas análises de sete polimorfismos de base única por PCR e sequenciamento das regiões de interesse, bem como a quantificação dessas proteínas no soro de pacientes com COVID-19. Dessa forma, avaliar o papel das selenoproteínas em um ensaio clínico através do reconhecimento da associação entre os polimorfismos dos seus genes, que podem influenciar na infecção pelo Sars-Cov-2 e no desenvolvimento da doença, poderia contribuir para o mapeamento de genes de suscetibilidade ou resistência à COVID-19.
Validação de testes rápidos de antígenos para diagnóstico por RT-PCR e vigilância genômica
Bolsista: JOYCE DA SILVA CARVALHO
Orientador(a): Fabio Miyajima
Coorientador(a): TICIANE CAVALCANTE DE SOUZA
Resumo: A emergência do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e o consequente surgimento e propagação de novas linhagens filogenéticas (ditas variantes de preocupação, ou VOCs), em função do processo evolutivo estão associados com a sustentabilidade da pandemia da COVID-19, impactando diretamente no seu controle epidemiológico e no manejo de pacientes. Múltiplos eventos têm sido relatados, como a diminuição da efetividade vacinal, maior taxa de reinfecção, menor sensibilidade diagnóstica, além de variações na manifestação clínica e revisões nos protocolos terapêuticos e nas medidas de saúde pública. O rastreio e o monitoramento da evolução viral pela caracterização molecular de SARS-CoV-2 advém de iniciativas mundiais e de esforços colaborativos visando a geração de conhecimentos aplicáveis à contenção e combate à pandemia através de estratégias de vigilância genômica, como a análise filogenética e monitoramento de assinaturas do genoma viral por meio de técnicas de sequenciamento de nova geração (NGS). Inúmeros eventos de recrudescimento epidemiológico da COVID-19 têm sido registrados desde 2020. Essas chamadas “ondas pandêmicas” têm sido caracterizadas pelo surgimento de novas variantes e substituição das existentes, indicando claramente a existência de significantes processos evolutivos. Atualmente, subvariantes descendentes da BA.5 da VOC Ômicron (BA.5-like) constituem a linhagem predominante no Brasil e no mundo, de acordo com sequenciamentos depositados no GISAID, um repositório internacional para compartilhamento de sequências de vírus Influenza e SARS-CoV-2. O monitoramento genômico de SARS-CoV-2 se faz ainda mais necessário pela recente introdução de terapias antivirais específicas, e potencial advento de mecanismos de resistência, e da nova campanha promovida pelo programa nacional de imunização com as vacinas bivalentes. A diminuição significativa da captação e encaminhamento de amostras clínicas para vigilância laboratorial, muito em função da diminuição da adesão populacional por testagem da COVID-19 e à baixa demanda por exames moleculares de rt-PCR, evidenciam a necessidade do desenvolvimento de novas estratégias e implementação de fluxos alternativos, analíticos e pré-analíticos, para o encaminhamento de amostras, visando o fortalecimento da vigilância epidemiológica. Embora a técnica de rt-PCR seja considerada padrão-ouro para o diagnóstico do SARS-CoV-2, o elevado número de indivíduos infectados e a necessidade de testagem rápida e descentralizada, impulsionou o desenvolvimento de tecnologias de testes rápidos de antígenos para suprir a demanda global por diagnósticos e diminuir a sobrecarga nos centros de testagem molecular. Com a emergência e expansão de variantes de preocupação de SARS-CoV-2 (VOCs) em 2021, os TRs foram utilizados como algoritmos de testagem em massa em eventos e no monitoramento de viajantes, objetivando o rastreio ativo de indivíduos infectados, o isolamento de casos e a testagem de contactantes. A popularização do método, em função da praticidade de sua execução e maior celeridade na obtenção de resultados, combinados com o seu baixo custo e abundância de oferta, resultaram em uma grande expansão das testagens de TRs e consequentemente a uma drástica diminuição da procura pelos métodos tradicionais de rt-PCR de tempo real para o exame diagnóstico da COVID-19, a partir de meados de 2022. Desta forma, o uso de TRs rapidamente suplantou o número de exames realizados por rt-PCR de tempo real, constituindo a grande maioria dos testes diagnósticos realizados atualmente. As vantagens da ampla utilização dos TRs no diagnóstico da COVID-19 impactaram em um declínio significativo no número de amostras clínicas coletadas para exames diagnósticos de rt-PCR de tempo real, utilizados para triagem amostral, resultando em uma diminuição expressiva no número de amostras encaminhadas para os centros de vigilância genômica do país. Conclui-se que a avaliação e o monitoramento evolutivo da população viral circulante, bem como o rastreio de importação de novas linhagens do SARS-CoV-2 no Brasil têm sido significativamente prejudicados, e os dados atualmente reportados de limitada representatividade, aquém dos níveis de monitoramento requeridos.
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