Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
UM OLHAR DA PANDEMIA DE COVID-19 SOB A LUZ DAS DESIGUALDADES SOCIOECONÔMICAS
Bolsista: ANNA BEATRIZ DE AGUIAR ARAUJO
Orientador(a): Marcio Sacramento de Oliveira
Coorientador(a): Marcio Candeias Marques
Resumo: Os efeitos da pandemia de COVID-19, até agora vistos, perpassam as esferas econômicas, políticas, ambientais e sobretudo, sociais, visto que houve populações mais vulneráveis e que foram mais impactadas pelo vírus. Em um país, como no Brasil, onde os governantes conduziam a pandemia na contramão do que estava sendo preconizado pela OMS, as populações marginalizadas, as quais possuem dificuldades crônicas à acessos aos direitos humanos e sociais mínimos, foram ainda mais impactados. Os acessos que sempre foram impossibilitados para as populações mais vulneráveis, foram mais dificultados em um tempo de pandemia nunca vivenciado. Na cidade do Rio de Janeiro, a desigualdade socioespacial impactou significativamente a contaminação de uns espaços em detrimento de outros e escancarou ainda mais discrepância social. Nesse sentido, este projeto tem como objetivo analisar a associação entre as desigualdades na infecção por SARS-CoV-2 em relação à posição socioeconômica e profissional. Trata-se de um estudo ecológico, transversal, de abordagem quantitativa da associação entre o perfil de desigualdade socioeconômica e o impacto da COVID-19 (CID-10: B34.2) no período de 01 janeiro de 2020 a 31 janeiro de 2021, a partir de dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), para o município do Rio de Janeiro, Brasil. Para esse estudo foram feitas análises descritivas e calculados os coeficientes de internação e as taxas de mortalidade bruta e estratificada dos casos graves internados que evoluíram para óbito por Covid-19. Além disso, foi feita uma regressão logística com a finalidade de avaliar as variáveis testadas que estavam associadas a maior chance de internação por COVID-19. Os resultados do estudo mostraram que, durante o período de janeiro de 2020 a janeiro de 2021, na cidade do Rio de Janeiro, houve um perfil de indivíduos que se encontravam mais vulnerável à infecção pela COVID-19. As variáveis relacionadas ao sexo, raça/cor, faixa etária, presença de comorbidades e vacinação contra influenza estiveram associadas a piores desfechos da doença. Tais achados demonstram que há um contexto histórico e social associado aos casos de COVID-19, bem como às complicações e repercussões associadas.
PANORAMA DA QUEDA DE COBERTURA VACINAL INFANTIL: ASSOCIAÇÃO TEMPORAL COM AS INCIDÊNCIAS DE DOENÇAS IMUNOPREVENÍVEIS E FATORES ASSOCIADOS COM A HETEROGENEIDADE ESPACIAL ENTRE MACRORREGIÕES E CAPITAIS BRASILEIRAS, E DO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE
Bolsista: Mateus Henrique Silva Alves
Orientador(a): Taynana Cesar Simoes
Coorientador(a): Não informado
Resumo: O Brasil vem mostrando queda importante da cobertura vacinal dos imunobiológicos contemplados no calendário básico infantil, que pode impactar negativamente na Saúde Pública do país, levando ao retorno e fortalecimento de doenças imunopreveníveis de importante impacto na morbimortalidade de crianças. Resultados preliminares do estudo proposto já mostraram quedas significativas nas coberturas vacinais por todos os imunobiológicos do calendário básico infantil oferecidos pelo SUS. Na maioria dos casos, a cobertura esteve abaixo da meta mínima preconizada pelo Ministério da Saúde. No entanto, esta queda ocorre de forma desigual no tempo e no território brasileiro, evidenciando ser menor entre as capitais das regiões Norte e Nordeste nos anos mais recentes, em particular, após a pandemia de COVID-19. Pretende-se dar continuidade ao trabalho de descrição e análise de cobertura vacinal infantil, caracterizando sua distribuição ao longo do tempo, e avaliando a mudança na distribuição espacial da cobertura no período de 2010 a 2020 entre Macrorregiões e capitais brasileiras, além de uma ótica intramunicipal em Belo Horizonte. Objetiva-se também avaliar as associações no espaço e tempo das coberturas vacinais com as incidências das doenças imunopreveníveis correspondentes, considerando defasagens temporais entre as séries temporais, bem como a influência de fatores socioeconômicos e de acesso à saúde na heterogeneidade espacial das coberturas. O objetivo geral é avaliar as associações de cobertura vacinal infantil e incidências das doenças imunopreveníveis relacionadas ao longo do tempo, considerando defasagens temporais, bem como a influência de fatores socioeconômicos e de acesso à saúde com a heterogeneidade espacial observada nas macrorregiões e capitais brasileiras, além do município de Belo Horizonte. Quanto à análise estatística, inicialmente os indicadores serão descritos através de medidas resumo e análise gráfica, seguido de análise de tendência temporal e mapeamento das incidências e indicadores socioeconômicos e de acesso à saúde. Posteriormente as associações temporais entre cobertura vacinal e os indicadores propostos serão avaliadas desde medidas de associação mais simples, como o Coeficiente de Correlação de Spearman, a associações entre séries temporais através de modelos estatísticos, como os Modelos Aditivos Generalizados (GAM). Serão ainda avaliadas defasagens temporais entre as séries, através do método de defasagens distribuídas. As associações espaciais dos indicadores propostos com a cobertura vacinal serão avaliadas através de Índices de Moran uni e Bivariado, e possivelmente Modelos Espaciais. As análises serão todas feitas em softwares livres, como o software estatístico R para as análises estatísticas e os softwares QGis e GeoDa para a manipulação de dados geográficos e algumas análises espaciais.
IgG subclasses: Reatividade a antígenos de latência Rv2029 e Rv3353, e ESAT6:CFP10 na tuberculose pediátrica
Bolsista: INGRID BERNARDES ANTERO
Orientador(a): MARIA HELENA FERES SAAD
Coorientador(a): SILVIA MARIA DE ALMEIDA
Resumo: A Tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa que compromete a saúde pública mundial, pois é a primeira causa de morte entre as doenças infecciosas. Seu manejo segue desafiador, em especial na faixa etária pediátrica, devido ao caráter paucibacilar da doença nesta população, o que dificulta visualizar e isolar a bactéria por baciloscopia e cultura, respectivamente. O teste rápido molecular Xpert MTB/RFM® (TRM-TB) promissor possui uso limitado na TB pediátrica, pois o caráter paucibacilar, produz na TB pulmonar sensibilidade de 66 %. Os métodos diagnósticos disponíveis, que não dependem da presença do bacilo no espécime clínico, são baseados na resposta imune celular de hipersensibilidade tardia na Prova Tuberculínica (PT) e na detecção de interferon gama produzido pelas células T do periférico induzidas por antígenos específicos de M. tuberculosis (IGRAs), mas possuem limitações. A PT requer 72 hs para o resultado e apresenta baixa especificidade; os IGRAs, embora mais específicos têm baixa sensibilidade, requerem mais de 24 h para o resultado, equipamentos e profissionais especializados, não atendem a necessidade de serem testes rápidos, de fácil operacionalidade, de baixo custo e não discriminam a TB ativa da TB latente (LTBI), além de mostrarem sensibilidade limitada em crianças (particularmente nos <5 anos de idade) Assim, biomarcadores alternativos que possam atender esta demanda são necessários. Estudos prévios em adultos mostraram resposta diferenciada de IgG e seus subtipos em TB ativa e LTBI associados a diferentes antígenos micobacterianos expressos ou não na LTBI. Assim, com base na complexidade de M. tuberculosis, o agente etiológico da TB, para sobreviver no hospedeiro, será avaliado os marcadores de latência Rv2029 e Rv3353, bem como o internacional ESAT5:CFP10 como alternativa auxiliar no diagnósticos por resposta de IgG e subclasses de soros de crianças e adolescentes, com TB ativa ou LTBI e controle, utilizando o convencional método imunoenzimático em suporte sólido (ELISA).
Avaliação de candidatos a pró-fármacos ativados por nitro-redutase do tipo I sobre Leishmania infantum
Bolsista: FRANCOISE KLEN CUSAT DOS SANTOS
Orientador(a): EDUARDO CAIO TORRES DOS SANTOS
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Os nitroderivados foram amplamente utilizados como agentes antimicrobianos na década de 1940, mas evidências de seus efeitos tóxicos e mutagenicidade levaram a uma redução no seu uso nas décadas seguintes. Porém, com um entendimento maior do mecanismo de ação dessas substâncias, se percebeu que vários nitroderivados não são tóxicos como imaginado. Uma triagem com 700 nitroderivados realizada pelo DNDi resultou na redescoberta do fexinidazol, um nitroimidazol que tinha apresentado atividade contra Trypanosoma brucei há mais de 30 anos. O fexinidazol atualmente encontra-se em fase de testes pré-clínicos de fase II/III para tripanossomíase africana e tem demonstrado potencial como futuro tratamento para leishmaniose visceral. O alicerce que possibilitou esses avanços foi o conhecimento do papel de uma classe de enzimas conhecidas como nitro-redutases (NTRs). As NTRs do tipo I catalisam a reação de redução de nitroderivados, transferindo 2 elétrons a partir de NADH, formando hidroxiaminas. Essa classe de enzimas só está presente em procariotos e alguns eucariotos inferiores, como os tripanossomatídeos. Por sua distribuição diferenciada, as NTRs do tipo I são consideradas bons alvos para a quimioterapia. De fato, muitos nitroderivados na realidade são pró-fármacos, que dependem da redução pelas NTRs do tipo I dos seus microorganismos-alvo para serem ativadas e serem efetivas, conferindo a eles seletividade. Recentemente, foi descrita e caracterizada a NTR I em diferentes espécies de Leishmania. Também já é bem descrita a relação entre a expressão de NTR I e a susceptibilidade aos nitroderivados. Cepas de Leishmania spp. que superexpressam a NTR I são mais susceptíveis ao fexinidazol. É objetivo do presente projeto avaliar uma biblioteca de nitroderivados planejados através de técnicas de química medicinal, inicialmente como substratos para a NTR I de Leishmania infantum em ensaios enzimáticos, em seguida sua atividade leishmanicida in vitro e in vivo e, finalmente, comprovar o mecanismo de ação utilizando parasitos superexpressando a NTR I.
Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade: medindo quão reprodutível é a ciência biomédica no Brasil
Bolsista: STEPHANIE MEGALE FERREIRA
Orientador(a): RUBENS LIMA DO MONTE NETO
Coorientador(a): Alessandra Mara de Sousa
Resumo: Nas últimas décadas tornou-se claro que as práticas comuns experimentais, juntamente com um sistema de publicação que recompensa a produtividade em vez do rigor, pode nos levar a uma literatura científica que carece de confiabilidade. Nesse contexto surgiu a Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade (IBR), um esforço multicêntrico, cujo desafio é avaliar a reprodutibilidade da ciência biomédica brasileira. O objetivo da IBR é replicar de 50 a 100 experimentos de artigos brasileiros, dentro de uma rede nacional de colaboradores. Nosso grupo de pesquisa “Biotecnologia Aplicada ao Estudo de Patógenos” (BAP) foi selecionado para fazer parte desse projeto coordenado pela UFRJ e pelo Instituto Serrapilheira. A importância destas iniciativas de replicação tem sido demonstrada em inúmeras áreas de pesquisa. A ciência brasileira cresceu rapidamente nas últimas décadas sob pressão para aderir a padrões das agências de fomento públicas, criando um terreno abundante para fatores considerados implícitos à falta de reprodutibilidade, como uma mentalidade publicitária que incentiva o baixo rigor metodológico e científico. Os resultados não só serão fundamentais para avaliar o quão reprodutível é a ciência biomédica brasileira, como podem ativamente contribuir para diminuir o desperdício futuro de vidas animais e materiais caros em experimentos irreprodutíveis. Ao final deste estudo, nosso grupo fará parte do primeiro estudo sistemático de reprodutibilidade científica a nível nacional. 3) Objetivo Geral Reproduzir cinco experimentos de artigos brasileiros pré-selecionados pela IBR que envolvem a avaliação da toxicidade celular por agentes químicos em macrófagos murinos e medir a expressão diferencial de genes na presença de cafeína e estradiol 3.1 Objetivos específicos - Analisar a viabilidade celular, proliferação e citotoxicidade dos agentes: (+)alfa-pineno; clorexidina e de uma mistura de pesticidas organoclorados; - Avaliar a expressão relativa do gene Slc2a4 na linhagem celular de adipócitos diferenciados 3T3-L1, na presença de 17-beta estradiol; - Quantificar a expressão relativa do gene Nr1i3 em hepatócitos de camundongo C57Bl/6 que receberam cafeína por via oral 4) Metodologia 4.1. Ensaio de MTT Camundongos Swiss entre 42-56 dias de idade, serão submetidos à extração de macrófagos peritoneais, elicitados mediante injeção IP de 1 mL de tioglicolato a 3 %. Três dias após a injeção, os camundongos serão anestesiados com 80 mg/kg de cetamina e 10 mg/kg de xilazina e serão eutanasiados. As células peritoneais elicitadas serão obtidas pela lavagem da cavidade peritoneal com PBS. A viabilidade celular será acessada utilizando Azul de Tripan (4 %). Os macrófagos serão expostos aos agentes: clorexidina, (+)-alfa-pineno e a uma mistura de pesticidas organoclorados, em tempos que variam de 1 a 48 h. Depois desse intervalo será adicionado o MTT às culturas, cujo metabolização resulta em cristais de formazan (azul), diretamente proporcional à viabilidade celular. Os cristais são solubilizados na presença de DMSO e a avaliação colorimétrica permite medir a viabilidade das células. 4.2. Ensaio RT-PCR: Camundongos C57Bl/6 fêmeas com três meses de idade e pesando 22-26 g receberão ou não (grupo controle) cafeína por via oral. A cafeína será diluída em água filtrada e os animais receberão 50 mg/kg por gavagem uma vez ao dia durante 15 dias. Os controles receberam apenas água filtrada. A solução estoque de cafeína a 20 mg/mL será armazenada em temperatura ambiente. O volume de cafeína administrado para cada animal será de 0,2 mL. No 16º dia os serão eutanasiados por anestesia profunda (Thiopental 250 mg/kg). Os fígados serão colhidos para extração de mRNA, congelados em nitrogênio líquido e conservados a -80° até a extração de RNA. Após a extração o RNA total será transcrito reversamente em cDNA, para a análise de PCR em tempo real que será realizada em triplicata utilizando o termociclador ViiA7 (ThermoFisher).
Análise do matrisoma tumoral e sua relação com marcadores prognósticos em modelo espontâneo canino de câncer de mama em estadio avançado
Bolsista: Bruno Sousa de Almeida
Orientador(a): Karine Araújo Damasceno
Coorientador(a): CARLOS GUSTAVO REGIS DA SILVA
Resumo: O desenvolvimento de metástase em pacientes com câncer de mama ainda é a principal causa de morte e o enfrentamento desta fase da doença é um grande desafio para a diminuição das taxas de mortalidade. O conhecimento sobre os inúmeros mecanismos envolvidos nas etapas prévias ao processo da metástase ainda não está completamente elucidado. As interações existentes entre as células neoplásicas e o microambiente circunjacente são extremante relevantes para o curso da doença. Neste contexto, a matriz extracelular (MEC) sofre modificações induzidas pelas células cancerosas, células inflamatórias e pelas próprias células do estroma e contribui para a manutenção de um microambiente favorável à invasão e desenvolvimento de metástases. A MEC pode alterar sua constituição e sofrer remodelação antes mesmo que as etapas iniciais de progressão tenham ocorrido e, desta forma, contribuir para proliferação, migração e sobrevivência das células cancerosas. A nossa proposta tem por intuito caracterizar a constituição desta MEC, suas alterações morfológicas e correlacionar os achados com fatores prognósticos em casos de carcinomas mamários espontâneos em modelo canino com estadio avançado.
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