Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
IMPACTO DA COVID-19 NA EVOLUÇÃO CLÍNICA E NA MORTALIDADE DA TUBERCULOSE
Bolsista: GIOVANNA VIANA DO SACRAMENTO
Orientador(a): Michelle Christiane da Silva Rabello
Coorientador(a): Não informado
Resumo: A COVID-19, causada pelo vírus da síndrome respiratória aguda grave coronavírus-2 (SARS-CoV-2), é responsável pela morte de milhares de pessoas. A pandemia da COVID-19 causou um significativo impacto na economia e na saúde pública de toda a sociedade. Consequentemente, outras doenças infecciosas, como a tuberculose (TB), estão sendo mais negligenciadas. Assim como a TB, a COVID-19 é transmitida por via respiratória e afeta os pulmões. Fatores de risco como idade avançada e comorbidades como diabetes, hipertensão, doenças respiratórias crônicas, entre outras, também estão associados a complicações em ambas as infecções. A interação entre essas morbidades é pouco citada na literatura. Porém, estudos recentes mostram que a coinfeção TB/COVID-19 apresenta um risco de 2,10 vezes maior do indivíduo evoluir com manifestações clínicas graves. O paciente acometido com doença respiratória prévia encontra-se com a função pulmonar prejudicada, isso resulta em uma resposta imune deficiente propiciando a síndrome respiratória aguda, ratificando essa relação. Devido à imunidade deprimida e o dano pulmonar, os pacientes com TB que adoecem com COVID-19 podem ter desfechos desfavoráveis, elevando o risco de morbidade, hospitalização e mortalidade desses pacientes. Existem poucas informações na literatura a respeito do impacto da COVID na evolução clínica e na mortalidade dos pacientes com tuberculose, especialmente nos pacientes com TB drogaresistente (TBDR) e pacientes de TB coinfectados com o virus da imunodeficeincia humana (HIV). Pesquisas científicas nacionais sobre a interação clínica entre essas infecções são necessárias no nosso país para podermos conhecer o padrão clínico, manejo clínico e prognóstico dessas infecções na nossa população. O Brasil continua entre os 30 países com alta carga de TB e de coinfecção com HIV. O Estado de Pernambuco se destaca por apresentar uma das maiores taxas de incidência e de mortalidade por TB no país. Após o período pandêmico, os indicadores epidemiológicos da TB no Brasil se agravaram tanto em relação à taxa de incidência da doença como a taxa de mortalidade. Neste estudo pretendemos conhecer o padrão clinico-epidemiológico dos casos de TB/COVID na população pernambucana e avaliar o impacto da COVID-19 no agravamento clínico e na mortalidade desses pacientes. Para isso, a partir dos bancos de dados secundários de notificações da TB, COVID-19 e do sistema de informação sobre mortalidade (SIM) iremos analisar os seguintes objetivos: 1) A série histórica dos casos de Tuberculose no município de Recife e Tuberculose drogaresistente em Pernambuco entre os períodos de 2017 a 2022; 2) Comparar o perfil sócio-demográfico e clínico-epidemiológico dos casos de tuberculose antes e após a pandemia do COVID no município de Recife; 3) Descrever o perfil sócio-demográfico e clínico-epidemiológico dos pacientes com tuberculose (TB, TBDR e TB/HIV) coinfectados com a COVID-19; 4) Avaliar o desfecho do tratamento dos casos de tuberculose e tuberculose/COVID; 5) Avaliar a causa do óbito dos casos de tuberculose do município de Recife entre os períodos de 2017 a 2022; 6)Identificar fatores de risco associados à ocorrência da evolução clínica e da mortalidade entre os casos de TB/COVID-19. Os bancos de dados do SINAN, SITETB, eSUS, NotificaPE e SIM obtidos entre os períodos de 2017 a 2022 serão disponibilizados pela vigilância epidemiológica em saúde do município de Recife. Dos quais, serão coletados as variáveis sócio-demográficas (sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, e população privada de liberdade), clínica (forma da tuberculose, forma clinica da COVID-19) e epidemiológicas (parâmetros laboratoriais - teste para diagnóstico da TB, COVID-19, HIV, teste de sensibilidade às drogas anti-TB e radiológicas; fase do tratamento para TB no momento da coinfecção; desfecho do caso/situação de encerramento do caso - cura, abandono, óbito, internações; comorbidades e sintomas respiratórios. Estas variáveis serão transcritas para um banco de dados em Excel e analisadas para avaliar o impacto da COVID-19 no agravamento clínico e na mortalidade da tuberculose antes e após a pandemia.
A genotipagem do HPV seria útil na avaliação prognósticas de pacientes com Neoplasia intaepitelial cervical grau 2 (NIC2)?
Bolsista: JOAO VICTOR DIAS RAMOS
Orientador(a): CECILIA VIANNA DE ANDRADE
Coorientador(a): Não informado
Resumo: O rastreio do câncer do colo uterino de forma sistemática e organizada leva a uma queda na incidência do câncer cervical. Mesmo com a Introdução da vacinação contra o HPV, que é efetiva e leva a uma alta proteção ao câncer cervical, o rastreio continua sendo uma importante ferramenta para reduzir as taxas de câncer cervical em pacientes não imunizadas ou com cânceres relacionados aos Tipos de HPV não contemplados pela vacina. Com a evolução do rastreio e a melhor compreensão do processo de oncogênese do carcinoma escamoso do colo uterino, o NIC2, que até pouco tempo atrás era considerado um ponto de corte inequívoco para tratamento cirúrgico, atualmente é considerado uma lesão com alto percentual de regressão. Em 2018 foi publicada uma metanálise onde o percentual de regressão da NIC2 foi estimado em 50%, persistência em 32% dos casos e 18% para progressão, levando ao conhecimento atual que a maioria das lesões de NIC2 regridem espontaneamente, especialmente em pacientes jovens. Ainda não há critérios claros moleculares ou morfológicos que sejam preditivos de evolução das NIC2, apesar das recomendações da LAST 2012 sugerir a utilização do p16 para decisão de tratar ou acompanhar as pacientes, em estudos prévios do nosso grupo não é um exame acurado. A infecção persistente por HPV de alto risco é um dos principais fatores de risco para o carcinoma escamosos do colo uterino. Visando avaliar se o tipo de HPV encontrado pode ser preditivo de evolução ou regressão espontânea de NIC, foi proposto um estudo de coorte com pacientes de NIC2 para identificar biomarcadores úteis para diferenciar o NIC2 com maior potencial regressor dos casos com maior potencial de progressão/persistência. Os casos de NIC2 foram incluídos de duas formas uma prospectiva ainda recrutando e seguindo as pacientes e uma retrospectiva com localização dos casos de NIC2 no arquivo da Coordenação diagnóstica de patologia. O diagnóstico de NIC 2 na biopsia foi definido pela concordância de pelo menos dois patologistas que avaliaram as amostras de forma independente, os casos de discordância formam definidos por diagnóstico de consenso entre três patologista avaliando o caso em conjunto. O desfecho clínico foi definido, nos casos tratados, pela análise do procedimento excisional. Os casos não tratados tiveram o desfecho definido pelo resultado das citologia, colposcopia de seguimento e/ou nova biópsia realizada por indicação do ginecologista, casos os achado de colposcopia e citologia não fossem concordantes foi considerado o achado mais grave, exceto nos casos em que foi realizado nova biópsia em que o resultado desta foi utilizada para definir o desfecho. Foi considerado como não regressão a persistência de NIC 2 ou mais no espécime histológico resultante de procedimento excisional ou de biópsia realizada por suspeita de progressão. A regressão completa foi definida pela ausência total de doença no espécime histológico de procedimento excisional ou em duas citologias e colposcopias negativas e com junção escamocolunar (JEC) completamente visível em intervalos semestrais. Casos que apresentaram lesão de baixo grau (NIC 1) foram considerados como regressão parcial. Foram incluídos 116 casos de NIC2, a media de idade foi de 33,95± 10,58. O desfecho clínico de um ano foi definido 43,9% por seguimento e 53,5% por peça de tratamento excisional. A regressão ocorreu em 49,1% dos casos (parcial-26,72% e completa-22,4%) a persistência foi observada em 33,62% e a progressão foi identificada em 13,8% dos casos. Houve perda de seguimento de 2,59% (3 casos) O DNA está sendo extraído do bloco de parafina para realização de genotipagem do HPV por amplificação por PCR e avaliação dos casos positivos por sequenciamento. 77 casos já tiveram o DNA extraído, destes 42 já foram amplificados e 13 casos foram enviados para plataforma de sequenciamento. Esta etapa do projeto ainda encontra-se em andamento. ?
Avaliação do Desempenho do Método Sorológico Chagas-Flow ATE por Citometria de Fluxo para a Monitoração Pós-tratamento da Doença de Chagas
Bolsista: Carolina Malheiros Araujo Silvestrini
Orientador(a): GLAUCIA DINIZ ALESSIO
Coorientador(a): OLINDO ASSIS MARTINS FILHO
Resumo: 1. JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO PROJETO Durante o Segundo Consenso Taxonômico do T. cruzi, o parasito foi classificado em seis grupos genéticos distintos, “Discrete Typing Unitys” (DTUs), de TcI a TcVI (Zingales et al., 2009). Diversos trabalhos vêm associando a genética do T. cruzi com as características biológicas do parasito, com as manifestações clínicas da doença de Chagas e com a eficácia terapêutica do tratamento na infecção pelo T. cruzi (Toledo et al., 2003; Valadares et al., 2007; Zingales et al., 2012). Diante desse contexto, torna-se cada vez mais importante associar a diversidade genética do parasito com as técnicas utilizadas para o diagnóstico da doença de Chagas. Os métodos moleculares são os mais utilizados no diagnóstico genótipo-específico da DCh, no entanto apresentam limitações, tais como: necessidade de um conjunto de marcadores genéticos, principalmente para a identificação de infecções mistas, necessidade do isolamento prévio do parasito por métodos de baixa sensibilidade e possível seleção clonal do parasito (D´Ávilla et al., 2009; Zingales et al., 2012). Já os métodos sorológicos empregados no diagnóstico genótipo-específico da DCh não foram capazes de reconhecer todas as DTUs do T. cruzi presentes nos hospedeiros (Bhattacharyya et al., 2014). Nesse contexto, foi desenvolvida a técnica sorológica por citometria de fluxo para a pesquisa de IgG1 anti-amastigota (A), tripomastigota (T) e epimastigota (E) do T. cruzi, denominada Chagas-Flow ATE (Alessio et al., 2014, Patente BR 102014003374-2). Inicialmente, a Chagas-Flow ATE foi desenvolvida para o diagnóstico genótipo-específico da infecção experimental pelo T. cruzi, apresentando um bom desempenho para discriminar as diferentes DTUs do parasito que infectavam os camundongos. (Alessio et al., 2017, 2018). Recentemente, utilizando amostras de soros de humanos, foi demonstrado que a Chagas-Flow ATE apresentou uma excelente acurácia (100%) no diagnóstico universal e genótipo-específico da DCh para discriminar as infecções pelas DTUs “TcI x TcVI x TcII” (92%) e “TcI x TcII” (97%) (Alessio et al., 2020). Tendo em vista que hospedeiros infectados por diferentes DTUs do T. cruzi apresentam uma susceptibilidade distinta ao tratamento etiológico da DCh, a validação e completo desenvolvimento da Chagas-Flow ATE será de extrema importância em estudos futuros de monitoração pós-terapêutica em pacientes portadores da doença de Chagas. 3. OBJETIVO GERAL Avaliar o desempenho da técnica Chagas-Flow ATE na monitoração pós-tratamento da doença de Chagas. 3.1. Objetivos específicos 1- Avaliar a reatividade de amostras de soros de pacientes infectados com diferentes DTUs do T. cruzi antes e 10 anos após o tratamento, por meio da técnica Chagas-Flow ATE. 2- Avaliar o desempenho dessa nova metodologia por meio de análises estatísticas. 4. METODOLOGIA O procedimento experimental da Chagas-Flow ATE será realizado como descrito previamente por Alessio et al. (2020). Esse projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do Instituto René Rachou/Fiocruz MG (C.A.A.E: 26890014.6.0000.5091, número do protocolo #3.055.734). A metodologia será realizada nas seguintes etapas: 1) Seleção dos soros que serão testados na Chagas-Flow ATE. Serão utilizadas 60 amostras de soros, sendo 30 de pacientes infectados com TcI e 30 com TcII, antes do tratamento e 10 anos após o tratamento, de ambos os sexos, com idade acima de 18 anos. Serão testadas 20 amostras de soros de indivíduos não infectados pelo T. cruzi. As amostras de soros já foram coletadas e se encontram armazenadas à -80°C. 2) Cultivo e preparação das formas amastigotas (AMA) + tripomastigotas (TRIPO) em cultura de células L929, e de epimastigotas (EPI) do T. cruzi em meio acelular “Liver Infusion Tryptose” (LIT). A suspensão de EPI será fixada com solução fixadora para citometria de fluxo (MFF). Serão cultivados as três formas evolutivas do parasito das DTUs TcI (cepa Colombiana) e TcII (cepa Y) para serem utilizadas como antígeno na Chagas-Flow ATE. As formas tripomastigotas e amastigotas não serão cultivadas pela bolsista. 3) Realização da sorologia Chagas-Flow ATE e leitura na citômetro de fluxo FACScalibur. As formas amastigotas e tripomastigotas vivas e epimastigotas fixadas dos diferentes genótipos serão marcadas com isotiocianato de fluoresceína (FITC). Após a marcação essas formas evolutivas serão misturas em proporções equivalentes. Em placas de 96 poços de fundo em U, os soros diluídos (1:1000 a 1:32.000) serão incubados com os antígenos AMA/TRIPO/EPI a 37°C por 30 min. Posteriormente, será realizada a incubação com o anticorpo humano anti-IgG1 biotinilado junto com a estreptoavidina conjugada com a ficoeritrina a 37°C por 30 min. No final do experimento, os parasitos serão fixados com de MFF e será realizada a leitura no citômetro de fluxo FACScalibur. O bolsista irá acompanhar os experimentos e auxiliar nas etapas que não envolvam a manipulação das formas tripomastigotas e amastigotas vivas do T. cruzi. 4) Realização das análises no “FlowJo” e de análises estatísticas no “Graph Pad Prism”.
Estudo da interação do protozoário Trypanosoma cruzi com o retículo endoplasmático de cardiobioblastos: uma abordagem farmacológica e ultraestrutural
Bolsista: GLEICYANE SILVA GOMES
Orientador(a): Regina Celia Bressan Queiroz de Figueiredo
Coorientador(a): LUCAS EDUARDO BEZERRA DE LIMA
Resumo: JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA: A doença de Chagas (DC), causada pelo protozoário Trypanossoma cruzi, é uma doença que causa distúrbios cardíacos e digestivos severos em humanos, os quais muitas vezes levam ao óbito. A cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), é a mais frequente e severa das formas da DC, e uma das principais causas de morbidade e mortalidade devido a complicações cardiovasculares e falência do órgão. A CCC é resultado de uma baixa, mas persistente miocardite focal associada a um processo inflamatório crônico e um desequilíbrio na relação T. cruzi-célula hospedeira. O sucesso da infecção dos cardiomiócitos pelo T. cruzi depende, entre outros fatores, da forma como o parasita reconhece e explora organelas e vias metabólicas dos hospedeiros para estabelecer um ambiente favorável à sua sobrevivência e disseminação no organismo. Dentre as organelas mais exploradas por patógenos, o Retículo endoplasmático (RE) assume um papel de destaque pelo seu papel na síntese, dobramento, modificação e transporte de proteínas. Um desequilíbrio na sua fisiologia pode levar ao acúmulo de proteínas mal dobradas referido com estresse do RE (ERE). Na tentativa de restabelecer a sua função e diminuir o estresse, o RE lança mão da UPR (unfolded protein response), uma resposta adaptativa essencial para restabelecer a funcionalidade da organela. No entanto, o ERE persistente pode ativar processos inflamatórios e a morte da célula hospedeira. Dentro da premissa que a associação de T. cruzi com organelas intracelulares pode determinar o sucesso ou não da infecção, bem como o destino das células hospedeira, estratégias que inibam estas interações, podem ser um caminho terapêutico para tratamento da CCC. Sabe-se que cardiomioblastos infectados por T. cruzi, sofrem ERE e ativam a UPR nestas células. No entanto, as consequências destas interações ainda não foram totalmente elucidadas. O ácido tauroursodesoxicólico (TUDCA) é um potente inibidor do ERE, prevenindo as consequências prejudiciais da UPR quando este se torna persistente. Apesar do seu potencial citoprotetor em vários modelos, nos quais o dano e morte celular resulta de um ERE persistente, o efeito deste inibidor sobre a infecção de células cardíacas por T. cruzi ainda não foi investigado. OBJETIVOS: No presente trabalho, visamos identificar moléculas que possam inibir vias ou organelas que favorecem a sobrevivência de T. cruzi em cardiomioblastos, bem como investigar a interação deste parasito com o RE, durante o curso da infecção. METODOLOGIA: Para avaliar o efeito do inibidor de estresse do RE sobre as células infectadas com T. cruzi, cardiomioblastos serão infectadas com formas tripomastigotas e incubadas na presença ou ausência de diferentes concentrações do TUDCA. As células serão então fixadas e coradas com Giemsa, para determinação da porcentagem de células infectadas e a intensidade de infecção, através da microscopia óptica. Cardiomioblastos infectados e não tratados serão usados como controle. O tratamento prévio com TUDCA será feito para avaliar o seu efeito citoprotetor sobre os cardiomioblastos. Usaremos sondas fluorescentes específicas para RE, mitocôndria e gotas lipídicas para visualizarmos a interação de T. cruzi com estas organelas durante o tratamento com o TUDCA. Para identificação efeitos dos diferentes tratamentos sobre a ultraestrutura das células as amostras serão processadas para microscopia eletrônica de transmissão e varredura. PERSPECTIVAS: Tendo em vista os danos causados pela infecção do T. cruzi, esperamos aumentar nossos conhecimentos sobre a interação parasito-célula hospedeira, com ênfase no RE. Os resultados deste estudo poderão dar suporte científico para o desenvolvimento de novas drogas que inibam o ERE persistente induzido pelo T. cruzi contribuindo para uma maior sobrevida dos cardiomioblastos, e favorecendo uma resposta efetiva contra o T. cruzi.
Elaboração de Material Didático para a Educação Interativa no Desenvolvimento de Medicamentos no Curso de Especialização em Tecnologias Industriais Farmacêuticas de Farmanguinhos/Fiocruz
Bolsista: Maria Luiza Lemos Rodrigues Bove
Orientador(a): LIVIA DERIS PRADO
Coorientador(a): Michelle Alvares Sarcinelli
Resumo: O Sistema Único de Saúde, o SUS, foi criado em 1988. Além da assistência e atenção básica, também compõe o SUS, o Complexo Econômico Industrial da Saúde (CEIS) que corresponde ao sistema produtivo em saúde como é o exemplo dos Laboratórios Públicos Oficiais. Farmanguinhos é um dos principais Laboratórios Oficiais de notória importância para abastecimento de medicamentos para o SUS. Além da produção de medicamentos, Farmanguinhos tem o compromisso de atuar na educação para o SUS, fortalecendo e ampliando a ação da Fiocruz enquanto Escola de Governo. Nesse contexto, Farmanguinhos oferece o curso de pós-graduação Lato sensu em Tecnologias Industriais Farmacêuticas (TIF) com o objetivo de formar profissionais, que possam identificar soluções, estratégias e melhores práticas para aumentar a eficiência e o sucesso dos programas de desenvolvimento, apoiando o SUS, para garantir a qualidade de medicamentos disponibilizados para a população. O curso TIF vem passando por um processo de transformação, estimulado também pelas adaptações necessárias ao ensino remoto devido à pandemia da covid-19. Observou-se a necessidade de alterar a estrutura curricular, para ampliar a percepção do universo que envolve a inovação e o desenvolvimento tecnológico de medicamentos, e a proposta pedagógica como um todo. Assim, as ações do curso foram planejadas e implementadas, como o uso de portfólio digital como instrumento reflexivo. Com isso, a Unidade de Projetos Integradores foi pensada para que fosse criado um ambiente de interação com os alunos e para que fosse superado o caráter fragmentado do ensino nessa área. Assim, este projeto tem como objetivo elaborar e organizar materiais didáticos, considerando a heterogeneidade dos assuntos abordados ao longo do curso, para oportunizar aos alunos maior acessibilidade, aprofundamento, interatividade e reflexões sobre situações-problema no desenvolvimento de medicamentos, a partir da construção do portfólio digital.
ESTUDO DA ATIVIDADE CITOTÓXICA DE UM INIBIDOR DE GLI-1 EM MODELO 3D DE CARCINOMA ORAL DE CÉLULAS ESCAMOSAS
Bolsista: Iasmin Nogueira Bastos
Orientador(a): Clarissa Araújo Gurgel Rocha
Coorientador(a): Taís Bacelar Sacramento de Araújo
Resumo: Apesar dos avanços nos estudos sobre o Carcinoma oral de Células Escamosas (COCE), as opções de tratamento limitadas resultam em altas taxas de morbidade e piora na qualidade de vida dos pacientes. Considerando-se os desafios relacionados ao desfecho clínico e sobrevida para os pacientes com COCE e, alinhado ao conhecimento de que a reativação de vias de sinalização embrionárias é importante para a iniciação tumoral e para a manutenção da população de células tronco, com reflexos na resistência a fármacos, a nossa equipe dedica-se ao estudo da via Hedgehog (HH) em carcinoma oral de células escamosas, desde 2010. O GANT 61 é um inibidor promissor que atua de forma downstream na via HH, inibindo a transcrição mediada por GLI-1 e GLI-2. Desta forma, o objetivo do projeto é avaliar os efeitos do GANT61 na viabilidade, proliferação e morte celular em modelo 3D de carcinoma oral de células escamosas. A linhagem tumoral metastática de carcinoma escamocelular oral de língua HSC3 (JCRB Cell Bank, JCRB0623) está sendo utilizada neste estudo. Os nossos resultados preliminares validaram os esferóides como um bom modelo de estudo e os valores da EC50 (concentração efetiva do fármaco) do GANT61 são promissores. Desta forma, nas próximas etapas avaliaremos o efeito deste composto na morte celular por apoptose e invasão. Os esferóides serão plaqueados em placas de 96 poços, opacas e repelentes e tratados com o GANT61, o controle positivo (cisplatina) e negativo (DMSO), por 24 e 48h. Em seguida, serão incubados com o kit Caspase-Glo 3/7 3D (Promega). Serão realizados três experimentos independentes em triplicata e o teste ANOVA seguido pelo teste de Student Newman-Keuls serão aplicados para avaliação dos grupos do ensaio. Os efeitos deste composto na morfologia dos esferóides também serão avaliados através de análises das imagens obtidas a partir de microscopia de campo claro (EVOS XL). O diâmetro será medido através do programa Image J, durante os intervalos de 3h, 6h, 12h, 24h, 48h e 72h. A avaliação será realizada em triplicata, juntamente com os grupos de controle negativo (DMSO) e positivo (cisplatina), em três ensaios independentes. Ainda, o efeito do GANT61 na invasão celular será avaliado em câmaras Transwell de 24 poços, após 24h de tratamento. Para ensaios de invasão, 3 esferóides serão incubados por poço na membrana basal reconstituída com, ou sem tratamento, por 24h. O número de células será quantificado em um Coulter Counter ZII. Todas as quantificações serão realizadas em triplicata. A análise estatística será feita pelo teste t de Student, e o nível de significância será estabelecido em P <0,05.
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