Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Desenvolvimento de vacina bloqueadora de transmissão como método alternativo para o controle da leishmaniose visceral
Bolsista: MAGGIE MARIA ROCHA DEUS
Orientador(a): YARA MARIA TRAUB CSEKO
Coorientador(a): ANTONIO JORGE TEMPONE
Resumo: As leishmanioses acometm mais de 1,5 milhão de pessoas anualmente. A Leishmaniose Visceral (LV) é a forma mais agressiva, e, se não tratada, pode levar a óbito em mais de 95% dos casos. No combate às doenças veiculadas por insetos, uma das principais abordagens é o controle dos vetores, realizado principalmente com o uso de inseticidas, método este dispendioso e ineficaz. As vacinas bloqueadoras de Transmissão (VBTs) são uma abordagem alternativa visando o controle de patógenos transmitido por Artrópodes. VBTs visam interferir no desenvolvimento de patógenos dentro do vetor, interrompendo sua transmissão para hospedeiros vertebrados. VBTs tem obtido sucesso no combate à malária e tem sido proposta em estudos contra leishmanioses. A identificação de alvos para o desenvolvimento de VBTs é o primeiro passo do processo, e depende de um bom conhecimento das interações moleculares entre parasita e vetor. O processo de interação entre Leishmania e seu vetor vem sendo estudado pelo Laboratório de Biologia Molecular de Parasitas e Vetores. Nosso grupo identificou genes de Leishmania com expressão modulada dentro do inseto que podem estar envolvidos no sucesso da infecção do parasito no vetor. Dentro deste repertório, há genes relacionados à diferenciação e proliferação do parasita. Além disso, recebemos de colaboradores, cepas de Leishmania mutantes para outros genes de interesse, principalmente relacionados à aquisição e metabolismo do ferro, como o transportador de ferro LIT1, e já temos resultados animadores usando esse alvo. Objetivos gerais e específicos O objetivo deste projeto é utilizar moléculas presentes em L. i chagasi como alvo para o desenvolvimento de VBTs contra LV. Dentre estas, foram incluídas proteínas relacionadas à aquisição e metabolismo do ferro, como o transportador de ferro LIT1 e uma ferro redutase (LFR1) de Leishmania (Flannery et al., 2011), bem como proteínas que atuam no metabolismo de grupamento heme (LHR1) e íons ferro (LIR1). Objetivos: 1. Imunizantes (peptídeos sintéticos) serão inoculados em animais (camundongos e hamsters) para a produção de anticorpos e posteriormente será coletado sangue para teste de imunogenicidade. 2. Anticorpos serão purificados a partir do soro coletado e utilizados em infecções artificias de L. longipalpis por L. i chagasi e será avaliada a carga parasitária no inseto. Soro pré-imune será utilizado como controle. Metodologia Síntese de peptídeos sintéticos Peptídeos sintéticos estão sendo adquiridos. Já possuímos peptídeos sintéticos para quatro alvos. Estamos também trabalhando na identificação e validação de outros alvos. Inoculação dos imunizantes em animais para a produção do antissoro Anticorpos policlonais serão obtidos a partir da inoculação dos peptídeos sintéticos em camundongos e hamsters em 3 doses, emulsionados em adjuvante recomendado. Sangue dos animais será coletado e a presença dos anticorpos será investigada no soro, por ELISA. Esta metodologia será executada em colaboração com o pesquisador Eduardo Fonseca Pinto (Laboratório Interdisciplinar de Pesquisas Médicas, Instituto Oswaldo Cruz), com grande experiência em vacinação contra leishmaniose em modelo murino e hamster. Infecções artificias de L. longipalpis por L. i. chagasi e avaliação da infecção Serão utilizados insetos provenientes de nossa colônia de L. longipalpis, originalmente coletadas em Jacobina (Bahia, Brasil), mantidos a 26°C. L. i. chagasi são mantidas rotineiramente em nosso laboratório em meio 199 (pH7.0) suplementado com soro fetal bovino, a 26°C. Anticorpos de interesse purificados e hemácias serão reincorporadas ao soro previamente inativado por calor para inativação do sistema complemento. A este sangue reconstituído serão acrescidos 107 parasitos/ml, para a alimentação artificial de fêmeas de L. longipalpis. O controle experimental será realizado com soro pré-imune. Nos horários pós-infecção de 1h, 24h, 48h, 72h, 96h, 144h e/ou 168h, um pool de 10 insetos será coletado e armazenado em Trizol (Invitrogen) para posterior extração de RNA e síntese de cDNA, a partir do Kit SuperScript III First-Strand Synthesis Kit (Invitrogen). A carga parasitária será investigada pela quantificação do gene actina de Leishmania, normalizado pelo gene constitutivo GAPDH de L. longipalpis. A análise dos dados será pelo método comparativo ??Ct. Os experimentos serão feitos em triplicatas biológicas.
Detecção e genotipagem molecular do Trypanosoma cruzi (Chagas, 1909) em hospedeiros vertebrados e invertebrados do município de Irecê, Bahia.
Bolsista: Cecília Santana Rodrigues
Orientador(a): GILMAR JOSE DA SILVA RIBEIRO JUNIOR
Coorientador(a): Mitermayer Galvão dos Reis
Resumo: A doença de Chagas é uma doença infecto-parasitária cujo agente etiológico é o Trypanosoma cruzi, que parasita insetos hematófagos conhecidos popularmente como barbeiros. A transmissão da doença ocorre, principalmente, através da via vetorial e a progressão clínica da doença pode promover distúrbios cardíacos e gastrointestinais com mortalidade e morbidade substanciais em 30-40% dos indivíduos cronicamente infectados. Dessa forma, a doença de Chagas se constitui como um grave problema de saúde pública, haja visto o número elevado de indivíduos encontrados na forma crônica da doença e os casos recentes de transmissão congênita e oral. Não obstante, a transmissão vetorial extradomiciliar ou por visitação de vetores silvestres aos domicílios tem sido o mecanismo principal de transmissão de T. cruzi às populações humanas, o que impacta no desenvolvimento de estratégias para controle de vetores. Além disso, a existência de cepas resistentes aos fármacos atualmente utilizados e o pouco conhecimento acerca dos mecanismos de escape do parasito dificultam a ação do sistema imunológico e dos fármacos. Segundo um estudo realizado entre 1980 e 2012, a estimativa da prevalência da doença de Chagas no Brasil representa atualmente a estimativa de 1,0 a 2,4 % da população. A Bahia apresenta a quarta maior taxa de mortalidade por doença de Chagas e o Território de Identidade de Irecê (BA) é classificado como área de alto risco para a doença. Contudo, o inquérito sorológico no Território de Identidade de Irecê não foi realizado, o que dificultou as ações de controle da doença. Assim, este subprojeto propõe a genotipagem molecular do T. cruzi em hospedeiros vertebrados e invertebrados do município de Irecê (BA), a fim de determinar a prevalência de infecção por T. cruzi em amostras de triatomíneos registrados no munícipio baiano nos últimos anos, no intuito de fornecer informações úteis para o tratamento e prevenção da doença.
Validação de um método para determinação do anti-corpo anti-HEV IgG de porcos
Bolsista: GABRIELA DE SOUZA BENICIO DOS SANTOS
Orientador(a): Luciano Kalabric Silva
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Nos últimos 20 anos, a hepatite E têm sido considerada uma doença importante nos países sub-desenvolvidos, porém ainda é negligenciada no Brasil. A transmissão do vírus da hepatite E (HEV) pode ocorrer esporadicamente ou sob a forma de surtos entre pessoas e pelo consumo de água e alimentos contaminados, notadamente pelo consumo de carne suína e de caça. O objetivo desse estudo é validar de um método para determinação do anti-corpo anti-HEV IgG de porcos. O estudo será realizado em porcos de rebanhos de criadores de subsistência familiar residentes na região metropolitana de Salvador e cadastrados na Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB). Amostras de sangue dos animais serão coletadas e analisadas por método sorológico (ELISA) e por biologia molecular para detecção do HEV-RNA. Um ELISA comercial (Wantai) será modificado para permitir a detecção do anti-corpo anti-HEV IgG de porcos utilizando anticorpos anti-Porcine IgG Antibody HRP conjugated (CUSABIO). Na perspectiva de uma Saúde Única, este estudo pode contribuir sobre o conhecimento da saúde animal, no caso, o suíno, que é reservatório do HEV. Os resultados da vigilância agropecuária dos suínos serão relatados à ADAB que se encarregará de comunicar aos proprietários e propor medidas sanitárias paliativas.
O Exílio dos Cientistas: a conversa epistolar entre Haity Moussatché, Herman Lent e José Leite Lopes (1969-1979).
Bolsista: GUILHERME DA SILVA DE OLIVEIRA
Orientador(a): Gilberto Hochman
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Os temas da imigração, do desterro, dos refugiados e do exílio são atuais e fundamentais em um mundo marcado por desigualdade, conflitos armados, perseguições políticas, guerras civis e emergência climática que produzem um trágico deslocamento massivo de seres humanos, inclusive de intelectuais e cientistas. A pesquisa nessa fase da iniciação científica mantém o objetivo de analisar a experiência de exílio de cientistas brasileiros durante o regime militar (1964-1985). A questão central é analisar, por meio de documentação e arquivos pessoais, os impactos do autoritarismo sobre cientistas brasileiros que foram aposentados compulsoriamente, cassados e perseguidos e tiveram que se exilar depois do golpe de 1964 e sobre a sua própria prática científica. Nesse subprojeto serão analisadas as experiências de cientistas do Instituto Oswaldo Cruz que, depois da cassação e perda de direitos políticos em abril de 1970, foram para o exílio e trabalharam em universidades e centros de pesquisa no exterior. Para esse empreendimento, os principais arquivos pessoais pesquisados serão os de Haity Moussatché que contém volume considerável de cartas e estão depositados no Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz e do físico José Leite Lopes, principal correspondente de Haity Moussatché, que estão no Centro de Pesquisa em História do Brasil Republicano (CPDOC/FGV) e foi recentemente organizado. As cartas trocadas entre cientistas e intelectuais tem o potencial de compreensão da especificidade do exílio do cientista na América Latina da Guerra Fria e revelar as redes de sociabilidade que os envolviam nessa experiência de desterro. O foco do trabalho do bolsista será na correspondência dos cientistas do IOC vítimas do Massacre de Manguinhos.
IMPACTO DE DIFERENTES TRATAMENTOS NA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES COM LEISHMANIOSE
Bolsista: Ana Júlia Gonzaga da Costa
Orientador(a): Sarah Nascimento Silva
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Introdução: As leishmanioses são doenças negligenciada causadas por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania e que se manifestam principalmente nas formas visceral (mais grave e letal) e cutânea (que pode gerar cicatrizes desfigurantes e estigmatizantes). Além da dificuldade de acesso ao diagnóstico e tratamento, o arsenal terapêutico para tratamento das leishmanioses ainda é muito restrito e relacionado a alta taxa de toxicidade, o que acarreta agravamento da morbidade da doença, com significativo impacto na qualidade de vida dos pacientes acometidos. A “Qualidade de Vida (QV)” é um desfecho em saúde avaliado nas análises de custo-utilidade (ACU) que mede os Anos de Vida Ajustados pela Qualidade (AVAQ), por meio de diferentes instrumentos, possibilitando a comparação de diferentes tipos de desfechos e doenças. Objetivos: Avaliar o impacto das várias formas clínicas de leishmaniose e do tratamento da doença na qualidade de vida de pacientes atendidos no Centro de Referência em Leishmaniose (CRL) do Instituto René Rachou (IRR) da Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais (Fiocruz-Minas). Métodos: Pacientes adultos e adolescentes com diagnóstico de leishmaniose durante um ano não epidêmico em serviço de referência em Belo Horizonte serão submetidos ao questionário EQ-5D-3L, questionário socioeconômico e ao Cutaneous leishmaniasis impact questionnaire (CLIQ), antes, durante e depois do tratamento para leishmaniose. Resultados Esperados: Espera-se reconhecer diferenças de impacto na qualidade de vida relacionadas às diversas formas clínicas de leishmaniose, características dos pacientes e tratamento realizado, o que poderia no futuro subsidiar intervenções em saúde pública, incluindo algoritmos terapêuticos, a fim de mitigar a morbidade gerada pela doença.
Inquérito de detecção de SARS-CoV-2 em crianças ? 5 anos que vivem na floresta amazônica, associação com gastroenterite aguda e com o perfil secretor (gene FUT2) de comorbidade para a diabetes tipo 1
Bolsista: BRUNO LORETO DE ARAGAO PEDROSO
Orientador(a): MARCIA TEREZINHA BARONI DE MORAES E SOUZA
Coorientador(a): Não informado
Resumo: A gastroenterite aguda (GA) é uma doença comum que afeta pessoas de todas as idades, com complicações potencialmente graves, em crianças ? 5 anos (jovens crianças), que são mais vulneráveis à desidratação. É um problema de saúde mundial e do Brasil. Em cerca de 40% das amostras de crianças com GA há a detecção de um agente viral. Os principais são rota- e norovirus. A GA está associada à infecção pelo SARS-CoV-2 em 50% dos casos. Indivíduos acima de 45 anos são mais susceptíveis a severidade da Covid-19, principalmente se apresentam comorbidades como a hipertensão e diabetes tipo 1. A frequência de SARS-CoV-2 em jovens crianças (? 5 anos) carece de informações. Polimorfirmos de base única (SNP) no gene FUT2 pode determinar o status não secretor sendo um fator de susceptibilidade genética para a diabetes tipo 1. Este subprojeto visa detectar SARS-CoV-2 por transcrição reversa seguida da reação em cadeia da polimerase em tempo real (qRT-PCR) em fezes e saliva de jovens crianças e verificar a presença do SNP rs601338 (G428A) no gene FUT2 utilizando as amostras de saliva contendo células da mucosa bucal (DNA cromossomial). As jovens crianças deste estudo foram atendidas na emergência do Hospital da Criança de Santo Antonio (HCSA), no estado de Roraima, no período de pandemia, nos meses de junho e julho de 2021; 404 amostras de casos (101 crianças com GA, 202 amostras/fezes e saliva) e controle (101 crianças com infecção respiratória aguda, 202 amostras/fezes e saliva) foram coletadas em paralelo. A hipótese deste projeto é que jovens crianças são portadoras assintomáticas de SARS-CoV-2 mesmo apresentando susceptibilidade para a comorbidade diabetes tipo 1, não representando reservatória da infecção. As informações obtidas com este subprojeto poderão servir para decisões quanto a prioridade em vacinar o grupo de crianças aqui representado, da população de etnia indígena vivendo em regiões de vulnerabilidade.
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