Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Avaliação do transplante hepatocitário e com minifígados na lesão hepática crônica induzida pela dieta deficiente em metionina e colina
Bolsista: EVELYN DA SILVA DE MELO
Orientador(a): CRISTINA ALVES MAGALHAES DE SOUZA
Coorientador(a): EVELLYN ARAUJO DIAS
Resumo: Lesões hepáticas crônicas são um grande problema de saúde pública devido ao alto índice de morbidade e mortalidade. Suas principais causas são de origem metabólica, neoplásica, tóxica ou medicamentosa, cuja evolução pode gerar lesões agudas, crônicas ou crônicas agudizadas, ocasionando muitas vezes a necessidade do transplante hepático. A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) envolve desde a presença de gordura no fígado, levando a esteatose hepática, à cirrose e em alguns casos evoluindo para um tumor hepático. É uma doença preocupante e frequente por estar associada com a obesidade e doenças metabólicas muito comuns atualmente. Devido às dificuldades do transplante é necessário terapias alternativas para os pacientes que aguardam na fila de espera para o transplante hepático. O transplante de hepatócitos humanos criopreservados ou de outras espécies animais é uma alternativa viável para auxiliar no aumento da sobrevida desses pacientes, embora haja algumas limitações como ativação da resposta imunológica inata e adaptativa, desregulação na cascata de coagulação e inflamação. Deste modo, é necessário conhecer os mecanismos de lesão hepática e reparo envolvidos nesta lesão para tentar proporcionar um microambiente mais adequado para o transplante. Técnicas em bioengenharia também estão sendo estudadas e podem apresentar uma estratégia promissora, enquanto os indivíduos aguardam na fila de espera ou auxiliando no restabelecimento natural da função hepática. A viabilização de bancos de hepatócitos funcionais, humanos e/ou suínos, também podem auxiliar de forma rápida estes indivíduos. Nesse projeto iremos utilizar um modelo de lesão hepática crônica induzida por dieta deficiente em metionina e colina e avaliar a eficiência da terapia com hepatócitos murinos, encapsulados ou não, na progressão da regeneração tecidual nesse modelo. Após, prosseguiremos com as perspectivas futuras, utilizando novas metodologias para recuperação da função hepática, com o xenoenxerto murino e a utilização de “mini-fígados” impressos em bioimpressoras com “biotinta” de alginato de sódio.
Derivados ureido-benzamidas como potenciais inibidores da proteína tirosina cinase BCR-ABL
Bolsista: GABRIELA PONTES DA COSTA
Orientador(a): MONICA MACEDO BASTOS
Coorientador(a): LUIZ CLAUDIO FERREIRA PIMENTEL
Resumo: A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é caracterizada pela presença de um cromossomo anormal denominado Philadelphia (Ph). A existência deste cromossomo faz com que o organismo expresse uma proteína híbrida BCR-ABL, e esta apresenta a atividade da tirosina cinase de forma anormal, sendo responsável pela patogênese da doença. O mesilato de imatinibe foi o primeiro representante da classe dos inibidores de tirosina cinase (ITC) BCR-ABL para o tratamento da LMC. No entanto, o aparecimento recorrente de resistências tem desafiado o tratamento com o uso destes inibidores. Este fato resultou no desenvolvimento de novos inibidores conhecidos como a segunda geração dos “tinibes”, tendo como representantes o nilotinibe, dasatinibe e bosutinibe. O ponatinibe, um ITC BCR-ABL de terceira geração, é o único capaz de contornar a mutação T315I presente no domínio da BCR-ABL1; contudo, os efeitos colaterais severos limitam o seu uso. Na busca por novos ITC, Park e colaboradores realizaram estudos que demonstraram que o nocodazol e derivados contendo o grupo ureia induzem apoptose em células de leucemia linfoide crônica (LLC), e os resultados dos estudos demonstraram potência submicromolar em ensaios enzimáticos para LMC, incluindo a formas mutante resistente. Diante deste cenário, neste projeto pretende-se realizar a síntese e a avaliação de dez novos derivados contendo o grupo ureia. A metodologia proposta para a obtenção dos compostos-alvo consiste em uma síntese convergente com três ou quatro etapas reacionais. Até o momento foram obtidos os intermediários 9 e 16a. A metodologia escolhida para a obtenção do intermediário 9 foi bem-sucedida. No entanto, apesar da obtenção do intermediário 16a gerar o resultado esperado, observou-se um baixo rendimento e dificuldades para purificação. Os intermediários 11 e 12 não foram obtidos com sucesso. Novas metodologias estão em curso na obtenção dos intermediários 11, 12 e 16a, porém ainda sem resultados para compor o relatório. Cabe destacar que, o andamento das etapas do projeto está no prazo estabelecido e de acordo com o cronograma inicialmente proposto.
Novos Análogos do ABX464 como Potenciais Multialvos Frente à Infecção pelo HIV-1
Bolsista: ISABELLE SOLLEIRO BRUM
Orientador(a): MONICA MACEDO BASTOS
Coorientador(a): DEBORA INACIO LEITE FIRMINO MARINHO
Resumo: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus da imunodeficiência humana (VIH ou HIV, do inglês “Human Immunodeficiency Virus”) infectou mais de 70 milhões de pessoas, com cerca de 35 milhões de óbitos desde o início da pandemia. No entanto, o desenvolvimento da terapia antirretroviral (TARV) transformou o HIV de uma condição quase fatal para uma condição crônica administrável. Uma eficácia clínica foi alcançada com a introdução de diferentes medicamentos; entretanto, a euforia inicial com o avanço terapêutico foi rapidamente desfeita frente à velocidade do aparecimento de cepas resistentes a diferentes combinações dos fármacos disponíveis. Estes fatores têm elevado o número de pesquisas nessa área, na tentativa de obter novas moléculas com mecanismos de ação reconhecidos ou inovadores. Recentemente, Campos e colaboradores desenvolveram o ABX464, um novo candidato a fármaco para tratar pacientes infectados pelo HIV-1, que atua interferindo na produção das proteínas reguladoras Rev (responsável pela exportação de transcritos de RNAm processados incompletamente do núcleo celular para o citoplasma, para traduzir as proteínas virais); e Tat (reguladora transcricional, que funciona como um fator de elongação, já que ela consegue aumentar a taxa de transcrição do genoma viral por meio da remoção dos fatores de elongação negativas); ou inibindo a exportação de RNAm necessário para a síntese de Gag, Pol e Env (componentes estruturais do cerne e do envelope viral), além de afetar na formação de RNA genômico. Este composto, que se encontra na fase II dos testes clínicos, também apresentou atividade em células latentes e em reservatórios virais, nos quais os fármacos utilizados na clínica, até o momento, não são capazes de atingir, impedindo a recuperação da carga viral quando o tratamento é interrompido. Outro núcleo empregado na busca por novas moléculas com mecanismos de ação reconhecidos ou inovadores é o indol, que também está presente em uma diversidade de moléculas bioativas, incluindo antirretrovirais, assim como seu derivado oxoindólico, a isatina. Os resultados satisfatórios do uso da isatina e seus derivados, na busca de moléculas com potencial atividade antirretroviral, somados à promissora atividade do ABX464, orientaram a elaboração desse projeto. Com isso, o objetivo deste trabalho incluiu o planejamento, a síntese e a avaliação biológica quanto a potencial atividade inibitória frente ao HIV-1 de doze novos híbridos, derivados de isatinas e análogos do ABX464. Para todos os compostos planejados foi proposta a vinculação de fragmentos de substâncias com reconhecida atividade antirretroviral, tais como o núcleo quinolínico e a isatina. A introdução da quinolina fundamenta-se no fato deste heterociclo estar presente no ABX464 e em moléculas com atividade antirretroviral, em especial como inibidores da proteína Rev e da protease. Para a outra parte da molécula foi proposta a introdução da isatina, já que a literatura descreve uma série de derivados deste núcleo com comprovada atividade biológica tuberculostática, antialérgica, imunossupressora, antitrombótica, anticonvulsivante, antifúngica, anticâncer, antirretroviral, entre outras. Até o momento, foram obtidos cinco intermediários, além de quatro produtos finais. Como perspectivas, espera-se dar início a síntese dos outros intermediários e produtos finais. Vale ressaltar que, com o advento da pandemia e momentos de interrupção da rotina laboratorial, foi necessária a adaptação do cronograma.
EFEITOS ECOTOXICOLÓGICOS DOS REJEITOS DA BARRAGEM DE BRUMADINHO, MINAS GERAIS EM MINHOCAS EISENIA ANDREI
Bolsista: DAVI PINHEIRO CUNHA
Orientador(a): ENRICO MENDES SAGGIORO
Coorientador(a): LORENA OLIVEIRA SOUZA SOARES
Resumo: A barragem de rejeitos (B1) da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale S.A, localizada em Brumadinho (Minas Gerais- Brasil), se rompeu no dia 25 de janeiro de 2019. Cerca de 12 milhões de m3 de rejeitos atingiram o meio ambiente e o número de óbitos chega a 300. A contaminação ambiental espalhou-se por cerca de 300 hectares de terras da sub-bacia do Ferro-Carvão antes de chegar ao rio Paraopeba. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a toxicidade dos rejeitos em minhocas E. andrei expostas ao solo contaminado com rejeitos da barragem de Brumadinho/MG. Foi realizada uma quantificação dos elementos-traço nas amostras de solo controle e rejeito. Posteriormente, a toxicidade dos rejeitos em minhocas foi determinada por três abordagens: teste de fuga, teste agudo e teste crônico em solo. Para a determinação de elemento-traço nas amostras foi utilizada a metodologia descrita em Parente et al., (2021). O teste de fuga foi realizado conforme ISO (2008), nas concentrações de 0; 12,5; 18,5; 25; 37,5; 50; 62,5; 75 e 100% (m/m) de rejeito, composta por 3 replicatas, com 10 organismos cada, e tempo de exposição de 48h. As avaliações de efeitos agudos e crônicos foram realizadas de acordo com protocolo pela ASTM (2012), composta respectivamente por 3 e 4 replicatas, com 10 minhocas cada. Para o ensaio agudo (14 dias) as concentrações utilizadas foram: 0; 12,5; 25; 50; 75 e 100% (m/m) de rejeito. Para o ensaio crônico (60 dias) foram as proporções: 0; 3,12; 6,25; 12,5 e 25% (m/m). A estimativa da CL50 foi determinada pelo teste de Spearman-Karber. Para o teste de fuga foi utilizado o teste Exato de Fisher. Os resultados obtidos com os testes agudo e crônico em solo utilizaram os testes: Shapiro-Wilk, One-way- ANOVA, Kruskal-Walli e post hoc Dunnett test e post hoc Dunn’s test. Foi utilizado intervalo de confiança de 95 % para todas as análises. Ao quantificar os elementos-traço foram destacados os elementos Fe, Mg e Hg. A presença do metal Fe pode ser associado à mineração da mina do Córrego do Feijão, enquanto a presença de Mg à dolomitos intemperizados que formaram depósitos superficiais nas formações de rochas e a presença de Hg, pode ser advinda da sorção dos óxidos de manganês. Durante o ensaio agudo em solo, foi observada apenas uma morte na concentração de 25%, a qual foi atribuída ao acaso. Portanto, não foi observado efeito agudo de letalidade ao longo dos 14 dias de exposição, não sendo possível estimar a CL50 para a exposição ao rejeito. Em relação à variação na biomassa, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas aos 7 e 14 dias de exposição em relação ao controle. No teste de fuga foi observado o efeito de perda de habitat dos organismos a partir da adição de 37,5% de rejeito. A partir deste ensaio foi estimada uma CE50 de 27,2 ± 2,83 %, valor este utilizada como critério de definição das concentrações do ensaio crônico em solo. No ensaio crônico não foram observadas variações estatisticamente significativas que indicassem efeitos negativos da exposição ao rejeito sobre a biomassa dos organismos. No que tange à reprodução, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de exposição e seus respectivos grupos controle. No entanto, os resultados indicaram uma tendência na redução do número de indivíduos juvenis em relação ao número de casulos. A baixa presença de indivíduos juvenis em relação à quantidade de casulos indica a possível produção de casulos inviáveis ou a ocorrência de condições ambientais inadequadas à eclosão e/ou sobrevivência dos indivíduos juvenis. Diante dos resultados expostos, o desastre em Brumadinho pode ter causado impactos irreversíveis aos ecossistemas da região atingida pelo rompimento da barragem. Por isso, a utilização dos ensaios ecotoxicológicos pode ser aplicada como ferramentas promissoras, diante do grande desafio na avaliação do nível de contaminação, e do impacto sobre a biota edáfica.
Efeito de análogos de 1-aril-4-(4,5-di-hidro-1H-imidazol-2-il)-1H-1,2,3-triazóis contra Trypanosoma cruzi
Bolsista: GIULIA KARINA OLIVEIRA MONTELLANO
Orientador(a): MIRIAN CLAUDIA DE SOUZA PEREIRA
Coorientador(a): LORRAINE MARTINS ROCHA ORLANDO
Resumo: A doença de Chagas (DC), causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é considerada uma das 20 doenças tropicais negligenciadas (DNTs) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com 6 a 7 milhões de pessoas infectadas no mundo. A doença encontra-se globalizada, devido à alta migração populacional entre continentes, com cerca de 75 milhões de pessoas sob risco de infecção. Atualmente, a doença reemerge em países endêmicos por infecção oral, enquanto a transmissão congênita de T. cruzi é majoritária em países não endêmicos, incluindo Estados Unidos da América, Canadá, países da Europa, Japão e Austrália. A sintomatologia da DC manifesta-se em 30-40% dos indivíduos infectados na fase crônica, afetando os sistemas gastrointestinal (megacólon e megaesôfago), cardíaco (cardiomiopatia chagásica) e nervoso. Apesar de centenária, apenas 2 fármacos, Nifurtimox (Nif) e Benzonidazol (Bz), são atualmente comercializados para o tratamento desta doença silenciosa, mas possuem eficácia limitada e insatisfatória principalmente na fase crônica. Estes fármacos apresentam efeitos adversos graves, diminuindo a adesão ao tratamento, sendo também hepatotóxicos e genotóxicos. Assim, este problema de saúde pública mundial merece atenção e a busca por novos fármacos eficazes é essencial para uma terapia eficaz e segura. Este projeto visa a otimização do composto HIT (5-amino pirazol-imidazolina), com substituição do pirazol por 1, 2, 3-triazol com o intuito de potencializar a atividade biológica. Esses híbridos serão avaliados quanto às propriedades físico-químicas e ADMET utilizando ferramentas in sílico. Ainda, a atividade biológica será analisada por triagem fenotípica para a identificação de novos candidatos promissores para prosseguir em ensaios pré-clínicos in vivo.
Atividade biológica de derivados de pirazol di-imidazolina contra Trypanosoma cruzi
Bolsista: Amanda de Oliveira Mariano da Silva
Orientador(a): MIRIAN CLAUDIA DE SOUZA PEREIRA
Coorientador(a): LORRAINE MARTINS ROCHA ORLANDO
Resumo: A doença de Chagas (DC), uma doença infecciosa causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, encontra-se entre as 20 doenças tropicais negligenciadas (DTNs) reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A DC acomete 6 a 7 milhões de pessoas no mundo, sendo a principal causa de morte entre as doenças infecciosas e parasitárias na América Latina. Esta doença silenciosa progride para manifestações digestivas (megaesôfago e megacólon), neurológicas e cardíacas, podendo levar a insuficiência cardíaca e morte súbita. Benzonidazol (Bz) e nifurtimox (Nif) são os fármacos utilizados na clínica, mas possuem importantes limitações de eficácia e efeitos adversos graves. Valiosas informações foram adquiridas com os ensaios clínicos realizados na última década, mas os candidatos promissores apresentaram falha terapêutica ou alta toxicidade, reforçando o desafio da busca de novos fármacos efetivos e seguros para a terapia da DC. Nosso grupo tem investido na otimização de um composto hit (5-amino pirazol-imidazolina) por modificações moleculares com base na análise de relação estrutura-atividade. Neste estudo, aplicaremos ferramentas computacionais e ensaios de triagem fenotípica para avaliar o potencial tripanocida de novos derivados da série pirazol-di-imidazolina, visando a identificação de candidatos promissor capazes de avançar para ensaios pré-clínicos in vivo.
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