Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Avaliação de citocinas inflamatórias durante a infecção por SARS-CoV-2.
Bolsista: DANIELA COELHO DE JESUS MILATO
Orientador(a): ALINE DA ROCHA MATOS
Coorientador(a): JESSICA SANTA CRUZ DE CARVALHO MARTINS
Resumo: A pandemia de COVID-19 teve um impacto sem precedentes na economia global e na saúde pública. Seu agente etiológico, o coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2), é altamente transmissível, patogênico e de rápida disseminação global. Atualmente, o aumento do número de novos casos confirmados foi desacelerado devido ao aumento da vacinação em algumas regiões do mundo. Ainda assim, o surgimento de novas variantes influenciou a detecção de ondas adicionais de casos crescentes que alguns países experimentaram. Além disso, as infecções respiratórias causadas pelo SARS-CoV-2 apresentam perfil clínico altamente variável, desde pacientes assintomáticos até pacientes que evoluem para o óbito. Porém, aspectos epidemiológicos, como exposição prévia a vírus antigenicamente similares e presença de comorbidades explicam parcialmente a susceptibilidade à infecção severa. Assim, fatores do hospedeiro podem desempenhar um papel importante na susceptibilidade a esta infecção1, assim como no seu risco de morte. Alguns marcadores sorológicos vêm sendo apontados como preditores da evolução clínica de pacientes hospitalizados e sua avaliação em distintas coortes multicêntricas é relevante para sua validação. Dessa maneira, o presente projeto tem como objetivo avaliar biomarcadores do hospedeiro e sua associação com agravamento e desfecho das infecções causadas pelo vírus SARS-CoV-2. Para tanto, serão avaliadas linhagens celulares humanas previamente infectadas com distintas variantes do SARS-CoV-2 (variantes original, delta e gama) e amostras sorológicas de pacientes com COVID-19 com diferentes apresentações e desfechos clínicos, provenientes de diferentes estados brasileiros no contexto da vigilância epidemiológica de ambos agravos, além de projetos de pesquisa pré-estabelecidos realizados em colaboração com o LVRE/Fiocruz, centro de referência para influenza e COVID para a OMS. Será avaliada a expressão gênica de marcadores inflamatórios, por PCR quantitativo em tempo real, e será determinado o nível de biomarcadores inflamatórios séricos nas células infectadas e nas amostras. Será feita correlação dos resultados com dados clínico-epidemiológicos dos pacientes, desfecho e relação com a variante viral responsável pela infecção. A detecção de biomarcadores que auxiliem na predição clínica da doença teria o potencial de definir melhor os grupos de risco para o agravamento da doença e indivíduos prioritários para vacinação e tratamento, além de elucidar mecanismos de defesa do hospedeiro.
Participação dos corpúsculos lipídicos na resposta antibacteriana em macrófagos.
Bolsista: RODRIGO VIEIRA SAVI
Orientador(a): PATRICIA TORRES BOZZA VIOLA
Coorientador(a): Filipe Santos Pereira Dutra
Resumo: Durante o processo infeccioso diversas adaptações fisiológicas e metabólicas são feitas no organismo hospedeiro, tanto para combater o patógeno como para limitar o dano desse processo aos tecidos (Schneider & Ayres, 2008). Do ponto de vista ecológico e fisiológico atuação do sistema imunológico no processo infeccioso pode ser dividido em dois processos biológicos distintos, a resistência a infecção, relacionados a capacidade de detectação e eliminação dos patógenos; e a tolerância a doença, que agrupa diversas adaptações que promovem a minimização do danos aos tecidos (Schneider & Ayres, 2008). Uma resposta adequada a um processo infeccioso é dependente um delicado equilíbrio entre esses dois processos biológicos (Soares et al., 2017; Wang et al., 2019; Weis et al., 2017). Mecanismos envolvidos no processo de resistência do organismo a infecção são os mecanismos imunológicos mais bem caracterizados, sendo fortemente associados com a resposta inflamatória induzidas pela infecção. Alterações nesse processos levam a uma perda do controle do processo infeccioso, levando ao aumento e a disseminação dos patógenos no organismo (McCarville & Ayres, 2018; Wang et al., 2019; Weis et al., 2017). A resposta inflamatória induzida pela infecção tipicamente é composta de quatro componentes principais: indutores inflamatórios, sensores que os detectam, mediadores inflamatórios induzidos pelos sensores e tecidos-alvo afetados pelos mediadores inflamatórios. Para cada de tipo inflamação, os componentes podem ser apresentados de múltiplas formas e as diferentes combinações desses elementos irão desencadear vias inflamatórias distintas (Medzhitov, 2010). Os lipídios são a principal fonte de energia em pacientes com infecções, e adaptações no metabolismo lipídico são um requisito crucial para sobrevivência à sepse bacteriana (Garrido et al., 2004; Wang et al., 2016). Os lipídios formam a classe mais diversa das biomoléculas, com papéis chaves na fisiologia dos sistemas vivos, tanto na homeostase quanto em situações patológicas. Além de atuar como componentes estruturais das membranas celulares, os lipídios são fontes de energia e também moléculas sinalizadoras em processos inflamatórios e infecciosos (Pereira?Dutra, Teixeira, Souza Costa, & Bozza, 2019; Teng et al., 2017; van Meer et al., 2008). No nível celular, a dislipidemia induzida pela sepse também leva ao acúmulo ectópico de ácidos graxos e triglicerídeos através do aumento da quantidade de corpúsculos lipídicos (CL) em tecidos não adiposos (Lee et al., 2013; P. Pacheco et al., 2007; Patrícia Pacheco et al., 2002), quadro clinicamente conhecido como esteatose ou degeneração gordurosa. Na célula, o principal local de armazenamento lipídico são os CL ou gotículas lipídicas, organelas centrais na homeostase lipídica (Bozza, D’Avila, et al., 2009; Farese & Walther, 2009). No contexto inflamatório, a formação de CL faz parte da programação anabólica e glicolítica de leucócitos pró-inflamatórios (Castoldi et al., 2020; Everts et al., 2014; Knight et al., 2018). Em doenças infecciosas, a participação do CLs tem sido relatada para todas as classes de patógenos, desde vírus (Carvalho et al., 2012; Samsa et al., 2009) até protozoários (Gomes et al., 2014; Mota et al., 2014), incluindo bactérias (Heloisa D’Avila et al., 2008; Katherine A Mattos et al., 2011) e fungos (Sorgi et al., 2009). Resultados recentes vêm promovendo uma transformação drástica do papel dos CLs no contexto infeccioso e inflamatório. Nessa nova perspectiva, vários trabalhos têm sido mostrados como um papel pró-hospedeiro de CLs (Anand et al., 2012; Bosch et al., 2020; Haldar et al., 2013; Hinson & Cresswell, 2009; Knight et al., 2018). No contexto pró-host, a LD que melhora a resposta imune atua como um polo imunológico inato (Bosch et al., 2020), bem como uma importante plataforma para a produção de uma ampla gama de eicosanoides protetores hospedeiros, como leucotrieno B4 (LTB4) e prostaglandinas E2 (PGE2) (Knight et al., 2018; P. Pacheco et al., 2007). Além disso, a síntese de lipídios neutros e acúmulo de CL são importantes intensificadores do perfil pró-inflamatório dos macrófagos (Castoldi et al., 2020; Dias et al., 2020). Com base no que foi exposto, nossa hipótese nesse trabalho é que os CLs participam nos processos de resistência a infecção bacteriana e disfunção dos mecanismos de tolerância ao dano, sendo um importante orquestrador e amplificador da resposta inflamatória protetiva a infecção bactéria durante a sepse. Como a participação dos CL na resposta antibacteriana em mamíferos ainda não foi plenamente explorado, nosso objetivo principal nesse trabalho será avaliar o papel dos corpúsculos lipídicos na reprogramação imunometábolica e na atividade antimicrobiana de macrófagos murinos.
Abordagens sorológicas aplicadas ao diagnóstico da infecção natural por Trypanosoma cruzi e Leishmania infantum de mamíferos silvestres
Bolsista: LETICIA AFFONSO DUARTE
Orientador(a): SAMANTA CRISTINA DAS CHAGAS XAVIER AZEREDO
Coorientador(a): WAGNER JOSE TENORIO DOS SANTOS
Resumo: Trabalhar com fauna silvestre de vida livre ainda é um enorme desafio e um dos maiores obstáculos é a falta de alternativas diagnósticas no mercado. O diagnóstico sorológico é o método eleito para avaliar a amplitude da dispersão do ciclo de transmissão silvestre de Trypanosoma cruzi e Leishmania infantum, consequentemente, o risco da doença humana. O uso de antígenos parasitários quiméricos resulta em um teste diagnóstico sensível e específico em contraste com antígenos brutos de T. cruzi e L. infantum. Nosso objetivo consiste em Padronização dois testes sorológicos para o diagnóstico da infecção por T. cruzi e L. infantum em amostras de soro de espécies da ordem Carnívora com afinidade pela Proteína A para uso na rotina de campo. Duas proteínas com melhor desempenho no Ensaio Imunoenzimático (ELISA), baseado em estudos anteriores, serão testadas para utilização em uma plataforma com duas bandas diagnósticas. Será avaliado um painel com amostras de soro de Nasua nasua positivas para T. cruzi e L. infantum no diagnóstico sorológico; amostras negativas, amostras com ocultura positiva para T. cruzi e L. infantum. O TR Chagas e o DPP-LVC serão desafiados frente a amostras de N. nasua com infecção por outros tripanosomatídeos para avaliar a reação cruzada. O padrão de intensidade das bandas será avaliado em relação ao valor de densidade ótica (DO) do ELISA. A sensibilidade e especificidade serão definidos segundo a Curva ROC e o cut-off definido pela média da densidade ótica. A concordância será avaliada pelo Kappa. Este teste permitirá a rápida tomada de ações preventivas em locais com ou sem notificação da doença de Chagas e Leishmaniose visceral e trará benefícios para localidades onde o acesso a um exame laboratorial mais complexo é limitado.
Perfil da população humana que sofre espoliação por morcego hematófago
Bolsista: Clicia Rodrigues Machado
Orientador(a): Alessandra Ferreira Dales Nava
Coorientador(a): Sérgio Luiz Bessa Luz
Resumo: As mordeduras por morcegos hematófagos em população humana podem ocasionar infecções pelo vírus rábico como também outras infecções de importância em saúde pública. A mordedura em humanos por morcegos hematófagos é ocorrência de notificação compulsória de acordo com o Ministério da Saúde do Brasil. O Brasil é o segundo maior país do mundo em diversidade de morcegos, e dentre os morcegos hematófagos três espécies são presentes no país: Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus youngi. A espécie implicada na espoliação em humanos é o D. rotundus, sendo o D. ecaudata mais associado a espoliações em animais silvestres e a espécie D. youngi possui predileção por aves domésticas e silvestres. A espoliação pelo morcego hematófago Desmodus rotundus geralmente ocorre em populações em situação de vulnerabilidade e distante dos centros urbanos, onde o acesso à serviços de saúde é facilitado. A implicação dessa dinâmica reflete em uma fragilidade quanto á prevenção a infecção pelo vírus rábico que é a procura do sistema de saúde para a pós exposição ao vírus rábico, medida importante e significativa para debelar a infecção pelo vírus rábico, caso o morcego envolvido no ataque estivesse infectado. A frequência das ocorrências de raiva humana em populações do norte do país pela mordedura do morcego hematófago tem chamado atenção, como em Melgaço no Pará onde 12 pessoas morreram sendo 11 crianças e um adulto. Em novembro de 2017 três crianças de uma mesma família adquiriram a infecção rábica na reserva extrativista Resex Unini em Barcelos no estado do Amazonas. Destas três crianças, duas foram a óbito e o adolescente que sobreviveu a infecção rábica possui sequelas gravíssimas. Enquanto ainda na década de 80 ainda havia diversos casos de transmissão do vírus rábico pela mordedura de animais de companhia, com destaque para os cães, em meados dos anos 2000, o perfil mudou, sendo a maioria das ocorrências relacionada a transmissão do vírus da raiva por morcegos hematófagos. A situação epidemiológica da raiva humana teve uma grande modificação no Brasil, e esta mudança no perfil epidemiológico foi decorrente dos sucessivos programas de controle e profilaxia da raiva aonde a prioridade se destacou na vacinação anual de cães e gatos pelas prefeituras e realizada pelo Centro de controle de zoonoses de cada municipalidade. O perfil da epidemiologia atual da raiva humana no Brasil com os últimos casos fatais ocorrendo na região norte do Brasil, leva a uma preocupação quanto as variáveis que possam estar envolvidas nessa transmissão. Em ocorrências de casos de mordedura e ocorrência da raiva em humanos na Amazônia, mudanças ambientais são variáveis que estão sendo estudadas. Dentre essas variáveis, o desmatamento florestal para a pecuária de corte tem sido destaque principalmente pela relação da migração de morcegos hematófagos para se alimentarem de herbívoros, aumentando sua proximidade com populações humanas. Durante as migrações dos morcegos hematófagos, estes podem carrear o vírus da raiva para regiões onde não havia ocorrência previa da doença em humanos. Alguns estudos conduzidos na Amazônia peruana e no estado do Pará elencam variáveis ambientais e variáveis envolvendo ações antrópicas que possam estar implicadas nas ocorrências de raiva na população humana. Porém, pouco se sabe sobre o perfil sócio demográfico e espacial das comunidades que sofrem as espoliações por morcegos hematófagos e se características individuais possam estar implicadas na ocorrência e ausência das mordeduras nas populações atingidas. Este estudo objetiva a compreensão do perfil sócio demográfico e espacial das comunidades que sofrem espoliação pelo morcego hematófago através do acesso a dados secundários disponíveis no Sistema Nacional de Notificação de Agravos (SINAN) do Ministério da Saúde.
AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DE CIANOBACTÉRIAS E MICROPLÁSTICOS EM CLADÓCEROS (CRUSTACEA, BRANCHIOPODA)
Bolsista: VINICIUS VERAS E SILVA
Orientador(a): ALOYSIO DA SILVA FERRAO FILHO
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Os ecossistemas aquáticos vêm sofrendo grande impacto antrópico ao longo das últimas décadas, com a introdução de substâncias de origem diversa, assim como matéria orgânica de origem doméstica e substâncias sintéticas de origem industrial. Isto tem levado a um intenso comprometimento da dinâmica das comunidades naturais, devido ao crescente processo de eutrofização artificial, com consequente aumento na produtividade e alterações na estrutura das comunidades aquáticas, como o aparecimento florações de cianobactérias. Vários gêneros de cianobactérias que formam florações produzem toxinas. As toxinas de cianobactérias, que são conhecidas como cianotoxinas, constituem uma grande fonte de produtos naturais tóxicos produzidos por esses microorganismos. Algumas dessas toxinas, que são caracterizadas como neurotoxinas por sua ação rápida, causam a morte por parada respiratória após poucos minutos de exposição. Outras atuam menos rapidamente e são identificadas como peptídeos ou alcalóides hepatotóxicos. Os microplásticos são outro tipo de problema que vem impactando os ecossistemas aquáticos, tanto de água doce quanto marinhos, podendo se acumular nas cadeias alimentares e causar efeitos no crescimento e na reprodução de organismos aquáticos. O gênero Daphnia, alocado dentro da família Daphnidae (Ordem Cladocera), possui espécies consideradas como sentinelas dos ecossistemas aquáticos de água doce, uma vez que possui uma grande sensibilidade em relação à presença de poluentes. Deste modo, o presente projeto pretende testar o efeito conjunto entre cianobactérias e microplásticos em microcrustáceos filtradores, avaliando o sinergismo dos efeitos prejudiciais de ambos sobre a fisiologia dos organismos testados.
Avaliação Ambiental, HPAS em ar
Bolsista: LARYSSA DOS ANJOS PECANHA
Orientador(a): THELMA PAVESI
Coorientador(a): VANESSA EMIDIO DABKIEWICZ
Resumo: Em geral, a expressão “hidrocarbonetos policíclicos aromáticos” (HPAs), refere-se a uma mistura complexa de poluentes ambientais, entre os contaminantes mais difundidos na atualidade, sobretudo como poluentes atmosféricos. São compostos por mais de dois anéis aromáticos, compondo uma classe de mais de uma centena de compostos dos quais, pela abundância e representatividade sobressaem-se 16 nas questões regulatórias e análises ambientais. Os HPAs entram na atmosfera, tanto na fase gasosa como particulada, principalmente em razão de ações antropogênicas, embora também haja formação natural. Como resultado de precipitação atmosférica ou de descargas industriais passa a contaminar águas continentais e marinhas, plantas terrestres e aquáticas, solos, sedimentos e nos alimentos. Pela poluição ambiental, dieta e tabagismo, além da exposição ocupacional pode ocorrer a exposição humana e, consequentemente agravos à saúde. Este subprojeto visa prosseguir na formação teórica e prática da aluna PIBIC quanto a sua compreensão da técnica de cromatografia líquida e desta classe de poluentes. O objetivo desta etapa será a testagem, otimização e possível implantação de metodologias, buscadas na literatura na etapa anterior, para o pré-tratamento de amostras e a efetiva determinação de HPAS em amostras de ar por cromatografia líquida com detector de fluorescência.
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