Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Papel da região C-terminal da proteína VgrG4 de Klebsiella pneumoniae na infecção em macrófagos
Bolsista: AMANDA DA SILVA SARMENTO
Orientador(a): LETICIA MIRANDA LERY SANTOS
Coorientador(a): TALYTA SOARES DO NASCIMENTO
Resumo: Klebsiella pneumoniae é uma bactéria Gram-negativa, encapsulada, ubíqua, pertencente à família Enterobacteriaceae. É uma bactéria comensal do trato gastrointestinal humano, que pode ser um patógeno oportunista causando infecções hospitalares e infecções adquiridas na comunidade. Infecções causadas por K. pneumoniae têm gerado grande preocupação aos órgãos de saúde pública mundial, devido a alta frequência de isolados resistentes a múltiplo antimicrobianos, bem como de isolados simultaneamente hipervirulentos e multiresistentes. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu as Enterobacteriaceae resistentes a carbapenemos e produtoras de beta-lactamases de espectro extendido (como a K. pneumoniae) na lista de patógenos prioritários para o estudo e desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Este projeto tem como objetivo gerar conhecimento sobre mecanismos moleculares envolvidos na interação bactéria-hospedeiro, que possam servir de base para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. A capacidade de isolados dessa espécie causarem infecções tem sido relacionada principalmente a sua habilidade em evadir respostas do sistema imune, através de fatores de virulência. Um dos fatores de virulência presente em K. pneumoniae é o Sistema de Secreção do Tipo VI (T6SS). O T6SS é um complexo macromolecular contrátil, capaz de translocar moléculas efetoras do citoplasma bacteriano para o meio extracelular ou para o interior de uma célula alvo. A proteína VgrG apresenta ~700 aminoácidos e forma trímeros que localizam-se na ponta do T6SS. Algumas VgrGs apresentam uma sequência adicional variável em seu C-terminal, conferindo uma função efetora. Assim, a proteína VgrG é um dos componentes do T6SS diretamente relacionados à sua atividade funcional. Em K. pneumoniae já foi mostrado que VgrG4 da cepa CIP52.145 é um importante efetor com atividade antibacteriana, conferindo vantagens competitivas a K. pneumoniae contra bactérias e leveduras. Essa VgrG4 possui uma extensão C-terminal (VgrG4-CTD) de 138 aminoácidos, que não apresenta nenhuma similaridade com proteínas de função conhecida. Nosso grupo mostrou recentemente que a VgrG4-CTD é capaz de interagir com proteínas do hospedeiro, principalmente proteínas relacionadas ao citoesqueleto, como a actina. Mostramos que essa interação foi capaz de remodelar o citoesqueleto de actina de macrófagos que foram estimulados com a proteína VgrG4-CTD. Esse projeto tem como principal objetivo dar continuidade aos estudos já iniciados pelo nosso grupo, contribuindo para a compreensão do papel desse rearranjo do citoesqueleto celular para a destino da infecção. Assim, pretendemos determinar a dinâmica da sobrevivência de K. pneumoniae em macrófagos estimulados com a VgrG4-CTD; verificar se a VgrG4-CTD modula a expressão ou secreção das citocinas IL-10, IFN-gamma e ativação do fator transcricional STAT6; e determinar se a VgrG4 é translocada pelo T6SS quando K. pneumoniae está contida em vacúolos KCV e/ou também por bactérias extracelulares. A compreensão deste mecanismos pode futuramente embasar novas abordagens terapêuticas para o tratamento de infecções causadas por bactérias resistentes.
IDENTIFICAÇÃO DE GENES ALVOS PARA O DIAGNÓSTICO DA TUBERCULOSE PULMONAR
Bolsista: Camilly Beatriz Guedes de Andrade
Orientador(a): Sergio Marcos Arruda
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Tuberculose (TB) é uma doença transmissível causada pelo Mycobacterium tuberculosis (Mtb). O diagnóstico da TB nos postos de atendimento ainda é considerado um desafio. Nos últimos anos, surgiram novos métodos diagnósticos como o Xpert MTB/RIF® e, mais recentemente o XpertUltra®. Embora estes testes apresentem boa sensibilidade, se comparada com a baciloscopia e a cultura, o alto custo dos equipamentos impõe limitações para o seu amplo uso nas redes de atenção básica. Diferente de outras bactérias, uma característica peculiar do Mtb e que pode ser explorada para o desenvolvimento de novas ferramentas diagnósticas é a sua parede celular rica em lipídios. Grande parte da capacidade codificante do genoma bacteriano é dedicado a biossíntese, degradação e transporte destas moléculas. Em análise multi-ômica de macrófagos estimulados pelos lipídios do Mtb, identificamos que o extrato lipídico modula, simultaneamente, a expressão de genes envolvidos na ativação e controle da família de citocinas IL-1, polarização de macrófagos M1 e M2 e a diferenciação de linfócitos T para os subtipos Th1, Th2 e Th17. Essas análises revelaram que os lipídios do Mtb induzem um perfil de expressão gênica único, se comparado com outras infecções pulmonares. Assim, o objetivo principal desse trabalho é avaliar a expressão de genes alvos, provenientes das análises das ômicas, em macrófagos derivados de células mononucleares do sangue periférico (PBMC) de pacientes com tuberculose e sadios, em estímulo aos lipídios do Mtb, como marcadores moleculares candidatos para o diagnóstico da tuberculose pulmonar. A nossa perspectiva é identificar um conjunto de genes que podem ser explorados para o desenvolvimento de assinaturas com alta especificidade para o diagnóstico da TB.
Estudo dos mecanismos envolvendo as alterações microvasculares em modelo experimental de doença de Chagas aguda.
Bolsista: KEYLA RODRIGUES NOVAES VENUTO
Orientador(a): Luciana Lopes de Almeida Ribeiro
Coorientador(a): BEATRIZ MATHEUS DE SOUZA GONZAGA
Resumo: A doença de Chagas (DC) é uma doença negligenciada causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi (Chagas, 1909). Afeta cerca de 7 milhões de pessoas no mundo, sendo endêmica na América Latina. No Brasil, cerca de 2 a 3 milhões de pessoas estão infectadas (WHO, 2017). A doença é dividida em duas fases. A fase aguda é caracterizada por parasitemia patente com intensa resposta inflamatória e a fase crônica por parasitemia muito baixa acompanhada da presença de parasitas nos tecidos (Rassi et al, 2011). A cardiomiopatia é a principal manifestação clínica da DC. Porém alterações neurológicas também observadas, como meningoencefalite, principalmente em crianças e pacientes imunossuprimidos na fase aguda e o acidente vascular cerebral isquêmico na fase crônica, que pode ser associado com alterações da microcirculação cerebral (MCC) (Pittella, 1993; Carod-Artal et al., 2007; Py, 2011). Ainda, 38,4% de indivíduos assintomáticos desenvolvem o AVC (Carod-Artal et al., 2010). Estudos em humanos demonstram que a DC altera a microcirculação cerebral (Carod-Artal et al., 2010). Nosso grupo reportou pela primeira vez que a infecção aguda pelo T. cruzi causa alterações funcionais na microcirculação cerebral em camundongos, como a redução no número de capilares espontaneamente perfundidos, intensa inflamação microvascular, e disfunção endotelial (Nisimura et al., 2014). O estresse oxidativo ocorre quando há um desequilíbrio entre compostos oxidantes e antioxidantes, que tem por consequência a produção excessiva de radicais livres, como as espécies reativas de oxigênio (EROs). Esse desequilibrio pode estar relacionado a diversas patologias, assim como a DC, e já foi observado no cérebro de animais infectados pelo T. cruzi (Sadek et al. 2002; Nisimura et al., 2014; Vilar-Pereira et al., 2021). Além disso, a isquemia tecidual gera hipóxia e leva a redução dos complexos respiratórios e comprometimento da síntese de ATP, além de comprometer a função mitocondrial (Ramos & Rossi, 1999; Borutaite et al., 2003). Junto da reperfusão tecidual, que segue a isquemia, esses fatores atuam aumentando a produção de EROS (Gupta et al., 2009). Nesse contexto de isquemia cerebral, a angiogênese foi apontada como um dos mecanismos de defesa do organismo para ajudar a restaurar o suprimento de oxigênio e nutrientes para o tecido após AVC (Beck & Plate, 2009). Sendo assim, o objetivo do presente estudo é avaliar o efeito do tratamento com benznidazol combinado ou não com o composto antioxidante selênio, sobre hipóxia e o estresse oxidativo no tecido cardíaco e cerebral dos animais durante infecção aguda experimental por T.cruzi.
VIOLÊNCIA DE GÊNERO NAS RELAÇÕES AFETIVO SEXUAIS ENTRE ADOLESCENTES E JOVENS TRANS/TRAVESTIS
Bolsista: CAMILLY VITORIA DA SILVA MIRANDA
Orientador(a): ELAINE FERREIRA DO NASCIMENTO
Coorientador(a): Não informado
Resumo: A adolescência e a juventude constituem etapas do desenvolvimento marcada pela busca de identidades e sentidos, sendo um período frequentemente caracterizado por múltiplas experiências e relacionamentos, em que as identificações sexuais e de gênero exteriorizam-se e se aclaram. No entanto, por vezes, esta fase é igualmente marcada por experiências adversas, como é o caso da violência. Estudos tem apontado que, nos mais diversos contextos socioculturais e diferentes classes socioeconômicas, observam-se o aumento da incidência e recorrência das práticas violentas nas relações amorosas, o que sustenta as preocupações dos vários segmentos (sociais, educação, saúde, jurídico), em função da gravidade dos casos, ao longo do tempo, trazendo múltiplas consequências a curto, médio e longo prazo. Destaca-se que, em geral, relações de namoro abusivas resultam em relações conjugais na mesma ordem de agravos, sobretudo, quando se trata de população trans/travestis cruzando com marcadores de raça e classe, existe ausência total de informação. O estudo busca responder o seguinte questionamento: Qual a compreensão da(o)s jovens trans/travestis sobre a violência no namoro, e como ela(e)s se comportam sabendo que ocorre essa violência com pessoas próximas?. Objetivo: Analisar a percepção que a(o)s adolescentes e jovens trans/travestis têm em relação a violência nas relações afetivos sexuais/namoro com recorte de gênero. Metodologia: O tipo de estudo foi descritivo, exploratório e interpretativo, com abordagem qualitativa com 30 aluna(o)s do Centro Estadual de Educação Profissional José Pacífico de Moura Neto, em Teresina, PI, com faixa etária compreendida entre 14 e 24 anos de idade, no período de setembro a dezembro de 2019. Os dados foram coletados por meio das técnicas de grupo focal e entrevistas semiestruturadas abordando questões relacionadas a violência de gênero. Resultados esperados: Espera-se, com os dados obtidos, caracterizar o perfil sociodemográfico dos adolescentes e jovens pesquisados, identificando o nível de conhecimento sobre temas relacionadas as sexualidades e gênero com destaque para a violência nas relações afetivo sexuais, em Teresina–PI. Ainda, visa-se identificar vulnerabilidades e potencialidades quanto aos aspectos relacionados ao papel da escola na desconstrução das relações de violência de gênero.
Estabelecimento de um modelo de Hamster Sírio (Mesocricetus auratus) para a infecção experimental por cepas brasileiras e vacinal do vírus da Febre Amarela
Bolsista: Mariana Barata Viana Tiradentes
Orientador(a): PEDRO PAULO DE ABREU MANSO
Coorientador(a): FERNANDA DE OLIVEIRA BOTTINO RIBEIRO
Resumo: A Febre Amarela (FA) é uma doença infecciosa associada a um flavivirus que leva à morte milhares de pessoas anualmente. O melhor modelo animal para o estudo da FA são os primatas não humanos, cuja experimentação envolve um alto custo e complexos trâmites regulatórios. Até então, não existe um modelo cricetídeo descrito para cepas brasileiras ou vacinal do vírus da FA, além de não dispormos localmente das cepas até então adaptadas. Neste projeto, pretendemos avaliar o uso do hamster sírio (Mesocricetus auratus) como modelo experimental para infecção por cepas brasileiras e vacinal do vírus da FA. Para tal, os animais serão infectados com as cepas ES-504/BRA/2017 e RJ155, oriundas, respectivamente, dos surtos de FA no Espírito Santo em 2017 e no Rio de Janeiro em 2019, e com a cepa vacinal 17DD. A fim de avaliar a susceptibilidade deste modelo à infecção experimental, durante sete dias após a infecção será realizada a avaliação clínica dos animais; a análise histopatológica e a investigação do RNA viral pela reação em cadeia pela polimerase (PCR) convencional em diferentes tecidos. O aprofundamento de um modelo experimental em Mesocricetus auratus utilizando cepas brasileiras e vacinal contribuirá para o desenvolvimento de drogas e novas vacinas contra febre amarela.
Associação de microRNAs séricos com parâmetros clínicos e desfechos na COVID-19
Bolsista: Beatriz Chan Rio
Orientador(a): LUCIANE ALMEIDA AMADO LEON
Coorientador(a): Arthur Daniel Rocha Alves
Resumo: Considerando o cenário atual do COVID-19, com surgimento de variantes preocupantes (VOCs) de SARS-CoV-2, que alertam para novas ondas de transmissão e potencial aumento da patogenicidade, destacamos a importancia de continuar pesquisando as características basais e os desfechos desta doença para viabilizar o desenvolvimento de tratamentos e vacinas eficazes. Portanto, estudar perfis de expressão gênica pode ser uma alternativa para a melhor compreensão dos processos biológicos envolvidos na COVID-19, buscando entender as possíveis diferenças entre pacientes que resolvem a infecção de forma rápida e eficaz, e aqueles que desenvolvem quadros clínicos mais graves e, eventualmente, evoluem a óbito. MicroRNAs (miRNAs) são moléculas de RNA fita simples que não codificam proteínas, que estão relacionadas à regulação gênica a nível pós-transcricional, provocando a degradação do RNA mensageiro (mRNA) ou inibindo a tradução de proteínas. A alta estabilidade dessas moléculas em diversos tecidos, incluindo plasma e soro, facilita sua eficiente utilização como biomarcadores não invasivos para uma variedade de doenças. Desta forma, os miRNAs podem ser potenciais biomarcadores pra COVID-19, visto que há a possibilidade de monitorar a progressão clínica da COVID-19, auxiliando na estratégia de manejo e prognóstico de cada indivíduo. O Objetivo principal deste estudo é avaliar a associação de miRNAs séricos com parâmetros clínicos e desfechos na COVID-19, a fim de identificar seu potencial como biomarcadores não invasivos de gravidade e mortalidade na COVID-19. Para isso, serão incluídos no estudo indivíduos internados no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ (HUCFF) com infecção por SARS-CoV-2 confirmada laboratorialmente, que foram classificados em não grave (n=67) e grave (n=39), para comparações de dados clínicos, sociodemográficos e laboratoriais. Indivíduos sem COVID-19 doadores de sangue, provenientes do HEMORIO serão incluídos no estudo como grupo-controle. Todos os pacientes foram acompanhados durante o período de internação até o desfecho (alta ou óbito) e os dados sociodemográficos, de evolução clínica e laboratorial foram obtidos por meio de consulta aos prontuários. Será realizada a padronização das técnicas de detecção de miRNA em soro, utilizando os controles exógenos (cel-mir-39 e mir-54-5p) e o controle endógeno (U6) para validar a padronização. Inicialmente o RNA total será extraído com o kit mirVana PARIS RNA, porém serão avaliados diferentes volumes de eluição final. Posteriormente, a quantificação e avaliação da qualidade do RNA extraído será feita por espectrofotômetro. Em seguida, será realizada a síntese de cDNA utilizando-se o kit Taqman miRNA Reverse Transcription (Applied Biosystem) e miRNA-specific (steam loop RT primers) para os controles (cel-mir-39, mir-54-5p e U6). Para avaliação da expressão de miRNAs dos controles exogeno e endógeno, as reações de RT-qPCR serão realizadas em duplicata utilizando Taqman Universal PCR Master Mix e primers especificos. A partir dos resultados da padronização, será realizada a validação da expressão gênica por RT-qPCR, de miRNAs pre-selecionados com perfil de expressão significativamente diferente entre pools de amostras constituídos por COVID-19 grave e não grave. Os alvos de miRNAs que tiverem sua expressão gênica validada, serão avaliados posteriormente em todos os indivíduos do estudo classificados com COVID-19 grave, COVID-19 não grave, e negativos para SARS-CoV-2, a fim de investigar seus potenciais como biomarcadores. Para a expressão gênica de alvos individuais de miRNAs será utilizado o sistema TaqMan de RT-qPCR, no equipamento Quantstudio 3, na Plataforma de PCR em Tempo Real da Fiocruz, com o método do Ct comparativo (ddCt). Com esse estudo pretende-se identificar biomarcadores de miRNA associados à diferentes manifestações clínicas e desfechos, que podem ser futuramente aplicados em testes prognósticos e investigados como potenciais alvos terapêuticos.
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