Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Análise de mutações somáticas no promotor do gene TERT em tecido hepático de pacientes com carcinoma hepatocelular.
Bolsista: MARIANA LEONARDO TERRA
Orientador(a): NATALIA MOTTA DE ARAUJO
Coorientador(a): JOSE JUNIOR FRANCA DE BARROS
Resumo: Com um registro de 905.677 novos casos e 830.180 mortes em 2020, o câncer de fígado é o sexto tipo de câncer mais comum e a terceira causa de mortalidade associada ao câncer em todo o mundo, representando um grande problema de saúde global [IARC 2020]. No Brasil, quase 11.000 mortes foram registradas no ano de 2019 em virtude do câncer de fígado. O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tumor maligno primário de fígado mais comum, sendo responsável por cerca de 90% dos casos. A progressão do câncer hepático envolve múltiplas etapas, incluindo inflamação (hepatite), fibrose, cirrose, e CHC, havendo forte influência de fatores virais e genéticos do hospedeiro. Os principais agentes etiológicos para o desenvolvimento do CHC são as infecções crônicas pelos vírus da hepatite B (HBV) e da hepatite C (HCV), que geram lesão hepática crônica, resultando frequentemente no desenvolvimento de cirrose hepática, sendo esta encontrada em mais de 80% dos casos de CHC. Devido ao curto tempo de evolução do CHC, geralmente o tumor se encontra avançado quando é feito o diagnóstico, fazendo com que a taxa de mortalidade desse tipo de câncer seja elevada. O bom prognóstico do CHC depende fundamentalmente da detecção precoce do tumor e, portanto, estudos que identifiquem possíveis marcadores de detecção precoce do CHC são de extrema importância. Várias linhas de evidência sugerem que o padrão de mutações somáticas em casos de CHC varia entre as diferentes regiões geográficas, muito provavelmente devido a fatores ambientais ou a diversidade genética do hospedeiro. O gene TERT (do inglês Telomerase Reverse Transcriptase) é responsável por codificar a porção catalítica da telomerase celular, que atua no reparo dos telômeros durante as divisões celulares. Sua expressão é necessária em tecidos que estejam em fase de proliferação, como os embrionários e os de regeneração, mas se encontra naturalmente desativada nos demais tecidos. Mutações somáticas do tipo substituição no gene TERT são frequentemente detectadas em uma região hotspot do promotor, entre elas, mudanças de citosina para timina podem ocorrer nas posições -146 e -124 [Horn et al., 2013], criando um sítio de ligação para fatores de transcrição, aumentando assim a expressão da telomerase. A reativação de TERT tem sido associada à transformação maligna de diferentes tipos celulares, incluindo os hepatócitos. De fato, a reativação do gene TERT através de mutações somáticas na região promotora pode ser encontrada em até 70% dos casos de CHC. Além disso, estudos têm demonstrado uma maior frequência dessas mutações em casos de CHC de etiologia por HCV do que HBV. Até o momento, não há estudos avaliando a prevalência de mutações no gene TERT em amostras de tecido hepático de pacientes com CHC no Brasil. Além disso, faremos a quantificação por pirosequenciamento da carga alélica das mutações -146C>T e -124C>T em TERT em amostras de tecido de fígado classificadas histologicamente nos diferentes graus da doença hepática (hepatite, cirrose e CHC), e avaliaremos se porcentagem de DNA genômico contendo mutações aumenta progressivamente de acordo com o grau da doença hepática. Esta análise será algo inédito na literatura e permitirá avaliar se a quantidade de DNA genômico mutado aumenta de acordo com o dano do tecido hepático. Os resultados obtidos no presente projeto contribuirão para a identificação de biomarcadores genéticos que poderão auxiliar na detecção precoce do CHC, bem como, na identificação de pacientes em alto risco para o desenvolvimento deste câncer.
Estudo dos genes VAPB, UBQLN2 e PFN1 em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica na população do Rio de Janeiro
Bolsista: CLEO PEREIRA DE ALMEIDA
Orientador(a): VERONICA MARQUES ZEMBRZUSKI
Coorientador(a): Amanda Cambraia Alves Coelho
Resumo: A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa fatal causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais e disfunções relacionadas à idade. Seus sintomas clínicos, como fraqueza muscular progressiva, junto à atrofia e fasciculações, ocorrem devido ao comprometimento dos neurônios motores superior e inferior, e os do córtex frontal. A morte ocorre por paralisia respiratória em 2-5 anos. Mais de 20 genes já foram associados à patologia, embora mutações em um único gene expliquem a condição em apenas 15% dos pacientes. Entre tais genes, citamos três, que serão o foco de estudo deste projeto: VAPB: envolvido no transporte de proteínas para o retículo endoplasmático e sua ativação se dá quando proteínas mal dobradas se acumulam nesse compartimento celular. UBQLN2: envolvido com processos de ubiquitinação e degradação de proteínas no proteossomo, atuando na via de degeneração do neurônio motor. PFN1: envolvido na integridade do citoesqueleto celular e no transporte axonal, interferindo na rede de tubulinas. Encontrar biomarcadores genéticos é crucial para o diagnóstico, prognóstico ou estudos preditivos da ELA, pois permitem estratificar os pacientes e monitorar efeitos de tratamentos. Entre os objetivos específicos, e a metodologia a eles relacionada, temos: i. Avaliar as variáveis fenotípicas dos 22 casos de 14 famílias com a mutação VAPB P56S, já diagnosticada, a partir da análise dos registros médicos dos pacientes para caracterizar a heterogeneidade clínica da ELA (etapa não presencial); ii. Analisar os eletroferogramas do gene UBQLN2 de 164 pacientes, gerados por sequenciamento de Sanger da sua região codificadora pela aluna de doutorado vinculada ao projeto (etapa não presencial); iii. Realizar o rastreamento do gene PFN1 em 164 pacientes por sequenciamento de Sanger (etapa presencial no LGH-IOC). Para os objetivos ii e iii, as mutações encontradas serão descritas, comparando com os padrões observados em outras populações e analisando o impacto molecular das variantes novas na estrutura da proteína e seu potencial patogênico, através de ferramentas de bioinformática. Todos os pacientes foram diagnosticados com ELA através de exames clínicos e neurofisiológicos; a coleta de sangue, com posterior extração do DNA, foi feita após a assinatura do TCLE. Dentre os 22 pacientes com a mutação VAPB P56S, 9 são do sexo masculino, enquanto 13 são do sexo feminino. A idade média em que ocorreu o início dos sintomas foi de 45,2 anos (DP= 7,184), e todos apresentavam histórico familiar de ELA. O local de nascimento desses indivíduos se concentrou na região sudeste do Brasil; segundo os critérios de raça/cor (IBGE), observamos que 86,4% são brancos e 13,6% são pardos. Em relação às características clínicas, 2 pacientes apresentaram disfagia, 3, disartria e 16, câimbra. Nenhum dos indivíduos apresentou característica fenotípica que se sobreponha à demência frontotemporal. Embora seja comum observarmos pacientes P56S com protusão abdominal, apenas 7 indivíduos na nossa amostra apresentaram tal fenótipo. Treze pacientes apresentaram comorbidades, sendo a hipertensão e a obesidade as mais comuns. Sobre o local de início dos sintomas, grande parte da nossa amostra (n=20) teve início Espinhal (membros inferiores afetados), apesar da ausência de registro para dois pacientes. Uma vez que as regras para a volta das atividades presenciais dos alunos foram flexibilizadas, iniciamos a padronização dos experimentos do gene UBQLN2, para posterior análise dos eletroferogramas. Assim que a aluna se familiarizar com a rotina do laboratório e as técnicas de biologia molecular, serão iniciados os experimentos referentes ao rastreamento do gene PFN1. A partir do conhecimento das variantes que circulam na nossa população, poderemos correlacioná-las com o perfil clínico dos pacientes com ELA, o que irá permitir uma melhor compreensão da doença, bem como o desenvolvimento de métodos diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficientes.
Diversidade genética do HIV-1 em indivíduos sob terapias antirretrovirais com inibidores de integrasse em Manaus – AM
Bolsista: GABRIELA ARAUJO VIEGAS DA ROCHA
Orientador(a): Paulo Afonso Nogueira
Coorientador(a): YURY OLIVEIRA CHAVES
Resumo: A necessidade de uso contínuo da TARV e a alta diversidade do HIV pode levar a uma seleção de cepas virais resistentes, o que diminui ou anula a ação desses medicamentos. Estudos já relatam a presença de mutações de resistência cruzada entre antirretrovirais inibidores de integrase em PVHA com falha virológica, podendo assim favorecer a progressão da infecção do HIV. O objetivo do projeto foi verificar a diversidade genética do HIV-1 e mutações de resistência a medicamentos em indivíduos sob terapia antirretroviral com inibidores de integrase em Manaus-AM. Para fazer o levantamento dessas informações, foram recrutadas 42 pessoas que apresentaram falha terapêutica. As informações epidemiológicas demostram que 45% (n=19) das pessoas são do sexo feminino, e 55% (n=23) do sexo masculino, com idade média 45 anos (20 – 71), em relação a orientação sexual 76% (n=32) heterossexual, 16% (n=7) homossexual e 3% (n=3) bissexual. Em relação ao tempo de tratamento, a média é de 9 anos (4–11), curiosamente, 23% (n=10) estavam em uso de Dolutegravir ou Raltegravir. As PVHA apresentavam baixíssimos níveis de CD4 em média de 165 cels/mm3 (7 – 1530), e Carga viral(log) 4 (2–7). Os estudos de diversidade molecular do HIV-1 contribuem para melhor compreensão da diversidade, epidemiologia da região e os subtipos, pouco descrito na literatura.
AVALIAÇÃO DO ENVOLVIMENTO PULMONAR EM MODELO MURINO DE DENGUE GRAVE: ESTUDOS HISTOPATOLÓGICOS E ULTRAESTRUTURAIS E DETECÇÃO VIRAL
Bolsista: EDUARDA LIMA ARAUJO
Orientador(a): DEBORA FERREIRA BARRETO VIEIRA
Coorientador(a): GABRIELA CARDOSO CALDAS
Resumo: A dengue (DEN) é considerada a arbovirose mais importante do mundo e é classificada como a doença viral transmitida por vetores com a propagação mais rápida. Embora a infecção primária por qualquer um dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV) seja capaz de causar quadros graves e óbito, evidências epidemiológicas têm mostrado que o aumento do risco para dengue grave (DG) está associado à infecção secundária por um sorotipo heterólogo. Alterações pulmonares durante a infecção pelos DENV são comumente observadas e geralmente incluem edema pulmonar não cardiogênico, hemorragia acompanhada ou não de hemoptise, pneumonite e insuficiência respiratória aguda grave. Há alterações progressivas na radiografia de tórax na primeira semana, com normalização no 14º dia. A hemorragia pulmonar, com alta gravidade, tem caráter multifatorial e envolve a vasculopatia, disfunção plaquetária e/ou problemas na coagulação sanguínea. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é avaliar o envolvimento pulmonar em modelo murino de dengue secundária, e correlacionar os achados morfológicos com a carga viral e detecção de antígenos neste órgão. Para isso, camundongos AG129 machos, de 2 meses de idade, serão inicialmente infectados por uma cepa de DENV-3 (PV10/2019) e, após 8 semanas, infectados por uma cepa de DENV-2 (337/2008). Após 24, 48, 72 e 96 horas, 7 e 14 dias pós-infecção secundária, os animais serão anestesiados, eutanasiados e os pulmões coletados e processados para análises por microscopia de campo claro, microscopia eletrônica de transmissão e para detecção do genoma viral por RTqPCR. Com este projeto, espera-se elucidar alguns aspectos do envolvimento pulmonar na infecção secundária pelos DENV.
Estimativa de Indicadores e Análise da organização visual e de mapeamento dos indicadores do SISAP-IDOSO
Bolsista: Jonathan de Freitas Sales
Orientador(a): Dalia Elena Romero Montilla
Coorientador(a): Nathalia Andrade de Souza
Resumo: O fenômeno do envelhecimento populacional em escala mundial tem sido foco de amplos processos de discussão e de acordos internacionais com vistas à promoção de políticas públicas voltadas para o bem estar e qualidade de vida das pessoas idosas. O Brasil, como signatário do Estatuto do Idoso e de diversos acordos internacionais na área de envelhecimento, tem sido pioneiro na promulgação de leis que visam à proteção social da pessoa idosa. No entanto, tais leis e políticas não encontram bases para serem avaliadas pela ausência de indicadores sensíveis capazes de avaliar e monitorar as ações desenvolvidas. O Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso (SISAP-Idoso) SISAP-Idoso¹ compreende um sistema de consulta de indicadores pela internet, a nível federal, estadual e municipal, sobre a saúde do idoso. A finalidade é oferecer uma ferramenta para a gestão do SUS que permita ao mesmo tempo conhecer a situação de saúde da população idosa e estabelecer processos contínuos de acompanhamento (monitoramento da implementação e avaliação de resultados). A proposta do sistema é fornecer aos gestores e à sociedade como um todo dados úteis à formulação de políticas e ações de prevenção, além de contribuir na melhoria da qualidade da assistência à saúde e da informação gerada nos níveis básicos de atenção do SUS. O sistema foi desenvolvido como uma iniciativa conjunta da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa (COSAPI) do Ministério da Saúde e do Laboratório de Informação em Saúde (LIS) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (ICICT) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenado pela Dália Romero. O sistema tem como diretriz o estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações sobre o processo de envelhecimento para a população em geral, mas em especial para a população idosa e para os gestores do sistema de saúde, tal qual estabelecido no Estatuto do Idoso (art. 3°, VII) e na Política Nacional do Idoso (art. 3°, II e art. 4°, VII). Grande parte da inovação do SISAP-Idoso vem da combinação de duas lógicas independentes, mas complementares de estruturação dos indicadores. A primeira delas é a Matriz de Dimensões de Saúde no Brasil, o objetivo desta matriz é fornecer aos gestores e à população uma ferramenta para realizar a análise de situação de saúde da população idosa, procedimento sem o qual não é possível planejar adequadamente ações de saúde. [1] A segunda, chamada Matriz Conceitual para o Acompanhamento de Políticas e Programas, é uma inovação do SISAP-Idoso que tem como objetivo permitir o acompanhamento de dispositivos específicos de políticas e programas de saúde da pessoa idosa através de indicadores selecionados. Sua função é subsidiar a formulação e o acompanhamento de políticas e programas de saúde do idoso para encorajar a utilização apropriada dos recursos públicos, desestimular o uso inadequado de procedimentos, serviços e tecnologias e promover a prestação de serviços de saúde com maior eficiência, eficácia e equidade.[2]
ESTUDO DO COMPORTAMENTO DINÂMICO DA ENZIMA CRUZAÍNA NAS FORMAS APO E COMPLEXADA COM INIBIDORES DO GRUPO 2-ACETAMIDOTIOFENO-3-CARBOXAMIDA
Bolsista: HELLEN VALERIO CHAVES MOURA DE SOUZA
Orientador(a): NUBIA BOECHAT ANDRADE
Coorientador(a): TACIO VINICIO AMORIM FERNANDES
Resumo: Neste trabalho, simulações por DM de 100ns foram realizadas, com o objetivo de estudar o comportamento dinâmico da enzima CRZ do T. cruzi em sua forma apo e complexada com cinco Inibidores da calsse 2-acetamidotiofeno-3-carboxamida. A partir dos resultados obtidos, pode-se concluir que os inibidores 1-5 ligam-se à CRZ via ligações de hidrogênio, principalmente, com os resíduos Gln19, Gly20, Ser64, Gly66, Leu67, Leu160, Asp161, Ser183 e Thr184. Dentre os resíduos apresentados, Gln19, Gly66, Leu67 e Asp161 se destacam, pois, ratificam os resultados descritos nos trabalhos de Wiggers e colaboradores e Hoelz e colaboradores (WIGGERS et al., 2013; HOELZ et al., 2015). As análises também sugerem que a compacidade da CRZ não sofre alterações significativas, mantendo a composição da estrutura secundária estável durante toda simulação, mesmo quando complexada com os inibidores 1-5. O estudo dos movimentos de alta amplitude e de baixa frequência da CRZ mostrou que a enzima, na forma apo, apresentou maior amplitude de movimentos na alça L3. No entanto, a interação dos inibidores 1-5 na CRZ promoveu uma mudança da amplitude e direção de movimento dessa mesma alça. Por meio da análise de correlação cruzada propõe-se que a interação dos inibidores 1-5 na CRZ foi capaz de diminuir os movimentos correlacionados da estrutura dessa enzima, incluindo as flutuações dos resíduos da tríade catalítica (regiões 1 e 5). Com a análise do mapa rede, pode-se sugerir que a interação dos inibidores 1-5 aumenta o número de comunidades presentes na hélice, que possui o resíduo Cys25 (resíduo catalítico), onde esse processo parece estar diretamente ligado à inibição enzimática. Além disso, pode-se propor que a energia livre de ligação dos inibidores 1-4 é um fator importante para a inibição competitiva da CRZ, onde uma energia mais negativa representa uma maior afinidade do inibidor pela enzima CRZ. Portanto, os resultados apresentados neste trabalho contribuem para um melhor entendimento do mecanismo de inibição da enzima CRZ, mediado por inibidores não-covalentes, auxiliando, dessa forma, o planejamento de novos agentes terapêuticos contra a doença de Chagas.
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